Eliminatórias da EurocopaLeste Europeu

Snipers ao redor do estádio, mas nada de confusão: como foi o tenso Albânia x Sérvia

O duelo entre Albânia e Sérvia, nesta quinta-feira, pelas Eliminatórias da Eurocopa 2016, foi cercado de expectativas. Dentro e fora de campo. Se vencessem os rivais, os albaneses conseguiriam pela primeira vez uma vaga na Euro, episódio  que seria ainda mais marcante pelo adversário em si. Fora dos limites das quatro linhas, a preocupação era grande com uma possível repetição da tensão do duelo do ano passado, na Sérvia, que acabou suspenso depois de confusão generalizada e sobrevoo de um drone com a bandeira da “Grande Albânia” – provocação histórica ao ranço com os sérvios por territórios nos Bálcãs. A inquietação prévia acabou gerando uma atmosfera peculiar em Elbasan.

VEJA TAMBÉM: Três mil albaneses recebem com festa e orgulho a seleção após briga generalizada na Sérvia

Os albaneses adotaram uma série de medidas para prevenir qualquer tipo de confusão. Os ingressos foram comercializados majoritariamente a torcedores comuns, que não pertencessem a nenhum grupo de ultras. Como demonstração de amistosidade, o presidente da Albânia, Edi Rama, convidou 100 estudantes sérvios para o jogo, evitando a repetição da torcida única, que acontecera na partida do primeiro turno, em outubro do ano passado – o que, no fim das contas, não adiantou muito.

Em campo, antes do apito inicial, os jogadores das duas seleções se juntaram para posar para a foto oficial do jogo, e a ação foi recebida de maneira positiva pelos torcedores nas arquibancadas da Elbasan Arena. O clima era menos hostil do que se esperaria, e a estratégia para garantir a segurança funcionava. “A Uefa nos pediu para fazer isso, e concordamos, porque somos amigos. Queremos vencer, mas fora de campo somos esportistas, então este tipo de atitude é normal para nós”, declarou o meio-campista Nemanja Matic, da Sérvia.

Segundo relato do Guardian, o episódio mais controverso protagonizado pelos torcedores albaneses foram os gritos de apoio a Ismail Morina, responsável pelo drone que sobrevoou o estádio em Belgrado, com a bandeira albanesa sobreposta a um mapa que compreende também um território disputado pela Sérvia. Isso sem contar as vaias durante o hino nacional sérvio. Nos arredores do estádio em Elbasan, réplicas da bandeira eram comercializadas, enquanto Morina não pôde se aproximar do palco do reencontro, pois havia sido coincidentemente detido dois dias antes por porte ilegal de arma.

VEJA TAMBÉM: A Albânia está prestes a viver, na Champions, o seu maior momento no futebol

Toda essa paz, no entanto, pode ser parcialmente explicada pela presença ameaçadora de snipers estrategicamente posicionados – e visíveis – em cima de prédios vizinhos para inibir qualquer ação dos torcedores e agir caso necessário. O que não inibiu a festa da torcida albanesa, em um momento que valia também para exibir o patriotismo ante o país vizinho. Alguns sinalizadores iluminaram as arquibancadas, dando brilho aos cânticos e as coreografias. No entanto, o futebol da seleção albanesa pouco empolgou. A equipe da casa acabou derrotada por 2 a 0, vitória construída pela Sérvia nos acréscimos do segundo tempo, com gols de Kolarov e Ljajic. Adiou o sonho de classificação dos albaneses.

Agora, para garantirem um lugar na fase de grupos da competição sem ter de passar pela repescagem, os albaneses precisam vencer seu último duelo, contra a Armênia, neste domingo. Caso aconteça, isso ainda será um feito e tanto. Mas não deixa de ser uma frustração para os donos da casa a derrota em um jogo que poderia ter se transformado em um episódio para se guardar para sempre na história do futebol albanês. O sucesso em controlar uma confusão generalizada, no entanto, já pode ser visto como uma vitória.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo