Leste Europeu

Tudo igual no confronto dos novos ricos

Shakhtar Donetsk, 1936, novo rico desde 1996. Zenit São Petersburgo, 1925, novo rico desde 2005. Dois clubes, duas cidades, o mesmo país no passado, origens bem
distintas. Nesta quarta-feira, pela fase de grupos da Liga dos Campeões, Shakhtar e Zenit ficaram no 2 a 2 na Ucrânia. Líderes em seus campeonatos nacionais, os dois
times mostram uma realidade para o mundo que não é a mais correta sobre o universo futebolístico no leste europeu.

O Shakhtar pertence a Rinat Akhmetov, 39º colocado na lista dos mais ricos do mundo e político extremamente influente e poderoso na Ucrânia. Apesar desse lado político, surgido em decorrência do futebol, Akhmetov é acima de tudo um milionário, que lucrou demais com as privatizações do país pós-União Soviética e a partir de determinado dia resolveu investir no futebol. É amado pela população local, porque diferentemente de outros milionários da região, resolveu colocar o seu dinheiro em mão de obra local.

O Zenit vive situação semelhante. A diferença é que o clube não pertence a uma única pessoa, e sim a uma empresa. A Gazprom é a maior vendedora de gás natural da Europa e maior companhia da Rússia. Criada em 1989 e atualmente com um valor de mercado de US$ 117,2 bilhões, a empresa ainda possui 50,1% de suas ações pertencentes ao governo russo, mas ela tem atuação internacional de um conglomerado internacional, cada vez mais se expandindo. No Zenit investe pesadamente e está finalizando seu novo estádio – tão moderno quanto a Arena Donbass, em Donetsk.

Dois clubes que vivem de uma fortuna, hoje, privada. Nos tempos de URSS eram equipe medianas para grandes, que conquistaram títulos, mas nunca estiveram no patamar de Dynamo Kiev, Spartak Moscou, CSKA Moscou ou Dynamo Moscou. Ou seja, o final dos anos 1990 mudaram sua história.

Porém, diferentemente do que muitos imaginam, esse modelo de administração não é comum na Rússia e na Ucrânia. Apesar da enorme quantidade de bilionários, estes não
investem no futebol. É muito mais comum acharmos clubes bancados pelos governos locais ou políticos usando o esporte para aparecer do que por pessoas dispostas a
brincar de Football Manager. Só que nesse caso, a lista se limita, basicamente, a times pequenos.

Alguns exemplos nas duas ligas: a começar pelo Campeonato Russo, com Rubin Kazan, Kuban Krasnodar, Tom Tomsk, Terek Grozny, Spartak Nalchik e mesmo o Anzhi Makhachkala, que tem Suleyman Kerimov por trás, mas com grande apoio da República do Daguestão; no Ucraniano temos Karpaty Lviv, Vorskla Poltava, Chornomorets Odessa, entre outros menores. Pelos times citados, está claro que esse não é o melhor modelo administrativo, ou ao menos, não é o mais vitorioso, com poucas exceções.

Nesses dois países é comum termos regiões com status de independência. Na Rússia muito mais, com as variadas formas de política administrativa, que passam pelos “estados”, onde podemo enquadrar os oblastas e os krais, passando pelas repúblicas autônomas, como o já citado Daguestão e o Tartaristão, do Rubin Kazan. Por isso essa visão política é bem diferente e única.

Há pouco tempo, ressaltei a importância dos clubes russos em fugir dos milionários excêntricos, citando o caso do Zhemchuzhina Sochi, da segunda divisão, que fechou as
portas nesta temporada após seu dono resolver cortar os investimentos. Pois a relação com políticos e estados não é nem um pouco saudável. Nada melhor do que
buscar o seu próprio modelo de administração, amparado na velha e boa políticade auto-sustentabilidade.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo