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Informe financeiro da Fifa faz justificativa de Platini subir pelo telhado

A Procuradoria-Geral da Suíça abriu na semana passada um processo criminal contra Joseph Blatter, investigando suspeitas de gestão desleal e apropriação indébita. Entre os episódios investigados está o pagamento de cerca de dois milhões de francos suíços (€ 2 milhões) ao presidente da Uefa, Michel Platini, em fevereiro de 2011. Diante da revelação, o francês rapidamente explicou que o montante era referente ao serviço de assessor que prestou ao presidente da Fifa entre 1998 e 2002 e que ainda não havia sido pago por dificuldades financeiras da Fifa. Versão que caiu por terra nesta quarta-feira, como descobriu a agência de notícias AFP.

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A agência checou um informe financeiro da Fifa publicado em abril de 2003, disponível no site da entidade, que mostrava um superávit de 115 milhões de francos suíços (R$ 460 milhões na cotação atual) no fechamento de um ciclo de quatro anos, entre 1999 e 2002, apesar de uma perda esperada de 134 milhões de francos suíços em maio de 2002, por causa da falência da ISL, empresa de marketing que tinha parceria de direitos de transmissão dos torneios da Fifa nos anos 1990.

Além disso, uma fonte anônima revelou à AFP que a entidade tinha todas as condições de efetuar o pagamento pelos serviços de Platini na época em que o francês foi conselheiro de Blatter.

“Ainda que a Fifa trabalhe com um ciclo de quatro anos, com maior parte da receita caindo no quarto ano — neste caso, o ano da Copa do Mundo de 2002 —, a situação financeira era forte o bastante para lidar com um pagamento desses. A Fifa não tinha problema financeiro algum”, revelou.

O pagamento pelos serviços prestados por Platini em fevereiro de 2011 coincidiu com o ano em que seriam realizadas as eleições presidenciais da Fifa. À época, o francês pretendia concorrer ao cargo, mas abriu mão da candidatura e pediu às federações europeias que votassem em Joseph Blatter, e esse é um dos motivos que problematizam ainda mais o pagamento investigado pela Procuradoria-Geral da Suíça.

Ainda assim, apesar do momento conturbado pelo qual passa o presidente da Uefa, o apoio a ele declarado pela FA, nesta quarta-feira, para as eleições presidenciais da Fifa do ano que vem é um grande indicativo da força política de Platini. Situação que, claro, pode mudar, já que não dá para prever quais outras revelações vêm por aí nas investigações até fevereiro de 2016.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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