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Virou videogame? Presidente da Fifa sugere definição de taxas de transferências por algoritmo

Gianni Infantino, presidente da Fifa, entende que valores de negociações podem ser definidos por computador no futuro, o que aumentaria a transparência

Gianni Infantino, presidente da Fifa, teve uma ideia um tanto quanto curiosa para reforçar a transparência das negociações de jogadores entre clubes. O mandatário da entidade máxima do futebol afirmou, na conferência jurídica da organização em Tóquio, que no futuro as taxas de transferências podem ser definidas por algoritmo. Apesar do suíço não utilizar estes exemplos, isso seria algo semelhante ao que acontece nos simuladores do esporte, como EA FC, eFootball e Football Manager.

Nos videogames, os atletas recebem uma precificação automática, que leva em conta fatores como idade, tempo de contrato e nível de atuação dos jogadores. De acordo com Infantino, retirar o poder de decisão dos valores de transferências dos clubes na vida real iria “ajudar as partes interessadas do futebol”.

— Agora, mais do que nunca, é fundamental falarmos sobre estes e outros temas. Por exemplo, para discutir sobre a possibilidade de usar um algoritmo para estimar o valor justo das taxas de transferência, a fim de aumentar a transparência no sistema de transferências e ajudar as partes interessadas do futebol — apontou o presidente da Fifa.

Clubes têm gastado valores surreais

Pensando na prática, essa precificação automática impediria que clubes fizessem investimentos surreais, como aconteceu com o Chelsea, que gastou quase 611 milhões de euros na temporada 2023 e 464,1 milhões de euros na janela de transferências de verão de 2023/24, montante que ultrapassa os 1,075 bilhão de euros e se aproxima dos R$ 6 bilhões, na cotação atual.

Apesar de não existir uma precificação definida, é evidente que o clube londrino pagou valores completamente inflacionados. Já conhecido como gastador desde a época que era propriedade do bilionário russo Roman Abramovich, o Chelsea subiu de patamar no que diz respeito aos valores despendidos em transferências de jogadores na era Todd Boehly, empresário, investidor e filantropo norte-americano, que comprou os Blues por aproximadamente de 5 bilhões de euros (R$ 25,5 bilhões na época).

Mas os gastos exacerbados não são uma especificidade do Chelsea. Um exemplo é o Arsenal, também de Londres, pagou ao West Ham, outro clube da mesma cidade, 122 milhões de euros (R$ 660 milhões, aproximadamente, na época) pelo volante inglês Declan Rice, na janela de verão de 2023.

Um outro benefício que poderia advir da ideia de Gianni Infantino, se esta for corretamente implantada, seria um maior controle no âmbito do Fair Play Financeiro. Com preços definidos, o poder de decisão do destino dos jogadores ficaria mais com o próprio atleta do que com os clubes, já que as equipes interessadas não precisariam entrar em leilão pelos nomes pleiteados.

Por outro lado, a questão salarial, de luvas e bônus ainda poderia representar um problema, já que maiores comissões e remunerações poderiam ser a grande arma de convencimento dos clubes. O dinheiro que antes iria para as negociações poderia ser realocado para salários. Portanto, é de se imaginar que fosse necessária uma regulação mais forte neste âmbito, dentro da ideia de Fair Play Financeiro.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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