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Hummels dispara contra Infantino: ‘Causou o próprio fim como presidente da Fifa’

Ex-jogador elogia postura da Uefa e lamenta priorização do dinheiro em relação ao futebol

Planeje um projeto polêmico às escondidas, veja tudo ser divulgado pela imprensa, assuma a proposta mesmo com a controvérsia e seja alvo de repulsa imediata de confederações e críticas por personalidades do futebol. Essa foi, em suma, a receita de Gianni Infantino para alcançar uma crise sem precedentes em sua gestão na Fifa.

Mats Hummels é o mais recente opositor da ideia do presidente da entidade de criar uma subsidiária para negociar direitos comerciais de torneios (que seria a Fifa Forward Enterprises — FFE). O alemão campeão do mundo em 2014 lamentou que a proposta tenha sido cogitada ao abordar o assunto em seu podcast, “Alleine ist schwer”.

— Acho que, com isso, ele causou o próprio fim como presidente da Fifa — afirmou o ex-zagueiro.

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‘Admiro a resistência da Uefa’, diz Hummels sobre crise na Fifa

Hummels considerou louvável a forma como a Uefa tratou o caso. Tão logo o projeto veio à tona, o órgão europeu se posicionou contra e afirmou que equipes e seleções do Velho Continente boicotariam competições da Fifa se a medida saísse do papel.

— Admiro a resistência forte da Uefa. Acho muito bom como eles foram agressivos contra isso — disse ele.

Nesta semana, tanto a organização da Europa quanto a Concacaf (América do Norte e Central e Caribe) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se uniram e publicaram carta conjunta endereçada à “família futebol” para reforçar posição contrária a Infantino.

O comunicado dizia que “a força do futebol sempre foi sua união” e que é preciso ter uma liderança “que sirva o futebol, e não que busque controlá-lo”. O argumento é o mesmo defendido por Hummels.

Mats Hummels foi comentarista para TV alemã na Copa 2026
Mats Hummels foi comentarista para TV alemã na Copa 2026 (Foto: IMAGO/STEINSIEK.CH)

O ex-zagueiro de Borussia Dortmund, Bayern de Munique e Roma lamentou o rumo que o esporte parece seguir ao priorizar dinheiro em detrimento da união e das pessoas. “Querer tirar o maior evento esportivo do mundo das mãos do povo e transformar em algo seu, eu acho um absurdo”, criticou ele.

A Fifa tem feito tudo nos últimos anos para tornar o futebol menos popular.

Hummels relembrou o alto preço dos ingressos para a Copa do Mundo 2026 — alvo de muitas queixas por parte de torcedores — e a pausa obrigatória para hidratação durante os jogos do Mundial que, segundo ele, foram “para fazer propaganda e ganhar mais dinheiro”.

O alemão mostrou preocupação com os danos que podem surgir ao colocar as cifras à frente do esporte.

— Em alguns anos ou décadas, as pessoas não vão mais poder assistir a jogos de futebol porque não terão dinheiro para isso. (É um problema) não conseguir comprar ingressos para ir ao estádio por estar muito caro, como aconteceu na Copa. Fiquei triste ao ver estádios vazios em alguns momentos — declarou.

Sem o apoio de Uefa, Concacaf e AFC, Infantino pode ter dificuldades em se reeleger no pleito de março de 2027. O trio de entidades tem direito a 136 dos 211 votos possíveis no Congresso da Fifa, no qual será escolhido o presidente. A maioria simples dos votos (106) é suficiente para definir um vencedor.

Apoiam a atual gestão publicamente a Conmebol (América do Sul), que tem 10 votos, e a Confederação Africana de Futebol (CAF), responsável por 54. Como o voto de cada associação-membro é secreto e há certas rupturas nos blocos — como o México não acompanhar a Concacaf e declarar que mantém a confiança em Infantino –, não há garantias nem para os simpatizantes, nem para opositores.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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