México

Corona deixa o Cruz Azul como uma lenda do clube, mas com um final amargo

Capitão em títulos marcantes do Cruz Azul e também da seleção, Corona deixou o clube e seguirá jogando pelo Tijuana mesmo aos 42 anos

José de Jesús Corona é um dos maiores goleiros da história do México. O veterano de 42 anos disputou 54 partidas pela seleção, presente em três Copas do Mundo, e capitaneou El Tri na conquista do ouro olímpico em 2012. Já pelo Cruz Azul, o camisa 1 ganhou um status lendário. Em 14 anos pelos Cementeros, Corona superou as 500 partidas disputadas e participou de taças emblemáticas até como capitão. No entanto, a história do arqueiro no clube chega ao fim antes que ele pendure as luvas. Neste final de semana, Corona encerrou seu vínculo com o Cruz Azul e assinou com o Tijuana. De certa maneira, é uma transferência que se assemelha à ida de Fábio ao Fluminense, depois de tantos anos marcantes com o Cruzeiro.

O fim do casamento se deu por desavenças na renovação de contrato de Corona. O goleiro não chegou a um consenso com a diretoria sobre os valores de seu novo vínculo com o Cruz Azul e resolveu sair de cena. Os Cementeros fizeram uma oferta salarial mais baixa para que ele continuasse no elenco, o que o veterano não aceitou. Além disso, o clube também tentou convertê-lo em treinador de goleiros ou então num cargo diretivo, nada que tenha agradado o arqueiro. Assim, ele preferiu se tornar agente livre e já acertou sua mudança ao Tijuana.

O que Corona fez para virar lenda do Cruz Azul

Corona viveu os primeiros anos de sua carreira em Guadalajara. O goleiro surgiu nas categorias de base do Atlas, antes de passar pelo Chivas e também pelo Tecos. Foi por este último que o arqueiro se projetou entre os melhores do país. Participou da Copa das Confederações e da Copa Ouro como reserva em 2005, antes de também esquentar o banco no Mundial de 2006. De qualquer maneira, o auge do camisa 1 passou a acontecer a partir de sua transferência ao Cruz Azul, em 2009. Virou ídolo de um dos clubes mais populares do Campeonato Mexicano e também importante num ciclo de conquistas após anos muito duros.

O primeiro grande título de Corona aconteceu em 2014, com a conquista da Concachampions. Aquele feito encerrou um jejum de 17 anos do clube no torneio continental. Outros momentos simbólicos ocorreram nas competições domésticas. Corona faturou a Copa do México em 2013 e em 2018, com o fim de uma seca de 16 anos no certame. Já em 2021, veio o momento mais aguardado: os Cementeros faturaram o Guardianes 2021, que botou fim a 23 anos sem um troféu sequer no Campeonato Mexicano – mesmo com o modelo de Apertura e Clausura. A longa caminhada no deserto dos azules se encerrava e o camisa 1 tinha o gosto de ser capitão.

Outro divisor de águas na carreira de Corona aconteceu nas Olimpíadas de 2012. O goleiro teve um papel central na conquista do torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos, como capitão da seleção mexicana que bateu o Brasil na finalíssima. A partir de então, e também com os títulos do Cruz Azul, virou figura mais constante nos jogos do México e até assumiu a titularidade durante um tempo. Contudo, acabaria na reserva de Guillermo Ochoa durante as Copas do Mundo de 2014 e 2018. Sua despedida de El Tri aconteceu em novembro de 2018, aos 37 anos. Uma idade que não o impediria de seguir a serviço do clube.

Corona ainda era o titular na última temporada

Independentemente da idade, Corona permaneceu como goleiro titular do Cruz Azul nas últimas temporadas. Teve períodos mais curtos em que se ausentou da equipe, especialmente por causa das lesões, mas só esquentou o banco de reservas em momentos bem pontuais. Não à toa, o veterano tinha sido o dono da posição na disputa do Clausura 2023. O Cruz Azul, contudo, avaliou que não compensava manter o salário do medalhão e por tabela acelerou sua saída. Perde uma bandeira, quando esperava-se um adeus com várias homenagens.

Sebastián Jurado, reserva imediato de Corona nas últimas temporadas, é quem deve assumir a titularidade no Cruz Azul neste primeiro momento. Enquanto isso, Corona chega com moral ao Tijuana. O treinador dos Xolos é Miguel Herrera, seu antigo comandante na seleção do México. O titular atual do clube é Antonio Rodríguez, com a opção de Jonathan Orozco, ambos também com passagens por El Tri.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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