Leste Europeu

O negócio é voltar para a Rússia

A saída de Vagner Love do Palmeiras é dada como certa e é óbvio que, depois do incidente com a torcida, ele não tem, no momento, clima para ficar no Parque Antártica. As especulações sobre uma transferência para o Flamengo são cada vez mais fortes, pois a disputa da Copa Libertadores da América o colocaria em evidência. O que o atacante parece não enxergar, porém, é que o único bom negócio possível no momento é a volta ao CSKA, onde é ídolo e poderia ser muito útil na Liga dos Campeões e na Premier Liga 2010.

Os motivos são vários, e o primeiro deles é que Love já pode dar como perdida a disputa com outros atacantes para ir à Copa do Mundo de 2010, que era o principal objetivo dele quando a decisão de voltar ao Brasil foi anunciada. O atacante teve diversas oportunidades quando ainda estava no CSKA, não agradou ao técnico Dunga, e hoje vê, além dos quatro habitualmente convocados, nomes como Alexandre Pato, Fred e Diego Tardelli à sua frente.

Some-se isso ao fato de, no Flamengo, a vaga de centroavante estar ocupada por Adriano, superior física e tecnicamente, e com o passaporte praticamente carimbado para a África do Sul. Sendo assim, há duas opções: sentar no banco de reservas ou migrar para a ponta esquerda, posição ocupada em 2009 por Zé Roberto que, ao que tudo indica, está de saída da Gávea. Seria necessária uma adaptação rápida, uma mudança brusca no estilo de jogo, que violentaria as atuais características dele.

Uma possível volta à Rússia, nesse momento, seria interessante para a carreira de Vagner Love. O ataque do Exército Vermelho sofre com a baixa produtividade desde que ele foi embora, e há a possibilidade da transferência de Krasic para o Milan, o que enfraqueceria ainda mais o elenco. O jovem Necid atualmente encara um desafio para o qual ainda não está preparado, enquanto Guilherme, contratado para substituir o palmeirense, se contundiu logo após chegar a Moscou.

O CSKA se classificou para as oitavas de final da Liga dos Campeões, e, em um sorteio favorável, encara o Sevilla. Os russos têm chances razoáveis de seguir adiante, e ter um bom desempenho na competição mais importante do continente seria bom para a carreira de Love, que anda meio em baixa. Recuperar o prestígio no Velho Continente pode ser muito importante no futuro.

Além disso, um eventual retorno poderia ajudar a melhorar um pouco a reputação de Vagner Love como profissional. Envolvido em confusões desde os tempos de juniores, o atacante poderia perceber, ao menos por um momento, que a carreira de jogador de futebol é curta e é necessário muito foco para não ficar no meio do caminho. Cumprir o contrato assinado já seria um bom começo.

Alex Teixeira no Shakhtar Donetsk

A confirmação da venda de Alex Teixeira do Vasco para o Shakhtar Donetsk por 6 milhões de euros mostra que os ucranianos mantém a política de investimento em brasileiros jovens. E pensam na composição do elenco, que disputa três competições e sofreu em alguns momentos durante a primeira metade da temporada com a falta de peças de reposição, principalmente em jogos do Campeonato Ucraniano onde titulares foram poupados.

O técnico Mircea Lucescu conta com boas opções para o meio-campo titular. Darijo Srna, Fernandinho, Jadson, Willian e eventualmente Ilsinho são utilizados no setor, e Alex Teixeira não seria, a princípio, titular do time. O que, por um lado, é interessante, pois tira um pouco da pressão de decidir partidas e, ao mesmo tempo, se adaptar a uma nova realidade de vida, um ambiente completamente diferente do Rio de Janeiro.

Além de passar muito frio, Alex terá que amadurecer tecnicamente em um centro muito menos desenvolvido, por mais que a estrutura do novo time dele seja invejável. O nível do Campeonato Ucraniano, exceto o Dynamo Kiev e o próprio Shakhtar, é inferior ao da Série B do Brasileirão, e jogar contra adversários menos qualificados pode atrasar um pouco a evolução de uma carreira que por enquanto se desenha promissora, embora cheia de altos e baixos.

Caminho inverso

Se Alex Teixeira vai, quem pode voltar ao Brasil é o volante Rafael Carioca, que já tem tudo acertado com o Vasco e depende da liberação do Spartak Moscou para ser emprestado por um ano ao clube da Colina. Será uma perda para o meio-campo do Spartacus, que sofreu com muitas lesões de jogadores do setor durante o ano de 2009, mas pode funcionar como estratégia de valorização.

O motivo é simples: primeiro volante por vocação, Rafael Carioca tem potencial para, após a Copa do Mundo, chegar à seleção brasileira e ocupar a vaga deixada por Gilberto Silva. Ele tem como principais concorrentes o colorado Sandro e Airton, do Benfica. Os três estão na faixa dos 20 anos, são altos, habilidosos, fortes fisicamente, e, embora não contem com o apoio das “viúvas de Hernanes” no momento, podem conquistá-lo dentro de campo se tiverem uma chance com a amarelinha e repetirem o desempenho demonstrado nos clubes até agora.

Com isso, o Spartak teria mais um jogador valorizado, uma moeda de troca, já que Rafael, assim como vários outros brasileiros, não se adaptou ao estilo de vida russo e passou a temporada inteira pedindo para voltar ao Brasil.
 

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Equipe Trivela

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