Leste Europeu

Para acreditar

As duas vitórias nos dois primeiros jogos do Shakhtar Donetsk nesta Liga dos Campeões deu uma bela mostra do que é capaz o time ucraniano. De qualquer modo, ainda ficava a dúvida de como a equipe se portaria nas outras duas partidas, contra o Arsenal. No primeiro encontro, o ponto de interrogação ficou ainda maior, com a goleada por 5 a 1. A quarta rodada, que marcaria o duelo entre os Gunners e os mineiros na Ucrânia, era fundamental para mostrar que o desastre anterior tinha sido apenas um acidente. E felizmente mostrou.

A boa vitória por 2 a 1 contra o Arsenal, na Donbass Arena, recolocou o Shakhtar na briga por uma das duas vagas do Grupo H e ainda tirou a invencibilidade do rival. Com nove pontos, está empatado com o time inglês na liderança, mas perde no confronto direto. O Braga, porém, que todos achavam que estava morto, matou o Partizan (zerado) e agora tem seis pontos – ou seja, entrou na briga.

Na teoria, o Shakhtar tem apenas que cumprir seu papel e vencer os portugueses, na última rodada, em casa. Antes disso, ainda encara os sérvios, e se conseguir uma vitória nos balcãs, praticamente garante o posto nas oitavas de final.

Mas um ponto positivo da campanha dos ucranianos, e que precisa ser louvado, é a postura ofensiva do time. Contra o Arsenal, na segunda etapa, mesmo em vantagem, o técnico Mircea Lucescu trocou Olexiy Gay e Jadson por Alex Teixeira e Douglas Costa (e no final Luiz Adriano por Marcelo Moreno).

Nas outras partidas, até agora, o Shakhtar também tem mantido essa postura ofensiva que é sua principal característica no Campeonato Ucraniano – com um meio-campo extremamente talentoso e dois laterais que atacam bastante – e, costumeiramente, era abandonada nas competições europeias. Claro que existem os efeitos colaterais disso, vide a goleada sofrida, mas a equipe faz bem em jogar como sabe, ao invés de inventar fórmulas defensivas mirabolantes.

Já escrevi aqui mais de uma vez: o Shakhtar Donetsk não tem time para ser campeão europeu, mas pode (e deve) fazer um bom papel, avançando pelo menos às oitavas.

Já os russos…

O Rubin Kazan é a maior decepção da primeira fase da Liga dos Campeões. Com míseros três pontos conquistados com três empates em quatro rodadas, a equipe russa está em situação complicadíssima no Grupo D. Ainda encara Kobehavn (sete pontos) em casa e Barcelona (oito pontos) fora.

E a culpa pela péssima campanha precisa ser creditada, em grande parte, às ideias do técnico Kurban Berdiyev. No último jogo contra o Panathinaikos, por exemplo, a escalação do time foi um desastre. A começar pela manutenção no banco do meia turco Gökdeniz Karadeniz. Ele é o motor da equipe, corre sem parar e joga bem pelos flancos – não dá para ser reserva.

Além disso, a insistência com Sergei Kornilenko na frente já cansou. Tudo bem começar com ele como titular, mas à medida que o tempo passa e ele permanece perdido em campo, tem que sair logo. E não é o que tem acontecido. Carlos Eduardo também precisa ter mais liberdade para atacar – e como ele gosta, mais aberto ao invés de centralizado.

Só que Berdyev tem moral no clube. Muita, diga-se de passagem. Afinal, além de estar no cargo desde 2001 e ser um dos responsáveis pela ascenção da equipe do Tartaristão, ele é vice-presidente do clube…

Deixando a república autônoma e indo para a capital russa, a análise já é bem diferente. Ao contrário de Berdyev, a boa campanha do Spartak Moscou precisa ser creditada a Valery Karpin.

Ok, até agora foram apenas duas vitórias em quatro jogos, com duas derrotas, mas os tropeços foram contra o Chelsea, que está bem à frente de todos na chave. Com isso, a briga se dará com o Olympique de Marseille.

As duas equipes têm seis pontos no Grupo F, mas como em Marselha deu Spartak, a vantagem é dos russos. No próximo dia 23, em Moscou, farão a grande decisão pelo posto na fase seguinte, visto que na última rodada os Krasno-belye viajam até a Eslováquia para enfrentar o Zilina, mais conhecido como o grande saco de pancadas da LC até agora.

