Prêmio de consolação

Ficou aquele gosto amargo, não teve jeito. Três dias após ser eliminado pelo maior rival nas semifinais da Copa Uefa, o Dynamo Kiev comemorou o que já estava definido há algumas semanas: a conquista do Campeonato Ucraniano. Foi seu 13º título nacional, mas a festa acabou ofuscada.
Pela 27a rodada, o Dynamo recebeu o Tavriya Simferopol precisando apenas de um empate. Fez mais do que isso. Os visitantes abriram o placar com Lucky Idahor, mas levaram o empate com Tiberiu Ghioane. No entanto, Anton Monakhov deixou o Tavriya na frente de novo. Para festa da torcida no estádio Olimpiyskiy, na capital ucraniana, Andriy Nesmachniy e Alexander Aliyev decretaram a virada.
Só que, passados mais alguns dias da conquista, o Dynamo teria o Shakhtar novamente pela frente, desta vez na semifinal da Copa da Ucrânia – por isso, inclusive, poupou alguns de seus principais jogadores contra o Tavriya. Sim, outra derrota… Com um gol de Lewandowski aos 39 minutos do segundo tempo, a equipe de Donetsk eliminou o rival pela segunda vez em uma semana da disputa do título de uma Copa – enfrentará na decisão o Vorskla Poltava, que bateu o Metalist Kharkiv por 2 a 0.
Ou seja, por mais que dirigentes, comissão técnica e jogadores insistam em dizer o contrário, a festa do Dynamo Kiev foi totalmente melada pelo Shakhtar. Não dá para comemorar normalmente um título entre duas eliminações para o maior rival.
De qualquer modo, a temporada merece ser celebrada pelo Dynamo. Além de ter interrompido a seqüência de conquistas do Shakhtar no Campeonato Ucraniano, voltou a apresentar um bom futebol e a ir bem em competições europeias, algo que não acontecia há muito tempo – pelo contrário, já que o time protagonizava vexames seguidos de vexames na Liga dos Campeões.
O trabalho do técnico russo Yuri Semin foi louvável. Ele assumiu um time em franca decadência e desmotivado no final de 2007. Optou por mandar embora quase todos os brasileiros, na maioria insatisfeitos com a vida na Ucrânia, e buscou, sempre, em seus discursos ressaltar a história, tradição e grandeza do clube. Deu certo.
Além disso, valorizou os jogadores formados nas categorias de base do Dynamo e deu confiança necessária para eles triunfarem, caso do atacante Artem Kravets.
Tudo isso pode ser comprovado nas palavras do presidente Ihor Surkis após o 13º título ucraniano. “Estou de bom humor, porque vencemos o campeonato e agora vamos avançar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Analisando os resultados desta temporada, posso dizer que o progresso do Dynamo em comparação a anos anteriores é óbvio. Jogamos a semifinal da Copa Uefa, mas infelizmente não chegamos na final. Se formos comparar o Dynamo com o Shakhtar, o time de Donetsk levou cinco anos para chegar lá, nós alcançamos em apenas um ano e meio com Yuri Semin”, afirmou o dirigente.
E realmente o Dynamo mostrou uma evolução enorme às últimas temporadas. Hoje, a equipe voltou a ser forte e respeitada pelos adversários europeus. Com mais algumas contratações e a seqüência do trabalho, uma nova boa aparição pode ser esperada na LC.


