Leste Europeu

O passo a mais

Com uma goleada para não deixar dúvidas (5 a 0 no Rostov), o Zenit conquistou no último domingo seu segundo título do Campeonato Russo – venceu, também, um Campeonato Soviético (1984). A conquista já era dada como certa por todos há muito tempo, afinal, a equipe de São Petersburgo dominou toda competição.

Nesta coluna tenho escrito, há tempos, sobre a superioridade do elenco do Zenit e a forma como ele age no mercado de transferências, enfraquecendo os concorrentes e reforçando seu time. Portanto, não é mais necessário olhar para trás e elogiar a forma como Luciano Spalletti conduziu o clube para mais este título. Vamos olhar para a frente, então.

O Zenit quer, agora, dar um passo a mais na Europa. O título da Copa Uefa foi o começo do projeto da Gazprom em transformar o clube em um dos grandes da Europa. A eliminação precoce nos play-offfs da Liga dos Campeões, nesta temporada, porém, foi um balde de água fria na direção. A atual campanha na Liga Europa está perfeita e pode até terminar com outra conquista histórica, mas ninguém no clube esconde que o sonho maior é ir bem na Liga dos Campeões.

Para alcançar tal feito, o Zenit tem investido quantias que nem mesmo os gigantes europeus gastam atualmente. Como os € 22 milhões gastos no zagueiro português Bruno Alves, um ótimo jogador, mas que não vale todo esse investimento. Ou seja, gastou mal.

E é justamente esse o caminho que o clube não pode seguir. Com os cofres abertos graças ao gás natural que gera o poderio da Gazprom, o Zenit precisa parar de jogar dinheiro fora e fazer um planejamento decente. Como fizeram Chelsea e Manchester City, por exemplo.

Obviamente que não é possível comparar um time russo com um inglês, mas em São Petersburgo os dirigentes precisam olhar para seus similares ingleses citados e buscar modelos. Para brigar na Europa, é preciso ter um elenco numeroso e com peças de reposição à altura dos titulares. Buscar experiência também é fundamental. Dinheiro para isso há, e já não existe aquela barreira de “não quero jogar na Rússia” entre os jogadores.

De qualquer modo, é preciso, também, fazer uma triste constatação: por mais que o Zenit consiga tudo isso, sempre será lembrado pelo preconceito de seus torcedores, “apoiado” pela diretoria. A torcida não aceita jogadores negros no elenco, e por mais que, oficialmente, isso não seja confirmado pelo clube, é notório para todos que acompanham o futebol russo.

Para dar esse passo a mais em território europeu, não bastará ao Zenit ter dinheiro. Será preciso, também, ter decência.

Outras disputas

Com duas rodadas por jogar, ainda temos três disputas abertas: segunda vaga direta na Liga dos Campeões, vagas na Liga Europa e segundo rebaixado.

Começando por cima, CSKA Moscou com 58 pontos e Rubin Kazan com dois a menos almejam o posto na fase de grupos da LC. Os moscovitas têm pela frente o clássico com o Spartak e decidem com o Amkar em Perm, enquanto a equipe do Tartaristão pega o campeão Zenit em casa e o Lokomotiv fora.

E o Rubin ainda tem que tomar cuidado com o Spartak Moscou. Com 48 pontos, a equipe é a quarta colocada e ainda tem esperanças de ir para a LC, mas é mais provável que fique com sua vaga nos play-offs da Liga Europa. O Spartak Nalchik, em quinto com 44, briga com o Lokomotiv, que também tem 44 e fica atrás nos critérios de desempate.

Na zona do rebaixamento, o Sibir já foi. O Alania Vladikavkaz, com 26 pontos, é o penúltimo colocado e seria um dos rebaixados. Amkar (também 26) e Krylya Sovetov (27) brigam diretamente. Saturn e Anzhi, ambos com 30, precisam apenas de uma vitória para ficarem tranquilos.

Palpite da coluna: os cinco primeiros terminarão na mesma ordem como estão hoje e Alania e Amkar trocarão de posições.

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Equipe Trivela

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