Leste Europeu

Técnico russo pede desculpas por piada racista após cinco africanos ameaçarem greve

O técnico do clube russo Rostov, Igor Gamula, pediu desculpas pela piada racista que fez semana passada, depois que cinco jogadores africanos do seu elenco ameaçaram entrar em greve e não participar dos treinamentos. Na sexta-feira passada, sobre a possibilidade de contratar um zagueiro camaronês, ele afirmou que o clube já tinha “muitos jogadores de pele escura, seis dessas coisas” e ainda emendou que já estava “ficando preocupado com ebola”.

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A declaração não pegou nada bem entre os atletas negros do elenco, de Angola, Mali, Gabão, Costa do Marfim, África do Sul e Haiti. Os africanos desse grupo ameaçaram não treinar na última segunda-feira, e o agente do sul-africano Siyanda Xulu pediu a demissão de Gamula. “As pessoas ao redor do mundo estão enojadas”, afirmou à BBC. “Esperamos que o Rostov tomará as medidas necessárias e, na nossa visão, deveria se livrar desse técnico. Conversei com Siyanda e também com o clube. A intenção é se encontrar com o presidente e resolver essa situação, mas não treinar mais sob o novo técnico”.

Se Gamula perderá o seu emprego ou não, a diretoria do Rostov ainda vai decidir, mas o treinador tentou solucionar a situação do seu jeito. Em entrevista à agência de notícias russa Tass, afirmou que pediu desculpas para o elenco e todos treinaram normalmente. “Nunca dividi os jogadores entre bons e ruins, estrangeiros e russo”, disse, chocado, segundo ele, com a repercussão das suas palavras. “Eu fiquei muito preocupado e não dormi por dois dias. Eu não quis insultar ninguém”.

De qualquer forma, os casos de racismo na Rússia não param. Na última edição da Liga dos Campeões, Yaya Touré foi ofendido dessa forma durante uma partida contra o CSKA Moscou e chegou a falar em boicote de jogadores negros à Copa do Mundo de 2018. A Fifa respondeu daquela forma que conhecemos, condenando os xingamentos, mas sem fazer muita coisa para pará-los. Rostov será sede do Mundial, daqui a menos de quatro anos, e o preconceito na Rússia ainda está longe de ter melhorado.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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