está ficando sem saídas. Mesmo seu plano de permanecer na presidência da até as eleições extraordinárias, em fevereiro de 2016, parece cada vez mais improvável diante da sucessão de acontecimentos nos últimos dias, desencadeados lá atrás pelo escândalo do . A investigação criminal enfim chegou à alta cúpula. Agora até os grandes patrocinadores da entidade pediram publicamente a renúncia do suíço.

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Por volta das 16h desta sexta-feira, surgiu no Twitter a primeira informação da pedindo a saída de Blatter. Alguns minutos depois, foi a vez de o McDonald’s também solicitar a renúncia do presidente da Fifa. Cerca de duas horas depois do primeiro comunicado, e Budweiser já haviam se posicionado a favor da saída do suíço. “A cada dia que passa, a imagem e a reputação da Fifa estão sendo ainda mais manchadas. A Fifa precisa de uma reforma urgente e abrangente, e isso só pode ser feito através de uma abordagem realmente independente”, dizia o comunicado da Coca-Cola, enquanto o do McDonald’s pedia a demissão de Blatter para que a reforma política na entidade fosse feita apropriadamente.

Após o posicionamento das patrocinadoras, Greg Dyke, presidente da FA, afirmou acreditar que o presidente da Fifa tenha ficado sem saída: “Acho que isso muda tudo. Agora não importa o que o senhor Blatter diga. Se as pessoas que pagam à Fifa querem uma mudança, elas vão conseguir uma mudança. O que importa é que isso não se trata apenas do senhor Blatter se demitindo, mas sim de garantir que haja uma reforma abrangente e efetiva. Então, para nós que queremos uma mudança fundamental, isso é boa notícia”.

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Diante da divulgação das informações, na última sexta-feira, de que estava sendo investigado criminalmente pela Procuradoria-Geral da Suíça, Blatter reforçou que permaneceria no cargo até as eleições de 2016. E a persistência do suíço é enorme, já que, em meio à sequência de comunicados oficiais dos patrocinadores, o mandatário da Fifa voltou a reforçar sua posição. “Embora a Coca-Cola seja um patrocinador valioso da Fifa, o senhor Blatter respeitosamente discorda de sua posição e acredita firmemente que sua saída agora não seria do melhor interesse da Fifa e tampouco avançaria o processo de reforma. Portanto, ele não renunciará”, dizia comunicado assinado por seu advogado, Richard Cullen.

Vale ressaltar que a Coca-Cola possui grande importância na própria ascensão de Blatter na Fifa. Em 1975, o dirigente era mero coadjuvante nas estruturas da entidade, quando assumiu a liderança no novo programa de desenvolvimento global do futebol, idealizado pela empresa americana. O “Project One” tinha como intuito espalhar os princípios do futebol além de Europa e América do Sul, nos continentes onde ele não estava tão bem estruturado. Além disso, também promoveu a criação da Copa do Mundo Sub-20 a partir de 1977, em centros secundários do futebol. O que, por tabela, também garantia mais audiência global da Coca-Cola. Uma relação que ruiu com o indiciamento do dirigente pela justiça suíça.

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Agora, é ver a postura de outras patrocinadoras da Fifa, especialmente as mais envolvidas no jogo de poder da entidade. Segundo o livro Jogo Sujo, do jornalista Andrew Jennings, a Adidas ajudou a impulsionar a candidatura de João Havelange em 1974, envolvida com as bases da construção do império comercial da entidade a partir de então. A Hyundai possui seu próprio presidente como um dos candidatos “chapa-branca” para substituir Blatter. Já a Gazprom, cuja maioria das ações pertence ao governo russo, tem peso na realização da Copa de 2018. Se perder também elas, a situação de Blatter se torna realmente insustentável. Afinal, após construir seu poder através do dinheiro que jorrava, fortalecendo os seus laços políticos, sem os patrocinadores só lhe resta o apoio de uma corja outros tantos acusados.