Leste Europeu

O melhor aconteceu

A partida começou com uma pressão enorme da Rússia. O Luzhniki Stadium, lotado, empurrava os russos para cima dos ingleses. Nem parecia que os termômetros marcavam 8º C. No entanto, Wayne Rooney fez questão de lembrar a temperatura aos torcedores e colocou a Inglaterra na frente, com um golaço aos 29 minutos de jogo.

Intervalo e muita apreensão. A Rússia fazia um bom jogo, mas estava sendo claramente superada tecnicamente pelo ingleses, que possuem um melhor time. Guus Hiddink resolveu entrar em ação e mudar as peças da partida. No meio-tempo sacou um defensor (Vasili Berezutski), trocou por um meia-ofensivo (Dmitri Torbinskiy), mudou o esquema de jogo e passou a dominar os ingleses. Aos 13 minutos do segundo tempo, fez a alteração que definiria a partida: sacou o inativo Alexandr Kerzhakov e colocou em campo Roman Pavlyuchenko.

Dez minutos depois, Rooney cometeu falta em Zyrianov, em cima da linha da grande área, e o árbitro espanhol Luis Medina Cantalejo marcou pênalti. Paylyuchenko cobrou forte, no canto direito de Paul Robinson, para empatar. E eis que, quatro minutos depois, o mesmo Pavlyuchenko, atacante do Spartak Moscou e um dos jogadores que mais marcou gols nos últimos anos na Premier Liga russa, após rebote de Robinson em chute de Alexei Berezutski, virou para os donos da casa.

Uma festa como há tempos não se via tomou conta de Moscou. Os ingleses, abobados em campo e nas arquibancadas (muitos usando os ushankas, tradicional chapéu russo, como forma de provocação), pareciam não acreditar no que acontecia. Em poucos minutos, a vaga na Eurocopa de 2008, que parecia tão perto, mudou de lado abruptamente. Duas semanas seguidas de ótimas notícias para o futebol russo, já que há alguns dias Hiddink renovou seu contrato até 2010.

A Rússia não possui um time de craques, mas uma equipe equilibrada e com bons jogadores. Sergei Ignashevich é um zagueiro firme e seguro; no meio, Diniyar Bilyaletdinov marca com eficiência e sai para o ataque com um bom toque de bola; Zyrianov dá o toque de experiência necessário ao time; Yuri Zhirkov é a habilidade e juventude necessárias na ala esquerda; enquanto o ataque possui, além de Kerzhakov (que não fez um bom jogo) e o herói Pavlyuchenko, Andrei Arshavin, jogador de extrema habilidade, com ótima técnica e que tem sido o craque da seleção nos últimos jogos e destaque também em seu time, o Zenit St. Petersburg.

Enfim, com a vitória sobre os ingleses, a vaga na próxima Eurocopa só depende dos próprios russos. Na verdade, esse posto será decidido no próximo dia 11 de novembro, quando a Rússia enfrenta Israel, fora de casa. Os israelenses fizeram uma boa eliminatórias e chegaram até mesmo a sonhar com a classificação, mas tombaram nos últimos jogos. Podem complicar a vida dos russos, mas, pela empolgação e melhor time liderado por Guus Hiddink, a vitória deve acontecer. Depois, na última rodada, quatro dias depois, é sacramentar a classificação com uma goleada contra Andorra, também fora de casa.

A classificação do grupo E tem a Croácia classificada, com 26 pontos em 11 jogos, Inglaterra 23 pontos e 10 jogos e a Rússia na sequência com uma partida a menos e 21 pontos. Os ingleses, na última rodada, ainda enfrentam os croatas, precisando vencer e de, pelo menos, um tropeço russo para não evitar o vexame da eliminação precoce. Será que os torcedores ingleses ainda estão com os ushankas na cabeça?

Terror britânico

Normalmente, esta coluna destaca as seleções de Rússia e Ucrânia, que naturalmente conseguem os melhores resultados. Pois nesta semana, quem merece a atenção é a seleção da Geórgia, que completou o pesadelo britânico diante dos soviéticos. A vitória por 2 a 0 sobre a Escócia, em Tbilisi, não acabou com as esperanças escocesas de avançar para a Euro, mas, no mínimo, complicou bastante, além de ter tirado o time do sonho que vivia.

Os gols de Mchedlidze e Siradze tiraram a Escócia da liderança do grupo B, agora nas mãos da França, e colocou um peso ainda maior na partida entre escoceses e italianos em novembro. Quem vencer se classifica para a Euro – a a Itália ainda enfrenta Ilhas Faroe, em casa, na última rodada. Se vencesse os georgianos, o time britânico poderia jogar por um empate.

Para a Geórgia, o resultado não alterou em nada sua situação. Permanece na penúltima colocação, com 10 pontos em 11 jogos, à frente somente da fraquíssima Ilhas Faroes, e empatada com a Lituânia, que tem, no entanto, uma partida a menos.

Pelo mesmo grupo, a Ucrânia apenas cumpriu tabela e goleou a própria Ilhas Faroe por 5 a 0, com três gols de Kalynichenko e dois de Gusev. Os ucranianos já estão eliminados e a saída de Oleg Blohkin do cargo deve acontecer em breve. A Ucrânia, na verdade, se despediu da Euro no final de semana, quando foi derrotada pela Escócia, em Glasgow, por 3 a 1.

CURTAS

– Confira abaixo todos os resultados envolvendo as seleções da região, nas duas últimas rodadas das eliminatórias da Euro`08. Entre todas seleções da antiga União Soviética, a Rússia é a única com chances de classificação.

Grupo A
Armênia 0x0 Sérvia
Azerbaijão 0x2 Portugal
Polônia 3×1 Cazaquistão
Cazaquistão 1×2 Portugal
Bélgica 3×0 Armênia
Azerbaijão 1×6 Sérvia

Grupo B
Escócia 3×1 Ucrânia
Itália 2×0 Geórgia
Ucrânia 5×0 Ilhas Faroe
Geórgia 2×0 Escócia
França 2×0 Lituânia

Grupo C
Moldávia 1×1 Turquia
Malta 2×3 Moldávia

Grupo E
Inglaterra 3×0 Estônia
Rússia 2×1 Inglaterra

Grupo F
Islândia 2×4 Letônia
Dinamarca 3×1 Letônia

Grupo G
Belarus 0x1 Luxemburgo (derrota vergonhosa para os bielorussos)

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Equipe Trivela

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