Que venha a próxima

“Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso, que quem erguesse os olhos para ele se veria forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?”.
Nada como começar a última coluna do ano com o trecho inicial da obra Noites Brancas, de Dostoievski. Afinal, foi uma bela temporada para o futebol russo, com a seleção em alta, seus jogadores valorizados no mercado internacional e o campeonato nacional disputado em alto nível.
Há duas semanas trouxemos o resumo da temporada e na última coluna fizemos uma homenagem a Valery Gazzaev, que deixa o CSKA Moscou após quase cinco anos. Assim, com o rigoroso inverno russo, diversas vezes retratado nas obras de Dostoievski, como em Memórias da Casa dos Mortos, o futebol dá um tempo. E, assim, começam as especulações sobre transferências.
Tradicionalmente, as equipes de Moscou, junto com o Zenit St. Petrersburg, agitam o mercado de transferências nesse período. Mas a crise mundial abalou, também, os russos, assim as mega transferências estão descartadas em um primeiro momento.
Entre as contratações feitas até agora, a de maior destaque foi feita pelo Spartak Moscou, que tirou o volante Rafael Carioca do Grêmio por € 8 milhões. Uma das maiores revelações do último Campeonato Brasileiro, o jogador vai se encaixar perfeitamente no esquema do técnico Michael Laudrup, que procurava um jogador com poder de marcação, mas que sabe sair jogando.
De resto, poucas mudanças significativas. Por enquanto, os clubes russos estão buscando jogadores no mercado nacional mesmo. O Lokomotiv Moscou, por exemplo, acertou a contratação do meia croata Tomislav Dujmovic, um dos destaques do Amkar nessa temporada. O contrato dele expirou neste final de ano.
Por outro lado, o mercado de saída dos atletas da Rússia para grandes centros pode crescer muito. No Zenit, dificilmente Andrei Arshavin e Anatoliy Tymoschuk continuam no clube. O primeiro já foi liberado pela diretoria para negociar com outros clubes (Espanha e Inglaterra são os destinos mais prováveis) e o segundo é alvo de interesse do Bayern de Munique. Na semana passada ele esteve na Alemanha negociando com o time bávaro.
No Spartak, o zagueiro austríaco Martin Stranzl deve se transferir para o Glasgow Rangers, mas o Everton também quer o defensor. Além dele, o jovem atacante Artem Dzuba está cotado para defender o Toulouse. Além deles, o goleiro croata Stipe Pletikosa é outro que não deve permanecer. O Fulham já confirmou o interesse, e segundo seu procurador, Celtic e Tottenham seriam os outros interessados.
Já o CSKA Moscou não deve sofrer tantas alterações em seu elenco. A maior novidade, por enquanto, é o retorno de Daniel Carvalho. Situação parecida vive o atual campeão russo, Rubin Kazan, que disputará a Liga dos Campeões na próxima temporada. A diretoria, no entanto, garante que fará algumas contratações ainda.
Na verdade, o mercado que anda mais agitado na Rússia é o de treinadores. O citado CSKA encabeça essa lista. Com a saída de Gazzaev, o presidente do clube, Evgeni Giner, promete que anunciará um nome de peso em breve. Promete ser um técnico internacional.
O Moskva, que demitiu o ucraniano Oleg Blohkin, agiu rápido e tirou Miodrag Bozovic do Amkar, após este levar o pequeno clube ao quarto lugar da Premier Liga. Nesta semana o Amkar anunciou que Dimitar Dimitrov deve ser o novo técnico da equipe. Ele seria o primeiro búlgaro a comandar uma equipe russa.
E assim caminha a humanidade.
Aposentadoria
Aos 34 anos, Vladimir Beschastnikh anunciou sua aposentadoria do futebol. O veterano atacante defendeu o Astana, do Cazaquistão, em 2008. Ele é, até hoje, o maior artilheiro da história da seleção russa, com 26 gols em 71 jogos (1992 a 2003).
Beschastnikh começou a carreira em 1990 defendendo o Spartak Moscou onde se destacou e, após o fim da União Soviética, se transferiu para o Werder Bremen. Não foi tão bem na Alemanha e então se mudou para a Espanha, onde defendeu o Racing de Santander. Lá ficou por quatro temporadas e marcou época.
Retornou ao Spartak em 2003 e passou a rodar por diversos clubes, como Fenerbahçe (TUR), Kuban, Dynamo Moscou, Oryol, Khimki, Volga Tver e por fim o Astana.
“Tudo acontece inesperadamente. O campeonato no Cazaquistão acabou e eu entendi que não jogaria mais futebol. Talvez eu jogasse na Premier Liga, mas infelizmente o final da minha carreira não foi muito bem sucedida. Minha carreira foi cheia de altos e baixos, tive sorte de defender Spartak e Werder Bremen. No entanto, a última parte não foi como eu gostaria que tivesse sido”, finalizou o agora ex-jogador.


