Leste Europeu

Por que o Anzhi não engrenou?

O primeiro a chegar foi João Carlos, zagueiro brasileiro destaque do Campeonato Belga, quando jogava pelo Genk. Na sequência Roberto Carlos chamou a atenção do mundo quando acertou sua transferência. Depois vieram Benoit Angbwa, Jucilei, Mbark Boussoufa e Diego Tardelli. Passados alguns meses, os cofres foram abertos para trazer Yuri Zhirkov, Balázs Dzsudzsák, Mehdi Carcela-Gonzalez e, finalmente, a grande estrela da companhia, Samuel Eto'o. E mesmo assim, faltando duas rodadas para o término da primeira fase do Campeonato Russo, o Anzhi luta para se classificar entre os oito primeiros colocados.

Lutar talvez não seja o verbo mais adequado a ser usado, já que basta uma vitória contra Amkar Perm ou Krylya Sov etov para garantir a vaga no octagonal que decidirá o campeão da temporada 2011/12. No entanto, o mero fato de estar disputando essa vaga com o Krasnodar já merece uma análise. Neste caso, mais uma explicação.

Não se constróem times campeões da noite para o dia. Suleyman Kerimov, presidente do Anzhi desde o início do ano e bilionário voraz, tem colocado toneladas de dólares no clube, fez todas essas contratações, mas precisa comer muita grama ainda. Isso em cenário local, que o diga internacional.

O Anzhi historicamente sempre foi um time mediano para baixo. Nunca lutou por taças, e no início do ano, com toda essa reformulação acontecendo, sempre fiz questão de ressaltar que o maior objetivo da equipe deveria ser uma vaga na Liga Europa. Sonhar com algo além disso era dar um passo à frente dos bois. Com a chegada, principalmente, de Eto'o, revi um pouco meus conceitos. Afinal, o camaronês passou a ser o melhor jogador do Campeonato Russo, o que elevou o nível do time de Makhachkala. Mas não foi o que aconteceu em campo.

Gadzhi Gadzhiev, o experiente treinador, assistente técnico da Rússia nas Olimpíadas de 1988, caiu. A direção sonha com um técnico renomado há muito tempo, mas contratá-lo no meio da temporada é complicado. Roberto Carlos virou assistente interino e o assistente Andrei Gordeev o treinador interino. Com eles no comando, a sequência de resultados é horrível – nas últimas cinco rodadas, por exemplo, nenhuma vitória, e no meio disso a eliminação para o Dynamo Moscou na Copa da Rússia.

Além disso, os jogadores do Anzhi parece que sentiram, finalmente, o peso de ter que viajar 2000 km para todos os jogos em casa. Para quem não sabe, todos moram e treinam em Moscou, usando as dependências do falido Saturn, e pegam o avião para cada jogo em Makhachkala, capital do Daguestão. É impossível não se cansar disso a cada duas semanas, ou menos – Kerimov já está construindo um centro de treinamentos na cidade.

Nesta temporada, como todos os times levarão os resultados desta fase para a seguinte, quando teremos mais 14 jogos, o Anzhi dificilmente lutará pelo título. Precisa de um milagre e desastres alheios para tirar os 15 pontos que o separam do atual líder, Zenit. A diretoria e o elenco devem pensar em 2012/13. Pensar no reforços, se planejar e chegar ainda mais forte. Até porque, nesta semana Eto'o deu uma entrevista à CNN afirmando que não acertou com o Anzhi somente por dinheiro. Disse que o futuro do futebol está na Rússia. Que nos mostre isso então.

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Equipe Trivela

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