Leste Europeu

O Viktoria Plzen encerra a dinastia do Slavia Praga e recupera o título do Campeonato Tcheco após quatro anos

O Viktoria Plzen teve grande aproveitamento e conseguiu competir com o Slavia até o fim, levando a taça com uma rodada de antecipação

O Campeonato Tcheco tem um novo campeão nesta temporada. O Viktoria Plzen retoma o troféu depois de quatro anos, rompendo um período dominante do Slavia Praga na competição. Os alvirrubros vinham de um tricampeonato marcado por desempenhos avassaladores e por boas campanhas europeias em paralelo. Já em 2021/22, enquanto o Slavia sofreu oscilações maiores, o Plzen aproveitou para tomar de assalto a liga nacional. As equipes já tinham se alternado na liderança durante a temporada regular. Por fim, o Plzen prevaleceu no hexagonal decisivo e comemorou o título nesta quarta-feira, com uma rodada de antecedência.

O Viktoria Plzen se transformou em potência nacional na década passada, com cinco títulos do Campeonato Tcheco a partir de 2010/11. A equipe da cidade cervejeira ainda registrou dez campanhas seguidas entre os três primeiros colocados, até que ficasse numa modesta quinta colocação em 2020/21. Seria hora de uma guinada mais drástica, que culminou no atual título.

O Viktoria Plzen apostou sua reestruturação nas mãos de Michal Bilek, antigo jogador da seleção tchecoslovaca, que treinou a República Tcheca de 2009 a 2013. Com um técnico bastante experimentado, o clube também trouxe novas peças para diversos setores. Cinco atletas da base titular do Plzen chegaram nesta temporada, sobretudo no ataque. Um dos principais negócios foi a compra de Jan Sykora, ponta da seleção local e que se tornou um dos principais nomes da equipe. Tomas Chory e Jhon Mosquera também fizeram a diferença na linha de frente. Dos mais antigos, o goleiro Jindrich Stanek, o lateral Milan Havel, o meia Pavel Bucha e o centroavante Jean-David Beauguel contribuíram bastante.

O Viktoria Plzen mostrou seu cartão de visitas no início do campeonato. A equipe venceu 11 dos primeiros 12 jogos. A série seria interrompida exatamente numa derrota para o Slavia Praga em outubro, no confronto entre líder e vice-líder. Uma breve queda de desempenho ocorreria no fim do primeiro turno, antes que o Plzen começasse outra sequência de nove vitórias em dez rodadas. O Slavia também vinha em ritmo forte e até retomou a liderança numa sequência de empates do Plzen no fim do segundo turno. Tanto que os representantes de Praga encerraram a temporada regular na ponta.

O Campeonato Tcheco tem um hexagonal em turno único para decidir a taça. Foi quando o Slavia Praga derrapou e o Viktoria Plzen aproveitou. Logo na primeira rodada, os tricampeões perderam para o Hradec Kralove e entregaram a liderança para o Plzen. O confronto direto pela segunda rodada terminou com o empate. Na terceira rodada, ambos venceram. Até que o momento decisivo viesse nesta quarta. O Plzen venceu o Hradec Kralove por 2 a 0, enquanto o Slavia só empatou com o Banik Ostrava. Assim, a equipe de Michal Bilek abriu quatro pontos de distância e não poderia mais ser alcançada na última rodada.

O Viktoria Plzen fechou a campanha com apenas duas derrotas em 34 partidas. São 82 pontos conquistados. O time de Michal Bilek não teve o melhor ataque, mas compensou com a melhor defesa, sofrendo apenas 21 gols. Também vê Jean-David Beauguel dividir a artilharia da competição, com 17 tentos. Não dá para negar a competência do Plzen, por mais que a maratona europeia do Slavia (jogando as três competições continentais até a queda nas quartas da Conference) tenha pesado no desgaste.

O Viktoria Plzen entrará na segunda fase eliminatória da Champions 2022/23 e deve encarar um caminho difícil rumo à fase de grupos. Será a prova da competitividade dessa equipe. Já o Slavia Praga se contentará com a Conference League desta vez. Vai participar do torneio ao lado de Sparta Praga e Slovácko, os outros representantes tchecos nas copas europeias – e que, além de completarem o G-4 da liga, ainda se enfrentam na final da Copa da República Tcheca.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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