Leste Europeu

Rubin Kazan, do sonho à realidade

Foi como um sonho. Na primeira divisão russa somente desde 2003, o Rubin Kazan conquistou o inédito título nacional neste final de semana, ao bater o Saturn por 2 a 1 e abrir dez pontos de vantagem sobre o CSKA Moscou, faltando três rodadas para o fim da competição. A conquista teve um sabor ainda mais especial, porque ocorreu no aniversário de 50 anos do clube tártaro.

A campanha do Rubin foi impecável. Tudo começou com uma sequência de sete vitórias nos sete primeiros jogos da Premier Liga. A liderança foi mantida por todas as 27 rodadas, com vitórias expressivas sobre os grandes do país. Momentos chave que fizeram do Rubin de mero postulante à uma vaga em competições européias para o surpreendente campeão da temporada 2008 na Rússia.

Sem dúvida ou medo de errar, o maior responsável pelo título chama-se Kurban Berdyev, de 56 anos, técnico da equipe desde 2001. Ex-treinador da seleção do Turcomenistão, sua pátria, e outras equipes menores da Rússia, Cazaquistão e Turquia, Berdyev fez seu nome e carreira em Kazan, onde ganhou o respeito da diretoria e torcida.

A diretoria, por sinal, também fez um ótimo trabalho para esta temporada. O clube vinha em uma constante ascensão na classificação. Em 2007, no entanto, as coisas não saíram como previsto e a décima colocação teve um sabor amargo. Mesmo assim o trabalho foi mantido e boas contratações foram feitas.

O Rubin soube misturar a juventude de jogadores do elenco, casos do meia equatoriano Noboa (23 anos), do meia russo Aleksadr Ryazantsev (22) e do zagueiro argentino Ansaldi (22), com a experiência de renomados atletas: o goleiro Sergey Ryzhikov (28), chamado pela primeira vez neste ano para a seleção russa, o meia russo Sergey Semak (32), que rapidamente se tornou o líder do time, e no setor ofensivo o ucraniano Sergey Rebrov (34), o sérvio Savo Milosevic (35) e o turco Gokdeniz Karadeniz (28).

Isso sem falar na chegada, no meio da competição, do artilheiro da última Premier Liga, o atacante da Rússia Roman Adamov – o time também tem um brasileiro, o zagueiro Jefthon, de 26 anos, ex-Paraná, mas reserva

No final das contas, o Rubin conseguiu montar um elenco equilibrado e muito forte, que com o passar dos jogos foi ganhando confiança e se motrou quase imbatível. Principalmente nos momentos de decisão – apesar de uma má fase, até certo ponto natural, no segundo turno, algo que os rivais não souberam aproveitar para tirar o time da liderança.

A conquista – que por sinal foi de maneira dramática: o Rubin abriu 1 a 0 com Adamov aos 30 do segundo tempo. Nemov empatou e Milosevic, aos 44, marcou o gol do título – coloca o Rubin na fase de grupos da Liga dos Campeões na temporada 2009/10. Algo quase surrealista para esse clube tártaro, que valoriza suas origens e há pouco tempo ainda frequentava as divisões menores do país.

Logo após o histórico jogo, Berdyev concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Sport-Express. “Percebi que o Rubin podia vencer a Premier Liga provavelmente depois da vitória sobre o Dynamo Moscou, em 25 de abril a sétima seguida. Nossa vitória mostra que nada é impossível. Você pode ter sucesso fora de Moscou também. Na Rússia há diversas regiões onde se podem construir times campeões. São elas: Moscou, Samara e um número grande de regiões poderosas economicamente, então podemos esperar mudanças no futebol russo”, afirmou o treinador.

Ele também reservou alguns agradecimento. “Sergey Semak é um grande líder e capitão. Ele e nosso diretor esportivo Rustem Saymanov me ajudaram muito na criação dessa atmosfera na equipe de que somos o número um. Vocês sabem que já não sou mais um técnico de escola, não sou jovem, e a juventude mudou muito. Sergey e Rustem trabalharam bem e não tivemos problemas de comunicação no elenco”, completa.

A coincidência é que, em tempos de mudança até mesmo nos Estados Unidos, com a eleição de Barack Obama, Berdyev ressaltou algo que o novo presidente dos EUA também faz questão de enaltecer: tudo é possível.

Decadência de um gigante

Se a Premier Liga deste ano mostra a festa de um inédito campeão, a segunda divisão amarga a decadência de um velho campeão. Com a derrota em casa para o NoSta, por 3 a 1, pela penúltima rodada da competição, o Torpedo Moscou foi rebaixado para o terceiro escalão do futebol russo. Com 49 pontos, não tem mais chances de deixar o grupo dos sete rebaixados, com uma rodada ainda por jogar.

Fundado em 1930, o Torpedo sempre foi uma das forças do futebol soviético. Os alvinegros foram o clube de Eduard Streltsov, conhecido como o “Pelé russo”. Time do proletariado, três vezes campeão da União Soviética, seis títulos da Copa da URSS, uma Copa da Rússia e aparições nas quartas-de-final da Liga dos Campeões e Copa Uefa.

Toda essa história e tradição, agora, serão limitadas ao torneio da terceira divisão, disputado de forma regional na Rússia.

Desde o fim do império soviético, o Torpedo vinha sofrendo com a falta de investimentos e apoio – majoritariamente do Governo no passado. Após a aquisição do clube pela empresa Luzhniki, os dias de glória foram se tornando apenas lembranças de um passado tardio. Agora, terá que lutar para recomeçar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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