Leste Europeu

Para evitar os riscos de perder seus destaques, o Zenit emenda renovações com a legião brasileira

Wendel, Claudinho e Malcom renovaram seus contratos, o que garante um aumento salarial e afasta a chance de saírem de graça

A guerra na Ucrânia provocou uma debandada de jogadores estrangeiros do Campeonato Russo. A Fifa permitiu que esses atletas rompessem seus contratos unilateralmente e se transferissem para outras equipes durante os últimos meses da temporada passada, assim que o conflito se iniciou, em brecha renovada também para 2022/23. Além disso, para não haver o risco de perder dinheiro, muitos times optaram por vender seus estrangeiros. O Zenit, por outro lado, mantém a força gastando mais. Na última semana, os celestes asseguraram as renovações contratuais de vários brasileiros em seu elenco. Wendel, Claudinho e Malcom ampliaram seus vínculos até 2027. Desta maneira, o clube afasta as chances de desfalques repentinos.

Vários times da Rússia perderam jogadores importantes por causa das brechas nas transferências criadas pela Fifa. A debandada se tornou natural, envolvendo atletas que se sentiam desconfortáveis com a situação da guerra, outros pertencentes a países opositores dos russos no xadrez geopolítico ou mesmo aqueles que ponderavam a ausência dos clubes locais nas competições continentais. O próprio Zenit rompeu o contrato com Yaroslav Rakitskyi, ucraniano que preferiu a saída diante do início da invasão. Já na atual janela, Yuri Alberto saiu por empréstimo ao Corinthians apenas um semestre após sua chegada.

Bancado pela Gazprom, a principal estatal da Rússia, o Zenit não deixou de se reforçar por causa do conflito. Gustavo Mantuan e Ivan chegaram no acordo com o Corinthians por Yuri Alberto, enquanto o zagueiro Rodrigão veio acompanhado pelo centroavante colombiano Mateo Cassierra do Sochi. Mesmo se tornando um destino menos atrativo, os celestes conseguiram mais alternativas fora do país que os principais concorrentes da liga. Mais importante, seguraram destaques em São Petersburgo.

As seguidas renovações de brasileiros representam um aumento salarial para reduzir o descontentamento pela ausência na Champions, contornando o risco de perdê-los de graça por um ano. Wendel, que chegou a ser especulado pelo Flamengo, foi o primeiro a estender seu vínculo até 2027. No dia seguinte, aconteceram as assinaturas com Claudinho e Malcom – dois atletas que certamente teriam espaço em ligas maiores da Europa. Também assinaram até 2027. A exceção entre os brasileiros mais antigos do elenco fica para Douglas Santos, que havia renovado seu contrato em setembro de 2021, por mais cinco anos.

Wendel, Claudinho e Malcom diminuem suas vitrines com a permanência no Zenit. Irão se limitar ao Campeonato Russo e não poderão mostrar serviço nas competições continentais. Serão remunerados por isso, porém. A regra da Fifa que permite o rompimento unilateral de contrato é discutível, num movimento que também prejudica os clubes da Ucrânia. Fato é que o dinheiro dos celestes pesa mais dentro do contexto e atenua os entraves. Atual tetracampeão nacional, o time segura os seus principais talentos e evita grandes sinais de enfraquecimento, mesmo com os impactos que a guerra também traz à Rússia.

Por enquanto, o Zenit ainda se acerta em campo. O time estreou no Campeonato Russo com empate diante do Khimki, mas venceu o Krylya Sovetov por 3 a 0 na segunda rodada. É a favorito para mais um título, mesmo que o capitão Artem Dzyuba tenha saído em junho ao final de seu contrato. A base do último ano permanece majoritariamente intacta, sob as ordens do técnico Sergey Semak e ainda com outros talentos estrangeiros à disposição – como Wilmar Barrios e Dejan Lovren. Que a guerra afete o futebol russo, os celestes têm mais recursos financeiros para reduzir o impacto internamente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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