Leste Europeu

Rostov perdeu o título, mas vaga na Champions já é prêmio para uma campanha improvável

A esta altura da última temporada, o Rostov preparava-se para enfrentar o Tosno para se manter na primeira divisão, nos playoffs do rebaixamento do Campeonato Russo, depois de ter ficado apenas na 14ª posição. Um ano depois, chegou à última rodada com chances de desbancar o CSKA Moscou e conquistar o primeiro título nacional da sua história. Não conseguiu. Mas se classificou à próxima Champions League, um prêmio excelente para uma campanha improvável.

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A trajetória do Rostov motivou comparações com o feito do Leicester. O clube, afinal, nunca havia terminado acima da sétima posição na elite do Campeonato Russo e foi de quase rebaixado a candidato ao título, assim como os comandados por Ranieri. Era cotado para cair à segunda divisão pela maioria dos especialistas.

Embora as realidades de Rússia e Inglaterra – uma liga muito mais engessada – sejam diferentes, o Rostov passou por mais dificuldades que os ingleses, que tem um mecenas tailandês pagando as costas. Em março, um dos seus credores entrou na Justiça para obrigar o clube a declarar falência. Meses antes, a federação russa já o havia multado por não pagar suas dívidas.

A situação financeira precária fez com que jogadores importantes fossem negociados na janela de transferências, e ao contrário dos craques que viemos a descobrir no Leicester, o Rostov não conta com nenhum grande destaque individual. Vale-se mais pela coletividade, organização e determinação, bom na defesa – time menos vazado, com 20 gols sofridos – e competente no contra-ataque. O artilheiro do time é o iraniano Sardar Azmoun, com apenas nove tentos na temporada.

Precisou superar também uma denúncia de que estaria usando a droga meldonium, a mesma que levou vários atletas russos, inclusive a tenista Maria Sharapova, a serem suspensos. A Fifa ordenou um exame de doping surpresa depois da vitória por 3 a 1 sobre o Dínamo Moscou, em 12 de maio, mas os 11 jogadores testaram negativo. “Não temos dinheiro nem para remédios simples”, afirmou o assistente-técnico Vitaly Kafanov, ao Sport Express.

Kafanov ajuda o técnico Kurban Berdyev a realizar mais um bom trabalho, depois de 12 anos à frente do Rubin Kazan, com o qual foi bicampeão russo, em 2008 e 2009. Berdyev gosta de ter total controle no clube em que trabalha, o que afasta o interesse de clubes como Zenit e Spartak Moscou. No Rostov, encontrou a liberdade que procurava. Contratado em dezembro de 2014, não conseguiu reverter a péssima temporada, do time, mas com algumas contratações de jogadores de confiança, como o zagueiro espanhol César Navas, que conhecia dos tempos de Kazan, a seguinte rendeu muito mais frutos.

O Rostov começou o Campeonato Russo com cinco partidas de invencibilidade e provou que não era apenas fogo de palha. Perdeu apenas cinco vezes no torneio e colecionou ótimas vitórias, como 2 a 0 sobre o CSKA Moscou, o campeão, e 3 a 0 no Zenit. A reta final foi quase impecável, com seis triunfos em sete rodadas, mas a derrota para o Mordovia Saransk acabou cobrando o seu preço.

O Rostov chegou a última rodada precisando vencer o Terek Groznyi, fora de casa, o que acabou não se mostrando um problema. Fez 2 a 0. No entanto, o CSKA Moscou precisava pelo menos empatar com o Rubin Kazan, também longe dos seus domínios, para que o improvável título viesse – o Rostov levaria vantagem no confronto direto se tivesse a mesma pontuação do líder. O CSKA, porém, venceu por 1 a 0, e Akinfeev ainda fez duas defesas maravilhosas em sequência, a cinco minutos do final, impedindo que o conto de fadas se concretizasse.

No entanto, a vaga na fase preliminar da Champions League está longe de ser desprezível para o pequeno Rostov, cuja maior glória havia sido o título da Copa da Rússia, em 2014. Uma eventual passagem à fase de grupos pode ser crucial para sanar as finanças do time, e uma campanha aceitável na Europa serviria para inspirar voos mais altos para o clube.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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