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Diretor da IFAB defende uso do VAR, mas admite que teve impacto no fluxo do jogo

O uso do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) se tornou objeto de discussão nas vidas de todos envolvidos no futebol há algumas temporadas. O seu uso inegavelmente mexeu com o jogo, o que leva a questionamentos até diferentes em relação ao uso, ou a falta de uso. O diretor técnico da International Football Association Board (IFAB), David Elleray, defendeu o uso da ferramenta, que trouxe benefícios ao jogo, mas admitiu também que de fato ele impõe uma quebra de ritmo nas partidas.

“Está claro que o futebol está mais justo, mas também está claro que o VAR teve um impacto no fluxo do jogo”, afirmou Elleray. “Se você vai parar o jogo para olhar um replay que envolva uma parada no fluxo do jogo. Muito no começo das discussões sobre o VAR, as pessoas diziam que talvez devesse ter um limite de tempo em revisões longas, mas isso seria minar o propósito do VAR, que é lidar com erros claros e óbvios”.

“Se disséssemos que a revisão pode levar até 30 segundos, e às vezes você precisa olhar por diferentes ângulos. O que nós normalmente dizemos é que quanto mais tempo demora, é menos provável que seja um erro claro e óbvio… Em última análise, a expectativa do futebol em relação às revisões é que no fim seja tomada a decisão certa”.

Segundo Elleray, não há nenhuma grande mudança esperada para o VAR no próximo ano, embora a Fifa continue estudando a possibilidade de automatizar as decisões de impedimento, o que deve torná-los mais rápidos e com “resultados encorajadores”. Ele também comentou sobre as mudanças qualitativas ao jogo que o diretor técnico acredita que o VAR tornou possível, como reduzir o número de cavadas de pênalti na área e as rodinhas sobre os árbitros. Isso, claro, deve ser porque Elleray assiste o futebol de primeiro nível da Europa, porque na América do Sul, e no Brasil especificamente, isso acontece com muita frequência, com VAR e tudo.

“Há menos jogos decididos por erros claros e óbvios dos árbitros”, afirmou Elleray. “Há menos jogadores escapando depois de darem entradas violentas em campo sem que o árbitro veja. Eu acho que alguns dos outros benefícios são menos falados, mas há provas que houve uma significativa redução das tentativas de simulação dentro da área”.

“Há também uma redução geral em jogadores cercando e discutindo com os árbitros, porque eles sabem muito bem que qualquer decisão relativa a pênaltis ou gols são verificadas ou revisadas pelo VAR. O comportamento é melhor”, analisou ainda o diretor técnico da IFAB.

As discussões sobre o uso do VAR são bem diferentes na Europa, ao menos no nível mais alto, do que está em relação ao que acontece na América do Sul. Na Premier League, por exemplo, a discussão é sobre o quanto é justo que um jogador esteja impedido por estar com o ombro poucos centímetros à frente, por exemplo, em um gol marcado com os pés.

Na América do Sul, a discussão é sobre como o VAR é usado. Por vezes, os lances revisados são interpretativos, não são erros claros e óbvios, e na verdade o árbitro assistente de vídeo vira quase uma segunda chance para os árbitros apitarem. E, algumas vezes, o árbitro que está na cabine tem mais nome, é mais experiente, e o árbitro de campo se sente intimidado e muda sua decisão. Há um excesso de intervencionismo por aqui, especialmente no Brasil.

A falta de transparência em lances de impedimento muito ajustado também é um problema, o que gera problemas como lances que não são conclusivos nem na imagem. Isso é um problema de operação, já que nas grandes ligas europeias, a operação consegue mostrar o impedimento, mesmo que seja milimétrico. Por isso, a discussão lá é se a regra deveria ser repensada. Por aqui, às vezes ainda há dúvidas se o impedimento existiu. Além do intervencionismo enorme.

Houve benefícios, como redução quase a zero a erros nos impedimentos, e em punir os jogadores que cometem agressões, por exemplo. Há, também, um impacto no ritmo do jogo, além de potencializar discussões sobre o que é justo em um impedimento, ou mesmo da forma como o VAR por vezes é usado como uma forma de apitar novamente para o árbitro.

Há muitos pontos controversos em relação ao uso do VAR, embora o saldo geral seja bastante positivo. Basta assistir a um jogo da Série B, sem VAR, com impedimentos mal marcados, e logo dá para saber que o VAR é mais benéfico. O que não significa que ele não pode ser discutido. Pode e deve, porque há muito o que melhorar, mesmo que ele tenha se tornado fundamental.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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