Leste Europeu

O momento certo para o fim da hegemonia do Shakhtar?

Bernard teve uma estreia discreta pelo Shakhtar Donetsk. A contratação mais cara da história do Campeonato Ucraniano esteve em campo por pouco mais de 20 minutos na Donbass Arena, entrando no segundo tempo. O suficiente para ver de posição privilegiada o gol de Marko Devic, que selou o empate do Metalist Kharkiv por 1 a 1. Um resultado mais simbólico do que possa indicar, diante da boa atuação dos visitantes. Já é hora de o troféu trocar de mãos na Ucrânia?

Não há dúvidas que o Shakhtar é o favorito ao pentacampeonato ucraniano. Os Kroty passeiam na liga nacional há um bom tempo e, não à toa, almejam também um passo à frente na Liga dos Campeões. A questão é que o time de Mircea Lucescu passa por uma reformulação importante. Destaques como Willian, Fernandinho e Henrikh Mkhitaryan se foram nos últimos meses, enquanto a reposição foi composta basicamente por jovens, como Bernard, Fred, Fernando e Wellington Nem.

A reformulação pela qual passa o Shakhtar pensa no futuro, mas com nomes que já são realidade. O que não significa que o encaixe será imediato. E que dá esperanças para o Metalist e também para o Dnipro de, quem sabe, conquistar o título inédito. Tentando se ajeitar após um ano crítico, o Dynamo Kiev até gastou bastante na janela, mas precisa se ajeitar. E a ambição dos ascendentes é que as mesmas dificuldades sejam sentidas em Donetsk.

Com o empate deste sábado, o Metalist fecha o primeiro quarto da competição na liderança, único invicto até aqui. O Shakhtar aparece um ponto atrás, enquanto o Dnipro pode igualar seus tentos, caso vença o Dynamo no fechamento da rodada. Um sinal claro do equilíbrio de forças que tomou conta da Ucrânia nesta temporada. Em 2012/13, a esta altura, o Shakhtar continuava com 100% de aproveitamento e tinha seis pontos de folga no topo da tabela.

Seguindo o modelo que Rinat Akhmetov implementou com perfeição na Donbass Arena, o Metalist conta com vários sul-americanos do meio para frente. Uma base na qual os destaques são Marko Devic, José Sosa e Diego Souza. Em Dnipropetrovsk, o processo é parecido, embora com menos latinos. Evgen Seleznev e Evgen Konoplyanka são os grandes nomes locais, acompanhados por Giuliano.

O entrosamento de Metalist e Dnipro é exatamente o trunfo contra o Shakhtar. O talento é mais abundante nos Kroty e Mircea Lucescu já deu provas mais do que suficientes do que é capaz de fazer, perpetuando um campeão de futebol incisivo e quase imbatível na Donbass Arena. Todavia, se há um momento bom para uma reviravolta na Ucrânia, tirando a taça de Kiev ou Donetsk pela primeira vez desde 1992, ele acontece agora.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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