México

Gignac brilha mais uma vez e o Tigres vai para sua terceira final continental seguida

Campanha após campanha, o Tigres se reafirma como o melhor time mexicano da atualidade. Por seu impacto continental, se estendendo também pela América do Sul, não seria exagero dizer que os felinos almejam um lugar especial na história. Para isso, precisam vencer. E se colocam próximos da conquista da Concachampions, que escapou no último ano. A equipe de Tuca Ferretti, vice da Libertadores em 2015 e da Concachampions em 2016, assegurou na madrugada desta quinta seu lugar na terceira final continental seguida. Venceu o Vancouver Whitecaps por 2 a 1, de virada, e pegará o Pachuca na decisão – garantindo desde já o 12° título consecutivo de um clube mexicano no principal torneio de clubes da Concacaf.

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O Tigres faz uma campanha bastante consistente na Concachampions. Perdeu apenas um jogo na fase de grupos e eliminou o Pumas nas quartas de final, em confronto difícil. Já nas semifinais, viajou ao Canadá, para pegar o Vancouver Whitecaps. E os felinos não deram margem ao erro, vencendo os dois jogos. Primeiro, fizeram o dever em Nuevo León, com o triunfo por 2 a 0. Já nesta madrugada, confirmaram a classificação em Vancouver. O time da casa abriu o placar logo aos três minutos, graças a Brek Shea, e flertou com a reviravolta. Entretanto, o Tigres buscou o resultado no segundo tempo. Aos 18 minutos, um belíssimo chute de André-Pierre Gignac, no ângulo, já forçava os canadenses a marcarem três gols. Por fim, Damián Álvarez fechou a conta aos 39, ratificando a vaga na final.

Falar sobre os predicados do Tigres virou lugar comum durante os últimos meses. O time ganhou o Apertura do Campeonato Mexicano em 2015 e repetiu a dose em 2016, com a vitória sobre o América nos pênaltis em dezembro. Não faz boa campanha no Clausura, embora não seja tão difícil arrancar e buscar a classificação aos mata-matas. Seu foco, no entanto, deverá ser mesmo na decisão continental. É a chance de deixar para trás o fracasso contra o América na temporada passada e conquistar o maior título de sua história. De quebra, também representar o continente no Mundial de Clubes e tentar superar o retrospecto negativo de seus compatriotas na competição.

Ferramentas para isso não faltam. No comando, Tuca Ferretti continua como um dos treinadores mais referendados do futebol mexicano. O brasileiro perdeu o talento de Rafael Sóbis em seu ataque, mas o elenco permanece fortíssimo. Gignac é a estrela da companhia, ainda que sua fome de gols tenha diminuído desde que voltou da Euro 2016. Independentemente disso, segue decisivo. Além disso, o francês ganhou a companhia de Eduardo Vargas, outra contratação estelar. O atacante, que parece render apenas com as camisas da seleção chilena e da Universidad de Chile, não vem causando tanto impacto assim no Clausura. Mas ajudou bastante na caminhada da Concachampions, autor de dois tentos importantes nas fases anteriores.

E o restante do time combina equilíbrio e competência. No gol, Nahuel Guzmán segura as pontas, com Juninho liderando a linha defensiva. Guido Pizarro é o esteio na cabeça de área. Já o ataque ainda conta com as ameaças constantes oferecidas por Javier Aquino e Ismael Sosa nas pontas. Isso sem falar nas opções do recheado elenco, como Jürgen Damm, Luis Enrique Quiñones, Francisco Meza, entre outros. Base forte que se agiganta diante de sua inflamada torcida no Estádio Universitário, o popular El Volcán.

O sucesso do Tigres, de qualquer maneira, ainda depende de dois jogos. E o Pachuca promete ser um rival indigesto, campeão do Clausura no primeiro semestre de 2016 e mais tarimbado no continente, com quatro títulos da Concachampions entre 2002 e 2010. No último confronto, em fevereiro, os Tuzos venceram por 1 a 0. Caberá a Tuca Ferretti preparar seu time da melhor maneira. Até o primeiro duelo da final, os felinos entram em campo três vezes pelo Campeonato Mexicano, além de fazerem o clássico com o Monterrey bem no intervalo entre os dois jogos decisivos. Pressão que o Tigres precisará superar se quiser fazer história.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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