Leste Europeu

Problemas continuam os mesmos…

A surpreendente – ou nem tanto, para alguns – demissão de Juande Ramos do comando técnico do CSKA, ocorrida no início desta semana, pode ser interpretada de várias maneiras. E passando pela explicação mais óbvia possível – a dos tropeços recentes – àquela dada pelo presidente do clube, Evgeniy Giner, de que é apenas uma antecipação de planejamento para a próxima temporada, é possível tirar uma conclusão sem fazer muito esforço: há muita coisa errada com o Exército Vermelho, e esses problemas precisam ser resolvidos com urgência.

Está claro que, por mais que Giner negue, os dois últimos resultados no Campeonato Russo influenciaram em sua decisão. O empate com o Spartak Nalchik e, principalmente, o primeiro tempo da derrota para o FC Moskva em casa, por 3 a 1, no último domingo, mostraram que a equipe ainda carece de organização. São necessários reforços de peso para a próxima temporada, e uma mudança de filosofia nas contratações seria, certamente, bem vinda. Mas, fundamentalmente, o que apressou a saída do treinador espanhol foi a consequência, e não as causas desses resultados.

Ao assumir o clube, no dia 10 de setembro, Ramos chegou com a missão de dar à equipe uma consistência não encontrada pela equipe durante o ano. Zico, seu antecessor, conquistou dois títulos no início da temporada, mas sofreu tropeços imperdoáveis em jogos contra times pequenos, como, por exemplo, derrotas em casa para Tom Tomsk e Rostov. E o seu começo, pelo menos no Campeonato Russo, foi animador, com duas boas vitórias sobre Krylia Sovetov e Dynamo Moscou, ambas por 3 a 0.

A história começou a mudar na partida contra o Zenit, em São Petersburgo, . Não pela derrota por 2 a 0 em si, mas pela atuação apática e sem brilho de seus principais jogadores. E os supracitados tropeços contra Nalchik e Moskva enterraram de vez qualquer esperança de título, deixando o Exército Vermelho na quinta posição, com 43 pontos, restando apenas quatro rodadas para o fim da competição. adeus quase definitivo à luta pela vaga na Liga dos Campeões apressou a saída do espanhol, que afirmou que não quer ficar na Rússia em 2010 e, por isso, teve sua carreira abreviada no clube.

A campanha da equipe na Liga dos Campeões também não é das melhores. Em três jogos, o CSKA soma apenas três pontos, obtidos em uma vitória em casa contra o Besiktas. Nos outros dois jogos, derrotas para Manchester United e Wolfsburg. Caso não vença os Red Devils em Old Trafford, os russos terão muitas dificuldades em seguir adiante no torneio.

Juntando dois mais dois, é fácil deduzir os motivos – embora não se possa afirmar categoricamente – da recusa de Ramos em continuar no clube em 2010. Após bons trabalhos realizados em Sevilla e Real Madrid, ele goza de certo prestígio em seu país e pode, em um futuro próximo, arrumar um bom clube para trabalhar perto de casa. Equipes de países do segundo escalão do futebol europeu que disputam a Liga dos Campeões também poderão procura-lo, assim como seleções que não se classificaram para a Copa do Mundo e pretendem iniciar um novo projeto.

Outra possível justificativa, a de que Ramos seria “defensivo demais” para os padrões do clube, tem sido repetida com relativa frequência nos fóruns de torcedores, e a escalação de apenas um atacante de ofício – Tomás Necid – como titular poderia, em tese, reforçar esse argumento. Porém, mais do que falar sobre o número de atacantes ou zagueiros do time, é necessário contextualizar os problemas enfrentados pelo treinador espanhol durante as seis semanas em que ele esteve no cargo.

Ao olharmos para as escalações do time, percebemos que há um pouco de implicância nesse raciocínio. Com uma defesa que inspira pouca confiança quando apertada – exceção feita ao goleiro Akinfeev -, Ramos sempre procurou colocar o máximo de jogadores de características ofensivas na equipe. Ele inclusive apostou, com relativo sucesso imediato, no jovem Nika Piliyev, meia de apenas 18 anos, mas, com algumas lesões, ficou sem muitas opções nos últimos jogos.

O clube se ressente da saída de Vagner Love, e o ex-cruzeirense Guilherme, que chegou para substituí-lo, fez algumas boas partidas, mas se machucou, assim como o chileno Mark Gonzalez, que veio para acrescentar experiência ao time. Sem os dois, a responsabilidade pelas jogadas de ataque do time caiu nos pés de Alan Dzagoev e Milos Krasic, que caíram bruscamente de rendimento nos últimos tempos. A falta de opções no elenco reduziu ainda mais as possibilidades de ação do espanhol.

Seu substituto será Leonid Slutsky, ex-Krylia Sovetov, que assinou contrato de três anos e tem a dura missão de recolocar a equipe no caminho das vitórias. O elenco vermelho, porém, terá que ser reforçado em quantidade e qualidade para que tenha condições de lutar de igual para igual com os outros grandes do país e, quem sabe, repetir o sucesso da “Era Gazzaev”.

Argentinos mantém Rubin na liderança

Após a histórica vitória contra o Barcelona, na semana passada, o Rubin Kazan parece ter se reencontrado também no Campeonato Russo e venceu o Rostov por 2 a 1 no último fim de semana. Os gols da equipe foram marcados pelos argentinos Alejandro Domínguez e Cristian Ansaldi. Com o resultado, os Tártaros chegaram a 53 pontos – sendo 28 deles fora de casa – e continuam na liderança da competição, posição que ocupam continuamente desde a décima rodada.

Com os constantes tropeços de CSKA e Lokomotiv Moscou, e o surpreendente empate por 2 a 2 Zenit contra o Spartak Nalchik, em São Petersburgo, a disputa pelo título agora se concentra entre Rubin e Spartak Moscou. O Spartacus parece ter se recuperado definitivamente da saída de Vladimir Bystrov e selou matematicamente o rebaixamento do Khimki com uma vitória por 3 a 0, chegando a 52 pontos na tabela.

O destaque absoluto do jogo foi Welliton, que marcou duas vezes, chegou a 19 gols e dificilmente será incomodado na disputa pela artilharia da competição. O teenager georgiano Zhano Ananidze, de apenas 17 anos, jogou muito bem novamente e se credencia cada vez mais como uma grande promessa do clube para os próximos anos. Outro destaque positivo foi a volta de Íbson, que certamente acrescentará qualidade ao time nessa reta final de campeonato.

Na próxima rodada, o Rubin encara o Krylia Sovetov, em Kazan, enquanto o Spartak enfrenta o Rostov, em Moscou. A tendência é que as posições sejam mantidas, e a decisão do título fique para as últimas rodadas.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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