Leste Europeu

Rússia classificada. E agora?

Eu estava pessimista, admito. Muito pessimista. Apesar de o histórico recente da Rússia jogando fora de casa ser muito bom, a equipe não convence há muito tempo. Na verdade, desde que Dick Advocaat assumiu no lugar de Guus Hiddink. Desde então, os russos sofreram derrotas absurdas, não mostraram padrão de jogo e estão longe de encantar como a seleção da Euro de 2008 conseguiu.

O jogo contra a Eslováquia, na sexta, em Zilina definiria a vaga russa na Ucrânia e na Polônia pelo Grupo B. Caso vencesse o rival, que a bateu na primeira rodada em Moscou por 1 a 0, a Rússia estaria na Eurocopa de 2012. Afinal, no jogo derradeiro, apenas cumpriria o protocolo contra a frágil Andorra. E no final das contas, o roteiro foi cumprido com perfeição pelos russos.

Contra os eslovacos, Malafeev, Anyukov, Ignashevich, Vasili Berezutskiy e Zhirkov (Alexey Berezutskiy); Zyryanov, Shirokov, Dzagoev (Samedov), Denisov e Arshavin; Pavlyuchenko  (Pogrebnyak) garantiram o triunfo por 1 a 0. Um golaço de Alan Dzagoev aos 25 minutos do segundo tempo assegurou a vitória.

Depois, contra Andorra, um passeio de 6 a 0 no Luzhniki fez a festa da torcida. Jogo onde, mais uma vez, o grande destaque foi o jovem meia do CSKA Moscou.

A recuperação do bom futebol pelos russos tem muito a ver com a própria recuperação de Alan Dzagoev. Quando surgiu, em 2008, aos 18 anos pelo CSKA, o meia rapidamente se tornou a grande esperança futebolística da nação. Rápido, com boa visão de jogo e habilidade. Dzagoev completaria com perfeição o forte ataque russo, que já contava com Arshavin, Kerzhakov, Pavlyuchenko, Semshov, POgrebnyak…

Só que o jovem sentiu o peso da responsabilidade. Fez uma última temporada muito fraca e acabou no banco de Keisuke Honda e Zoran Tosic no CSKA. Em 2011 começou na reserva, mas aproveitou as lesões dos titulares para voltar ao time e não sair mais. Voltou a jogar bem, com objetividade e velocidade. Deixou de ser aquele jogador modorrento dos últimos meses, que se limitava a dar toques de lado.

Dick Advocaat percebeu isso e o recolocou no 11 da Rússia. Aos 21 anos, Dzagoev foi o principal responsável pela arrancada russa na fase final das eliminatórias da Eurocopa. E o treinador precisa seguir abrindo sua mente. A principal crítica em relação ao trabalho do treinador holandês sempre foi a falta de mudanças nos momentos de baixa. A equipe não rendia e ele insistia com os mesmos jogadores, sempre.

Agora, além de Dzagoev, colocou também Denis Glushakov como um dos volantes, o que melhorou consideravelmente a saída de bola da equipe. Adiantou Igor Denisov, o que manteve o meio bem coeso, sem perder a força ofensiva pelos lados do campo – onde Arshavin ganhou total liberdade.

A seleção russa, como já foi dito aqui diversas vezes, é muito boa. Conta com uma geração talentosíssima e que ainda tem lenha para queimar. Se conseguir fazer a mescla com os mais jovens, como Dzagoev e Glushkov, tem tudo para fazer uma boa Euro e chegar muito forte para as eliminatórias da Copa no Brasil.

Advocaat não sabe se estará lá. Nesta quarta deu uma entrevista ao Sport-Express onde não confirmou sua permanência até o final do seu contrato, válido até 2014. Isso dependerá, logicamente, da campanha em solo ucraniano e polonês. Pouca gente acha que esse time seja capaz de repetir as semifinais de 2008, o que, por outro lado, garante aos jogadores uma pressão a menos. Fato que, se for bem conduzido por Advocaat, pode render em uma grata surpresa.

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Equipe Trivela

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