Leste Europeu

Sujeira na Rússia

A notícia pegou muita gente de surpresa. Na segunda-feira, 6 de junho, o Lokomotiv Moscou demitiu o técnico Yuri Krasnozhan, que fazia um excelente trabalho no clube. Oficialmente, a diretoria alegou “erros no trabalho” do treinador. No entanto, a verdadeira história passa longe da versão oficial.

Uma semana antes, o Lokomotiv perdeu para o Anzhi Makhachkala, em Moscou, por 2 a 1. Segundo duas fontes na Rússia me confirmaram, essa partida estava “vendida”. A presidenta do clube, Olga Smorodskaya, uma pessoa nova no futebol, descobriu e tentou impedir o acerto, mas não conseguiu. E toda história começa na temporada passada.

Na época, o então técnico do Loko, Yuri Semin (atualmente no Dynamo Kiev), teria acertado com o treinador rival, Gadhzi Gazhiev, a vitória moscovita no confronto com a equipe do Daguestão no segundo turno. Ele vinha brigando pela vaga na Liga Europa, e precisava da vitória de qualquer modo. Pela 26ª rodada, fora de casa, o time moscovita bateu o Anzhi por 1 a 0, gol de Dmitri Sychev aos 44 minutos do segundo tempo.

Com isso, Olga tentou dar dinheiro ao Anzhi para jogar de maneira honesta a partida. Por mais absurda que possa parecer a situação, é isso mesmo: ela tentou pagar para não precisar perder. Porém, o clube presidido por Suleyman Kerimov não precisa de mais dinheiro, pelo contrário, tem sobrando.

A responsabilidade de Krasnozhan – que até hoje não se pronunciou sobre o caso – ainda não está clara. Segundos as duas fontes me contaram, há duas possibilidades: ele facilitou propositalmente a derrota, com alterações e escalação estranhas, ou soube da armação por parte de alguns jogadores e não impediu que acontecesse.

Na partida, Krasnozhan realmente entrou com uma formação um pouco diferente no meio-campo, com Stanislav Ivanov, Alan Gatagov, Senijad Ibricic e Dmitri Torbinskiy. No intervalo, após segurar o 0 a 0 no primeiro tempo, sacou Gatagov e Ibricic e mandou a campo Vladislav Ignatyev e Dmitri Loskov. Aos 33 minutos, já com o déficit de 2 a 0 no placar, tirou Torbinskiy e colocou Taras Burlak, um zagueiro, em campo. O gol dos donos da casa saiu nos acréscimos, com Sychev cobrando pênalti.

Lokomotiv Moscou 1×2 Anzhi Makhachkala, em 27/mai

Para piorar a situação, as autoridades russas não esboçam qualquer investigação. Alegam não haver provas e simplesmente fecham os olhos. A federação russa (RFU) é pior ainda. Há alguns meses diversos jornais tem denunciado a cobrança de taxas pelos dirigentes em todas as transações de jogadores – assim como noticiaram essas manipulações de resultados. O Sport-Express, por exemplo, é um desses veículos que tem batido na RFU. E nada acontece.

O Anzhi está envolvido em outro escândalo também. Segundo minhas fontes, o jogo contra o Volga Nizhny Novgorod, pela oitava rodada do Campeonato Russo, também foi manipulado. Os dirigentes de Makhachkala teriam comprado a partida, que terminou com vitória do novo rico do país por 2 a 1, de virada.

Volga Nizhny Novgorod 1×2 Anzhi Makhachkala, em 7/mai

Por trás de tudo isso, diversas organizações criminosas que aliciam jogadores e dirigentes (quando estes já não fazem parte da estrutura do crime) e apostam milhões de dólares e rublos nessas partidas. Apostas que vão desde o placar final até o tempo de cada gol.

A questão da corrupção no futebol é um problema mundial. Na semana passada mesmo, por exemplo, o goleiro Rubinho, que defendeu o Torino na última temporada, falou em entrevista concedida a mim sobre esse problema na segunda divisão italiana. E a cada dia surgem mais notícias sobre isso na Coreia do Sul, Leste Europeu…

No entanto, na maior parte do planeta a manipulação de resultados é combatida. Na Rússia, ela é ignorada por quem deveria combatê-la.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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