Para o gasto

Foram duas vitórias previstas e muito importantes. Nos jogos contra o Azerbaijão em Moscou e Liechtenstein em Vaduz, a Rússia precisava fazer seis pontos para se garantir na segunda posição do Grupo 4 das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo e se manter próxima da líder Alemanha. O futebol apresentado, porém, não foi o esperado.
Após a terceira colocação na última Eurocopa, a Rússia ganhou novamente uma projeção de força mundial – não obviamente no primeiro escalão. Isso fez com que os jogos da equipe ganhassem em importância e responsabilidade. Por isso, a vitória sobre os azaris por 2 a 0 e liechtensteinianos por apenas 1 a 0 despertaram um certo medo entre os russos.
Em ambas partidas a Rússia foi muito superior, dominou o meio campo, mas falhou nas conclusões. Pavlyuchenko e Arshavin, as estrelas do time, formaram a dupla de ataque titular nas duas ocasiões. Pogrebnyak substituiu o atacante do Tottenham nos dois jogos. Quem foi fundamental, no entanto, foi o meia Zyrianov, do Zenit St. Petersburg.
O veterano de 30 anos, “descoberto” por Guus Hiddink, abriu o placar nos dois jogos – Pavlyuchenko marcou o segundo contra o Azerbaijão. Ele mesmo admite que o futebol jogado não foi bonito, mas que ao menos o principal objetivo foi alcançado.
“Não mostramos um futebol espetacular de novo, e esse jogo contra Liechtenstein se mostrou muito parecido com o anterior. Mas o principal objetivo, seis pontos, foi alcançado. Um gol é suficiente para a vitória. Ao final do jogo eu estava absolutamente calmo. Claro que 1 a 0 não é um bom placar, mas o adversário não criou situações perigosas”, afirmou Zyrianov.
Aí, no entanto, ele se engana. No jogo desta quarta-feira, contra Liechtenstein, a Rússia permitiu que o fraco e irrelevante oponente crescesse no jogo e, nos últimos 15 minutos, criasse algumas boas oportunidades para marcar. O mais importante é saber que, contra um rival mais forte, normalmente o resultado não teria sido esse. Tanto que Zyrianov completou: “No próximo jogo, contra a Finlândia, vamos definitivamente fazer outra partida. Em Helsinque a velocidade será maior e nossa motivação maior ainda”.
Se tudo ocorrer como previsto, os russos, no mínimo, garantem a segunda colocação do Grupo 4 e assim a disputa por um lugar na Copa do Mundo nos playoffs decisivos. Se conseguir mudar a postura apresentada nos últimos dois jogos e voltar a jogar como na Eurocopa, pode sonhar em desbancar a Alemanha da primeira posição.
Para constar, a classificação no momento é a seguinte: Alemanha (16 pts / 6J), Rússia (12 pts / 5J), Finlândia (7 pts / 4J), País de Gales (6 pts / 6J), Azerbaijão (1 pt / 4J) e Liechtenstein (1 pt / 5J).
Quase a vingança
Parecia que o roteiro de filme seria cumprido. Aos 29 minutos, a Inglaterra abriu o placar, em Wembley, contra a Ucrânia. Cruzamento na área, bola ajeitada por Terry e gol de Crouch. Shevchenko, no banco, assistia tudo impacientemente. Queria entrar e provar seu valor para os ingleses, que tanto o menosprezaram em Stamford Bridge.
Relegado à reserva pelo técnico Alexei Mikhailichenko, Sheva aguardou ansiosamente até que, aos dez minutos do segundo tempo, foi chamado para entrar no lugar de Voronin. O jogador do Hertha Berlim se chocou com Terry e fraturou o nariz.
Vinte e nove minutos. Após cobrança de falta, a defesa inglesa não conseguiu afastar a bola e ela sobrou para Shevchenko encher o pé e marcar seu gol da redenção. Era o gol de empate da Ucrânia, um resultado inesperado e fundamental da equipe na briga pela segunda colocação do Grupo 6 com a Croácia. O roteiro de cinema estava sendo escrito.
A obra cinematográfica foi por água abaixo quando, aos 40 minutos, Gerrard recebeu cruzamento na área e tocou de cabeça para, justamente, Terry, seu ex-capitão no Chelsea, protagonista da partida, na pequena área, fazer 2 a 1. Por poucos minutos, Shevchenko sentiu o gosto da vingança.


