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Atletas pressionam Fifa para incluir mais mulheres no Comitê Executivo

A Fifa está sendo pressionada a colocar mais mulheres dentro do seu Comitê Executivo, principal órgão de tomada de decisão dentro da entidade. Mais de 75 atletas, incluindo medalhistas olímpicos e jogadores de futebol da Inglaterra, Canadá e Estados Unidos, apoiaram os pedidos para que ao menos 30% das vagas sejam de mulheres. Quem organiza o pedido é uma das três mulheres que participam do Comitê Executivo atualmente, a australiana Moya Dodd.

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A Athlete Ally, organização que reúne diversos atletas, enviou uma carta ao chefe do Comitê de Reforma da Fifa, François Carrard, pedindo que sejam tomadas medidas para garantir que ao menos 30% das vagas do Comitê Executivo sejam ocupadas por mulheres. “Não é só algo que é certo e justo. É também o que é melhor para o esporte que está em uma extrema necessidade de reforma”, diz a carta.

Lydia Nsekera, de Burundi, foi a primeira mulher a integrar o Comitê Executivo da Fifa em 2013. Depois, vieram Dodd e Sonia Bien-Aime, de Turks e Caicos. A carta recomenda que o objetivo de 30% de mulheres seja estendido a todos os cargos no esporte em todos os níveis em um período razoável de tempo.

“Em 111 anos desde que a Fifa foi formada, as mulheres estão vastamente sub-representadas em todos os níveis do esporte mais amado do mundo”, continua a carta. “Embora a Fifa recrimine discriminação de gênero e é signatário recente da declaração de Brighton + Helsinki, apenas três dos 26 membros do Comitê Executivo são mulheres; apenas duas das 209 associações de futebol tem mulheres como presidentes e mulheres representam menos de 1% dos votantes do Congresso da Fifa. Isso não é Fair Play”.

Dodd já tinha enviado sugestões para o Comitê de Reforma da Fifa sobre a “profunda injustiça” da falta de diversidade nas estruturas que efetivamente tomam decisões no principal órgão de futebol. O Comitê de Reforma, por sua vez, já sinalizou com diversas mudanças, que serão propostas no Congresso da Fifa em dezembro, e incluiu a “necessidade de incluir mais mulheres para criar um ambiente e cultura de tomada de decisão mais diverso”. Só que as intenções pararam sem falar em uma meta de incluir as mulheres. A carta da Athlet Ally desta terça questiona que sem colocar um objetivo como os 30% de mulheres, não haverá uma mudança de cultura.

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“Com 30%, as mulheres deixam de ser consideradas um grupo de interesse especial e se tornam ‘normalizadas’, como parte do eixo principal. Não é por acaso que muitos governos têm objetivos de 30% de cargos ou mais destinados a mulheres”, diz a carta. “França, Alemanha, Itália e Holanda estão entre eles. Além disso, ainda é o caso que muitas garotas se tornam mulheres sem ter a chance de experimentar a alegria deste esporte. A falta de recursos reforça a percepção que o futebol é um jogo para homens, confinando as mulheres às margens e criando um ambiente de discriminação”.

“O futebol não pode esperar e as mulheres não devem ser solicitadas a esperar mais. O Comitê de Reforma deve ouvir esse pedido para agir e procurar acelerar a inclusão de gênero recomendando estas propostas para promulgação imediata”, conclui a carta.

Está mais do que na hora das mulheres serem representadas de forma mais apropriada na Fifa, ainda mais porque a entidade é a mesma para os dois gêneros. Portanto, é justo que haja mulheres também nos órgãos que tomam as decisões. Chegará o momento de democratizar todos os cargos da Fifa, incluindo mulheres e tirando o excessivo peso, por exemplo, do Reino Unido no International Football Association Board (IFAB), que decide sobre as mudanças de regras do jogo.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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