Situação complicada

Não há muita dúvida sobre quais são os times grandes da Rússia. Todos da capital (Spartak, CSKA, Lokomotiv, Dynamo) e o Zenit São Petersburgo. Com o bicampeonato russo, o Rubin Kazan quer entrar nesse grupo oficialmente, mas é apenas convidado hoje em dia. Existe também a classe média, e dentre os integrantes, os mais fortes medianos. Tudo isso para dizer que o Krylya Sovetov sempre foi uma equipe respeitável.
Só que a temporada 2010 (caiu antes das oitavas na Copa) não tem sido das melhores para os Sovietes – Krylya Sovetov significa “asas do Governo”. Após 19 rodadas, a equipe é a vice-lanterna, com 13 pontos, apenas um à frente do Sibir e a cinco do 14ª colocado. E o time do técnico Aleksandr Tarkhanov não tem demonstrado sinais de recuperação.
Desde que a Premier Liga foi criada, o melhor resultado do time foi um terceiro lugar em 2004. Além disso, foi quinto em duas oportunidades (2001 e 2002) e sexto há dois anos. Fora isso, posições, normalmente, beirando o décimo posto. Já nos tempos de União Soviética, onde a disputa da primeira divisão era muito mais acirrada, o Krylya era apenas um frequentador das divisões menores.
Mas independente da posição em que o clube terminava a temporada, os confrontos em seu estádio, o Metallurg, em Samara – cidade com 1,2 milhão de habitantes, localizado no sudeste da Rússia europeia, na região do rio Volga –, sempre eram temidos. Com capacidade para pouco mais de 30 mil pessoas, não costuma lotar, mas quem vai torcer pelo Krylya faz a diferença.
Mesmo com tudo isso, o time azul e branco não consegue reagir. E um dos motivos é o péssimo aproveitamento jogando em casa. Até agora foram dez jogos, com apenas duas vitórias, três empates e inacreditáveis cinco derrotas.
Para esta temporada Jan Koller foi embora, e com ele a referência ofensiva. Essa foi uma perda significativa, mas não foi a mais sentida dos últimos anos. O atual técnico do CSKA Moscou, Leonid Slutsky, treinou o time entre 2007 e 2009, montou uma boa base, mas sua presença, sempre enérgica, era fundamental.
O elenco atual não é ruim, mas está longe de ser brilhante. Tem alguns bons jogadores, como o atacante russo Yevgeny Savin, o goleiro chileno Eduardo Lobos e o zagueiro, também sérvio, Nenad Dordevic. Mas todos, sob o comando de Tarkhanov – um treinador que teve boa passagem no clube entre 1999 e 2003 – não conseguem render.
Com 11 rodadas ainda por jogar, o Krylya Sovetov tem tempo para se recuperar e confrontos diretos para derrubar os adversários. Nas próximas seis rodadas, por exemplo, não pega nenhum grande russo. Joga com Spartak Nalchik (casa), Amkar (fora), Anzhi (casa), Alania (fora), Sibir (casa) e Rostov (fora). Se conseguir uma boa sequência, ganha fôlego para chegar nas rodadas finais ainda com chances de escapar ou, quem sabe, até mesmo já salvo.
Força para isso o clube tem, mas precisará buscar em um passado não tão distante os ingredientes para tornar esse time, pelo menos um pouco, mais vitorioso.


