Leste Europeu

Surpresa ucraniana

A Ucrânia surpreendeu toda Europa no último final de semana. O país sediou a oitava edição do campeonato europeu sub-19 de seleções, mesmo assim, sua equipe não estava entre as favoritas, rótulo que cabia principalmente a ingleses, espanhóis e franceses. No entanto, com um futebol fortemente focado na defesa, o time comandado pelo técnico Yuri Kalitvintsev quebrou as casas de apostas e conquistou o inédito título.

A seleção também revelou alguns bons nomes que podem vir a se tornar grandes jogadores, casos do zagueiro e capitão Kyrylo Petrov, do meia Denys Garmash e do atacante Dmytro Korkishko. Todos com 19 anos, formados nas categorias de base do Dynamo Kiev e ainda sem chances entre os profissionais.

Aliás, essa foi outra característica desta equipe. A maioridade dos atletas estão relegados aos times Bs dos grandes do país. Diferentemente do Brasil, por exemplo, onde jovens costumam ser lançados já com 17 anos, na Ucrânia espera-se um pouco mais antes de “profissionalizar” o jogador – claro que isso não é uma regra, e quando surge um grande talento, ele logo é alçado para o time de cima.

A campanha ucraniana foi crescendo com o passar dos jogos. Na estreia, em Donetsk, um decepcionante empate com a fraca equipe da Eslovênia. Depois, um empate em 2 a 2 com os fortes, ingleses, o que elevou a moral dos atletas, torcida e imprensa. Na última partida, contra a Suíca, um bom publico compareceu ao estádio Olympiysky para torcer para a Ucrânia, que precisava derrotar a Suíca para se classificar. Conseguiu.

Na semifinal, contra a Sérvia, uma facilidade até certo ponto surpreendente e a vaga na sonhada final. Pela frente, novamente a Inglaterra, mas o talento de Garmash, que em um lindo voleio, fez 1 a 0 logo aos cinco minutos de jogo, facilitou a vida da equipe. Depois, marcando muito e saindo nos contra-ataques, os ucranianos conseguiram resistir a pressão do adversário. Para melhorar, aos cinco da segunda etapa, Korkyshko, em cobrança de falta, selou o placar.

Essa foi uma constante desta seleção ucraniana. Apertar no começo de jogo, buscar uma vantagem e defender com muita eficiência. Houve, até mesmo, algumas críticas entre os jornalistas que cobriram o evento por essa característica defensiva do time.

Agora os ucranianos precisarão saber trabalhar bem com os talentos que têm em mãos. A seleção principal, após a belíssima campanha no Mundial de 2006, já carece de uma renovação e sofre para conquistar a vaga para a Copa da África do Sul. O time, inclusive, já perdeu o status de mais forte na região, sendo ultrapassada pela Rússia.

Assim, com uma geração promissora, cabe aos ucranianos mesclar a experiência com a juventude, saber lidar com essa transição e torcer para, que ao menos um jogador desse time, alcance o potencial de atletas como Anatoliy Tymoschuk, Andrei Rebrov e Andriy Shevchenko.

Primeira fase (2ª no Grupo B, com 5 pontos)
Ucrânia 0x0 Eslovênia
Ucrânia 2×2 Inglaterra (Petrov 2’e 61’)
Suíça 0x1 Ucrânia (Rybalka 85’)

Semifinal
Sérvia 1×3 Ucrânia (Shakov 1’ e Garmash 38’ e 45’)

Final
Inglaterra 0x2 Ucrânia (Garmash 5’ e Korkishko 50’)

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