Torcida organizada do Zenit faz manifesto contra negros e gays
A maior torcida organizada do Zenit divulfou uma manifestação que pede que o clube não contrate mais jogadores negros e gays, depois da confusão gerada pela compra do atacante brasileiro Hulk.
“Nós não somos racistas, mas vemos a ausência de jogadores negros no Zenit como uma importante tradição”, disse um torcedor do Zenit na carta divulgada pela organizada Landscrona, a maior do clube. “Isso permitiria ao Zenit manter a sua identidade nacional do clube, que é o símbolo de São Petesburgo”.
A chegada de Hulk causou ciúmes dentro do elenco. Denisov e Kerzhakov chegaram a ser afastados por reclamaram da contratação do brasileiro, que ganharia um salário muito maior que os jogadores russos, o que os dois jogadores consideravam injusto. O clube nunca contratou um jogador africano para o elenco.
Os torcedores, segundo a manifestação, querem mais jogadores russos ou europeus. “Nós queremos jogadores de outras nações irmãs eslavas, como a Ucrânia e Belarus, assim como os estados do Báltico e da Escandinávia. Nós temos a mesma mentalidade, história e cultura dessas nações”, diz a carta.
A manifestação da torcida ainda faz questão de deixar claro que são contra a presença do que chamam de “minorias sexuais”. Diversos jogadores negros já recusaram propostas do Zenit por ameaças da torcida. O atacante Vagner Love, que defendeu o CSKA Moscou, já declarou que o estádio de São Petesburgo é onde mais se ouve ofensas racistas.
“Se nós não tivermos jogadores suficientes em São Petesburgo, então o que deveríamos fazer?”, disse um torcedor, que discorda da tese da organizada. “Todos os clubes ao redor do mundo têm jogadores negros. Se eles estão ausentes no Zenit, é um problema do Zenit. Eu não acho que os torcedores deveriam dizer quem o clube deve ou não contratar. Os torcedores têm o direito de irem ao estádio ou ficarem em casa”, disse.
A polêmica segue. Atualmente, o elenco do Zenit tem Bruno Alves, Axel Witsel e Hulk que são negros. Os dois últimos foram contratados na última janela de transferÊncia e custaram, juntos, quase € 100 milhões.