Por isso, até mesmo um empate no Luzhniki pode garantir a classificação para o Spartak. Algo merecidíssimo para Karpin, que armou o time com inteligência, aproveitando-se da visão de jogo de Alex na armação das jogadas, com a boa dupla de volantes Sheshukov e Ibson atrás, e McGeady e Dimitar Kombarov abertos. Quem ainda precisa aparecer na competição europeia é Welliton, que na Premier Liga faz miséria.

Confira abaixo as fichas técnicas das partidas de russos e ucranianos na Liga dos Campeões:

Rubin Kazan 0x0 Panathinaikos

Local: Tsentralnyi, em Kazan
Data: 02/11, terça-feira
Árbitro: Tony Chapron (FRA)
Cartões amarelos: Loukas Vyntra, Giorgos Karagounis e Stergos Marinos (Panathinaikos)

Rubin Kazan
Sergei Ryzhykov, Vitali Kaleshin, César Navas, Salvatore Bocchetti e Cristian Ansaldi; Christian Noboa, Bebars Natcho, Aleksandr Ryazantsev, Alan Kasaev (Gökdeniz Karadeniz aos 28'/2T) e Carlos Eduardo (Obafemi Martins aos 28'/2T); Sergei Kornilenko (Aleksei Medvedev aos 43'/2T). Técnico: Kurban Berdiyev.

Panathinaikos
Alexandros Tsorvas, Loukas Vyntra, Cédric Kanté, Kostas Katsouranis, Jean-Alaim Bousomg (Stergos Marinos aos 13'/2T) e Nykos Spyropoulos; Gilberto Silva, Simão, Luis García (Sidney Govou aos 24'/2T) e Giorgos Karagounis (Lazaros Christodoulopoulos aos 36'/2T); Djibril Cissé. Técnico: Nikos Nioplias.

Chelsea 4×1 Spartak Moscou

Local: Stamford Bridge, em Londres
Data: 03/11, quarta-feira
Árbitro: Cünet Çakir (TUR)
Gols: Nicolas Anelka aos 3'/2T, Didier Drogba aos 15'/2T e Branislav Ivanovic aos 21'/2T e aos 47'/2T(Chelsea); Nikhita Bazhenov aos 40'/2T (Spartak Moscou)
Cartões amarelos: John Obi Mikel (Chelsea); Dimitar Kombarov e Andrei Ivanov (Spartak Moscou)

Chelsea
Petf Cech, Paulo Ferreira, Branislav Ivanovic, Alex e Ashley Cole; John Obi Mikel (Joshua McEachran aos 24'/2T), Ramires e Yuri Zhirkov; Salomon Kalou, Didier Drogba (Daniel Sturridge aos 30'/2T) e Nicolas Anelka (Gaël Kakuta aos 30'/2T). Técnico: Carlo Ancelotti.

Spartak Moscou
Andriy Dykan, Andrei Ivanov, Nicolás Pareja, Marek Suchy e Evgeni Makeev; Aleksandr Sheshukov (Nikola Drincic aos 22'/2T), Ibson, Aiden McGeady, Alex (Aleksandar Kozlov aos 22'/2T) e Dimitar Kombarov (Nikhita Bazhenov aos 34'/2T); Welliton. Técnico: Valery Karpin.

Shakhtar Donetsk 2×1 Arsenal

Local: Donbass Arena, em Donetsk
Data: 03/11, quarta-feira
Árbitro: Massimo Busacca (SUI)
Gols: Craig Eastmond, contra, aos 28'/1T e Eduardo da Silva aos 45'/1T (Shakhtar); Theo Walcott aos 10'/1T (Arsenal)
Cartões amarelos: Tomás Hübschman, Olexiy Gay e Razvan Rat (Shakhtar); Emmanuel Eboué (Arsenal)

Shakhtar Donetsk
Andriy Pyatov, Darijo Srna, Dmytro Chygrynskiy, Yaroslav Rakitskiy e Razvan Rat; Olexiy Gay (Alex Teixeira aos 17'/2T), Tomás Hübschman, Willian, Jadson (Douglas Costa aos 28'/2T) e Eduardo da Silva; Luiz Adriano (Marcelo Moreno aos 43'/2T). Técnico: Mircea Lucescu.

Arsenal
Lukasz Fabianski, Emmanuel Eboué, Sébastien Squilacci, Johan Djorou e Gaël Clichy; Craig Eastmond (Carlos Vela aos 14'/2T), Jack Wilshere, Theo Walcott (jay Emmanuel-Thomas aos 37'/2T), Tomás Rosicky e Sami Nasri; Nicklas Bendtner (Marouane Chamack aos 28'/2T). Técnico: Arsène Wenger.

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