Leste Europeu

Reforçar é preciso

Esta coluna tem ressaltado, nas últimas semanas, o quão dura será essa temporada do futebol russo. Como marca a transição para o calendário outono-primavera, teremos os dois turnos tradicionais e mais dois adicionais, onde os oito primeiros colocados disputarão o título em mais duas etapas, enquantos os oito demais lutarão contra o rebaixamento. Ou seja, a brincadeira se resumirá a 44 rodadas, que começaram no início de março e só terminarão em maio do ano que vem – com a parada para o inverno.

Assim, todos os elencos serão postos à prova. Os pequenos, naturalmente, sentirão mais, mas ao menos será um problema para todos na parte de baixo da tabela. Já na briga pela taça, esse é um fator que será fundamental ao longo de todo torneio. E, atualmente, todos os favoritos deste colunista, pela ordem, Zenit São Petersburgo, CSKA Moscou, Rubin Kazan e Spartak Moscou, têm problemas sérios.

No Zenit a falta de peças está no ataque, onde o técnico Luciano Spalletti conta, somente, com Aleksandr Kerzhakov e Aleksandr Bukharov. Como o time joga no 4-2-3-1, é difícil imaginar que Danko Lazovic possa atuar como referência na frente, até porque ele vem compondo a linha de três ofensiva, junto com Danny e Ionov.

O meio-campo do time é bom e com reposição adequada. Tanto que Vladimir Bystrov e Sergey Semak estão machucados e a ausência deles tem sido pouco sentida, até pela boa cobertura com Szabolcs Huszti e Viktor Faizulin, reservas normalmente. A proteção à defesa, talvez, ainda necessite de mais opções aos titulares Roman Shirokov e Konstantin Zyryanov, mas o próprio Semak pode atuar por ali também, além de alguns jogadores vindos da base.

A defesa, ao menos, está bem composta. Aleksandr Anyukov, Bruno Alves, Fernando Meira, Nicolas Lombaerts, Tomás Hubocan e Aleksandar Lukovic garantem tranquilidade a Spalletti na hora de escalar.

O CSKA Moscou, por sua vez, também tem problemas para compor o ataque. Leonid Slutsky, há poucas semanas, resolveu alterar o esquema de jogo do time, deixando o 4-2-3-1 de lado e adotando o 4-4-2. Basicamente para encaixar no time titular o grandalhão Tomás Necid na frente ao lado de Vagner Love. Como o tcheco fez uma boa Liga Europa, com seis gols, o treinador resolveu dar uma chance definitiva ao atacante. Só que, além dos dois, a outra opção para o setor resume-se apenas ao marfinense Seydou Doumbia. Ou seja, caso um se machuque ou fique suspenso, Slutsky nunca conseguirá trocar uma peça no ataque sem alterar o sistema.

Essa alteração promovida por ele, inclusive, vai lhe causa alguma dor de cabeça para encaixar a sua, por outro lado, vasta lista de meias-atacantes. Keisuke Honda é titular incontestável. Alan Dzagoev é a aposta de todo país. Zoran Tosic tem sido o melhor jogador do time em 2011. Mark González está de volta após longo tempo lesionado. Aleksandrs Cauna veio da Letônia cercado de muita expectativa. E mesmo na parte defensiva do meio o técnico também não tem problemas, já que conta com Deividas Semberas, Pavel Mamaev, Evgeni Aldonin e Elvir Rahimic.

Se no ataque Slutsky não conseguirá variar muito, no meio todas essas opções lhe garantem boas alternartivas. Contra o Porto, por exemplo, no jogo da volta das oitavas de final da Liga Europa, Honda começou jogando como volante.

Para fechar o tópico CSKA, a defesa da equipe é um dos pontos mais “tradicionais” do clube. Afinal, Igor Akinfeev, os irmãos Berezutski e Sergei Ignashevich atuam juntos há muito tempo, e ganharam a companhia de dois bons jovens laterais, Kirill Nababkin e Georgi Schennikov, fora outros reservas.

Já o Rubin Kazan, dentre os favoritos, é o time que menos sente falta de um elenco tão enriquecido. A principal marca da equipe nos últimos anos, quando conquistou os títulos em 2008 e 2009, é o entrosamento e a ausência de uma grande estrela. Tudo isso sob o rigoroso comando do técnico Kurban Berdyev.

A atual lista traz poucos nomes que realmente causariam impacto em qualquer time do mundo, mas é regular e equilibrado em todos os setores, com o nível técnico entre titulares e reservas sendo muito pequeno. Jogadores como Oleg Kuzmin, Cristian Ansaldi, Aleksandr Ryazantsev, Alan Kasaev, Christian Noboa, Gökdeniz Karadeniz, Bibras Natkho e Aleksei Medvedev não têm um cartaz tão expressivo, mas são extremamente eficientes e importantes.

E mesmo os reforços da temporada não diferem dessa linha. Os atacantes Igor Lebedenko e Vladimir Dyadyun (este voltando de empréstimo, após uma temporada 2010 sensacional no Spartak Nalchik) se encaixam perfeitamente na mentalidade do clube. O único atleta que, teoricamente, saiu dessa linha de raciocínio foi o meia brasileiro Carlos Eduardo, contratado no ano passado. E que ainda não rendeu o esperado no clube, após o investimento milionário feito por ele.

Por fim, o Spartak Moscou. O maior problema da equipe, na verdade, não é nem a falta de opções ao técnico Valery Karpin, mas sim o tipo dessas opções. O treinador conta com 11 estrangeiros no elenco que não possuem passaporte russo ou são comunitários. Só que no Campeonato Russo são permitidos apenas seis em campo… isso tem feito com que Karpin use, basicamente, dois times: um para a Premier Liga e outro para as competições europeias, onde não há restrições.

A ideia do técnico, porém, é montar um time titular apenas, só que as peças russas não lhe ajudam muito. A dupla de zaga ideal, por exemplo, é argentina, com Marcos Rojo e Nicolás Pareja (o reserva é outro estrangeiro, o tcheco Marek Suchy). No meio, Rafael Carioca, Ibson e Alex são titulares incontestáveis, e na frente Welliton é o atual “bicampeão” da artilharia do Russão. Até aí tudo bem, já que os seis conseguem atuar juntos, só que, em qualquer mudança, Karpin acaba com as alterações limitadas, podendo trocar apenas russos por russos e estrangeiros por estrangeiros.

E, na prática, Aiden McGeady, meia irlandês, também é titular na Liga Europa, algo impossível no torneio nacional, com essa escalação… E vale lembrar que o Spartak ainda está na LE, ou seja, terá que conciliar as datas da competição ainda, fora a Copa da Rússia, também nas quartas de final, onde Zenit e CSKA seguem na disputa.

Mas, no final de toda essa história sobre a fraqueza de alguns elencos, é preciso ressaltar que a janela de transferências na Rússia está fechada. Ou seja, os treinadores terão que reforçar suas equipes com muita criatividade e inteligência.

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Equipe Trivela

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