Leste Europeu

Volta ou não volta?

Depois de chegar às semifinais da Euro 2008, a seleção russa viu a valorização de seus principais jogadores, que passaram a ser cobiçados por grandes clubes do continente. Um deles era o centroavante Roman Pavlyuchenko, que acabou se transferindo para o Tottenham, mas não se adaptou e, atualmente, é apenas um reserva discreto que às vezes nem é relacionado para as partidas. Essa condição fez com que seu retorno para a Rússia se tornasse uma possibilidade concreta, e o diálogo com os Spurs já dura pelo menos três meses, sem muito sucesso.

O interesse de Pavlyuchenko se justifica pelo simples fato de que ele precisa jogar para continuar sendo convocado para a seleção. A concorrência por uma vaga no ataque é qualificada, incluindo nomes como Alexander Kerzhakov, Alexander Bukharov, Pavel Pogrebnyak e Dmitry Sychev. É necessário manter o ritmo de jogo para continuar como titular, e, além disso, retornar ao país de origem pode ser psicologicamente importante, como estamos vendo no futebol brasileiro, em que os ídolos retornaram e fizeram as pazes com o bom futebol.

Para os clubes russos também é uma boa. Afinal de contas, não existe uma grande oferta de bons centroavantes no país, e o histórico dele no Spartak Moscou ainda inspira muito respeito. Pavlyuchencko defendeu o clube entre 2003 e 2008, marcando um total de 77 gols em 147 jogos. Em 2006, ele foi o artilheiro da Premier Liga com 18 tentos em 27 partidas, e, no ano seguinte, repetiu o feito, balançando as redes 14 vezes. Somando os gols marcados por Rotor Volgograd, clube que defendeu entre 2000 e 2002, ele soma 83 na Premier Liga e é o nono maior artilheiro da história da competição.

O jejum de títulos que o Spartacus atravessava – e ainda atravessa – freou um pouco a projeção do centroavante em nível continental. Foi necessário, para isso, brilhar com a seleção, e ele usou os dois gols marcados na vitória por 2 a 1 contra a Inglaterra, nas Eliminatórias para a Euro 2008, como cartão de visita para se apresentar ao mundo. Os russos se classificaram para a fase final e fizeram bela campanha, eliminando a Holanda e parando nas semifinais contra a Espanha. Pavlyuchenko fez três gols e foi eleito para a seleção do torneio.

Logo depois, ele desembarcava em Londres, e até fez uma temporada razoável em 2008/09, marcando cinco gols em 28 partidas. Neste ano, porém, o técnico Harry Redknapp preferiu apostar em outros atacantes, como Jermaine Defoe e Peter Crouch. Sem espaço, Pavlyuchenko passou a fazer pressão para ser negociado, mas até agora não teve sucesso.

Três clubes russos já demonstraram o interesse em repatriá-lo: o Spartak Moscou, que sonha em ter o ídolo de volta, mas agora parece não precisar mais de atacantes, o Zenit, que sofreu com a falta de um matador em 2009, mas já contratou Kerzhakov, e o Lokomotiv, que conta com Sychev e Peter Odemwingie, mas pode precisar de um atacante com mais presença de área durante a temporada e, por isso mesmo, é a hipótese mais provável do momento. Antes do fim da janela de transferências de inverno, havia também a possibilidade de um empréstimo a algum clube inglês.

Krasic no Liverpool?

De acordo com matéria do jornal Sovetsky Sport nesta quarta-feira, o extremo sérvio Milos Krasic, do CSKA, teria assinado um pré-contrato com o Liverpool e se apresentaria ao clube inglês após a Copa do Mundo. O valor da transferência giraria em torno dos 15 milhões de euros. Mas, segundo o técnico dos Reds, Rafa Benitez, o negócio ainda não está concretizado.

A transferência soa como um prêmio a Krasic pelo bom futebol mostrado desde que chegou ao Exército Vermelho, em 2004. Mas o fato de jogar em uma liga mais desenvolvida colocará o futebol dele à prova. Krasic terá a oportunidade de mostrar ao mundo se é realmente o craque que ameaça ser a algum tempo, e para isso terá que suplantar uma concorrência mais qualificada.

Edmar ucraniano?

O meio-campista brasileiro Edmar, do Metalist Kharkiv, está providenciando a documentação necessária para adquirir a cidadania ucraniana. Revelado pelo Paulista de Jundiaí e com passagem pelo Internacional, ele está na Ucrânia desde 2002, quando se transferiu para o Tavirya e mudou-se para Khrakiv em 2007. Ele declarou ao site oficial do clube que busca a naturalização por motivos pessoais, e não apenas pela possibilidade de jogar na seleção nacional. “Tenho família por aqui e, depois de sete anos, posso dizer que a Ucrânia se tornou a minha casa”, explica.

Edmar poderá seguir os passos de seu companheiro de equipe Marko Devic, nascido na Sérvia, que estreou na seleção ucraniana em 2008. Outro que pode se naturalizar em breve é o centroavante Jajá, que luta pela artilharia do campeonato e, com Andriy Shevchenko já em fase final de carreira, poderá ser uma boa opção para o técnico Miron Markevich, que dirige o Metalist e assumiu a seleção nacional recentemente.

Markevich já declarou que não tem nada contra as naturalizações e vê com bons olhos a possibilidade de utilizar Edmar e Jajá em caso de emergência. Eles poderão fazer parte do processo de renovação pelo qual a seleção ucraniana necessariamente passará nos próximos anos.

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Equipe Trivela

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