Leste Europeu

Segunda maior companhia da Rússia, a Lukoil se torna proprietária do Spartak após duas décadas de patrocínio

Leonid Fedun, antigo vice-presidente da Lukoil, era o proprietário do clube e saiu de cena diante da crise atual

O Spartak Moscou anunciou nesta segunda-feira a chegada de novos donos. Os alvirrubros agora passam a ser propriedade da Lukoil, estatal petrolífera que é a segunda maior companhia da Rússia, atrás apenas da Gazprom. Ao longo dos últimos 19 anos, a equipe recebia patrocínio da empresa e era administrada por Leonid Fedun, vice-presidente da própria Lukoil até o último mês de junho e dono de 9,2% das ações. Entretanto, com as limitações financeiras do clube desencadeadas pela guerra na Ucrânia, a mudança na gestão acontece e garante mais recursos à agremiação – quem sabe, para competir de maneira mais sistemática com o Zenit pelo título do Campeonato Russo.

O Spartak Moscou tinha um modelo de gestão particular nos tempos da União Soviética. Enquanto a maior parte dos clubes era administrada por organismos públicos ligados a setores do governo, como o exército e a companhia ferroviária, os alvirrubros eram geridos por uma entidade popular dos trabalhadores moscovitas. Isso auxiliou a criar uma grande identificação com a população e o Spartak se estabeleceu como o clube de maior torcida do país – inclusive aglutinando opositores do poder vigente. Apesar do fim da URSS, os Gladiadores continuaram como um time vitorioso e dominaram o Campeonato Russo na década de 1990. Até que os problemas financeiros e as trocas de donos se tornassem mais comuns após a virada do século.

Leonid Fedun assumiu o comando do Spartak em 2003. Apesar de ser um dos homens mais ricos da Rússia, isso não se reverteu em sucesso imediato para os alvirrubros. O clube conquistou o Campeonato Russo apenas uma vez sob suas ordens, em 2016/17, e a única Copa da Rússia veio em 2021/22. Os Gladiadores mantinham a sua popularidade, mas não necessariamente com uma parte esportiva bem gerida. E as perdas financeiras causadas pela guerra na Ucrânia (incluindo o fim do contrato com a Nike) influenciaram Fedun, que vendeu sua propriedade para a Lukoil. O dirigente sai de cena após deixar também o posto de vice-presidente da companhia em junho, alegando motivos familiares.

De certa maneira, a mudança no Spartak Moscou não é tão drástica. A Lukoil patrocinava os alvirrubros desde 2000. Enquanto isso, Fedun abandona o seu cargo, mas segue como acionista da companhia. E os recursos dos Gladiadores tendem a ser mais amplos. De certa maneira, o projeto pode se assemelhar àquilo que a Gazprom realiza no Zenit. E tal apoio financeiro fez toda a diferença na atual crise, com os celestes capazes de segurarem jogadores importantes, oferecendo salários maiores a destaques como Claudinho, Malcom e Wendel – que tendiam a sair do país por conta do conflito.

“Num futuro próximo, a Lukoil pretende implementar uma série de iniciativas estratégicas com o objetivo de aprimorar o sistema de gestão do clube e agilizar o processo de tomada de decisão com o envolvimento de profissionais da indústria esportiva com um histórico comprovado. A companhia acredita que essas iniciativas, juntamente com o apoio constante da Lukoil e de outros parceiros do clube, irão reforçar a posição competitiva do Spartak e liderar a novas vitórias”, afirma o comunicado.

O Spartak Moscou começa a nova edição do Campeonato Russo como principal perseguidor do Zenit. Após seis rodadas, os alvirrubros ocupam a vice-liderança, com os mesmos 13 pontos do CSKA Moscou. O clube de São Petersburgo lidera com 14 pontos. Outro mérito dos Gladiadores foi conseguir manter parte dos estrangeiros do elenco em meio às vendas massivas causadas pela guerra. Com o reforço financeiro da Lukoil, talvez entrem de maneira mais forte no mercado interno durante os próximos tempos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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