IFAB descarta liberar áudio do VAR ao vivo nos jogos: “Seria uma experiência caótica”
Para executivo da IFAB, a liberação de áudios ao vivo do VAR criaria ainda um ambiente inseguro para os árbitros
O executivo-chefe da International Football Association Board (IFAB), Lukas Brud, descartou incluir na transmissão ao vivo o áudio do VAR, algo que tem sido discutido como uma possibilidade para dar mais transparência ao jogo. Para o executivo, isso criaria uma “experiência caótica” e não seria benefício ao jogo e nem à audiência.
A IFAB é a entidade responsável pela gestão das regras do futebol. Qualquer mudança de regras precisa, necessariamente, passar pela IFAB. A Fifa é quem mais tem influência na entidade, mas ela é independente para tomar as decisões. O VAR foi introduzido no futebol em 2018, para a Copa do Mundo da Rússia, e a entidade defendeu o seu uso, ainda que tenha admitido que houve impacto no jogo.
As experiências não parecem ter convencido a IFAB que o uso de áudio ao vivo, nos moldes do que acontece na NFL, seja a melhor solução. Há temores que o áudio ao vivo do VAR possa criar “um ambiente inseguro para os árbitros”.
A experiência de áudio ao vivo tem sido usada em alguns torneios, como a Copa do Mundo Feminina 2023. Muito possivelmente algumas ligas devem adotar como teste, mas há muita controvérsia a respeito disso. A IFAB não tem gostado do que viu até aqui e projeta mais problemas do que soluções com a medida.
“Eu categoricamente digo não, não deveriam”, disse Lukas Brud quando perguntado pela BBC se ele achava que os áudios do VAR deveriam ser mostrados ao vivo. “Recebi permissão para observar e ver a comunicação entre a equipe de arbitragem durante uma revisão e é uma situação um tanto caótica, não em um sentido negativo, mas há muitas pessoas falando ao mesmo tempo e acho que seria contraprodutivo para qualquer um escutar todas essas vozes falando umas com as outras”.
“Então você tem o VAR e assistente VAR, os operadores de replay, o árbitro e talvez até os bandeirinhas e o quarto árbitro, então de repente se torna uma experiência muito caótica”, continuou Brud. “Demos luz verde para testar o anúncio de decisões para trazer um pouco mais de transparência para o processo de decisão, mas não estamos preparados neste momento para uma comunicação ao vivo com a audiência”.
É bom esclarecer que no teste feito na Copa do Mundo Feminina, o áudio que o público ouvia não era o da comunicação no VAR com a arbitragem, mas apenas a decisão final, comunicada pela arbitragem ao público, após essas discussões com a cabine do VAR e a revisão do lance.
A IFAB só permite que o áudio do VAR seja divulgado nos dias seguintes à partida, algo que é feito, por exemplo, por competições da Conmebol. A CBF eventualmente divulga, embora a prática ainda não seja uma constante, mas a entidade já disse que passará a ser. Na Europa, apenas agora as ligas estão começando a fazer isso.
A Premier League passou a divulgar os áudios, o que chama de “Match Officials Mic’d Up”, que pode ser usado inclusive pelos detentores de direitos. A Serie A também criou uma divulgação chamada de “Open VAR”. La Liga, Ligue 1 e Bundesliga não divulgam os áudios do VAR por enquanto.
Comparação com outros esportes é rechaçada
Um dos aspectos frequentemente usados para falar sobre a liberação do áudio do VAR, especialmente ao vivo, é o que acontece em outros esportes, sendo a NFL um dos exemplos mais constantes, mas também com rúgbi e críquete. Para Lukas Brud, porém, rejeitou que essas comparações sejam válidas para o futebol.
“O futebol é diferente porque todo mundo está colocando uma lupa em cada decisão e cada palavra seria então analisada na mídia e isso criaria um ambiente muito inseguro para os árbitros”, disse Brud. “Eles precisam se sentir seguros quando estão focados no processo de decisão”.
O dirigente também foi perguntado sobre um incidente que aconteceu com o Liverpool, em jogo contra o Tottenham no dia 30 de setembro. Um gol legítimo de Luis Díaz foi anulado por impedimento, mesmo ele estando em posição legal. O time do VAR só percebeu o erro depois que houve o recomeço do jogo, tudo por um erro de comunicação. A Associação de Arbitragem se desculpou pelo erro cometido.
Apesar desse caso ter sido um erro muito claro e grave, Brud rejeita que a regra deve ser mudada por considerar que o caso é uma exceção. “Sempre temos que lembrar que essas coisas não acontecem com muita frequência. Nós não demos imediatamente começar a questionar toda a estrutura quando aconteceu uma vez em milhares de partidas jogadas”, disse. “Certamente iremos melhorar, se necessários, certas áreas do VAR. Se precisamos resolver um problema em que os humanos cometeram um erro, então vamos ver”.



