Leste Europeu

O ídolo pode voltar. E o craque?

Nas últimas duas semanas, a negociação entre o Lokomotiv Moscou e o meia Marat Izmailov tomou conta do noticiário russo todos os dias. O meia, ex-jogador do clube, está atualmente no Sporting Lisboa, mas já deu sinais de que quer sair de Portugal, e os Leões querem fazer caixa para contratar o também meio-campista Rúben Micael, do Nacional da Madeira. O Loko já fez uma proposta de € 5 milhões, recusada pelos Leões, que querem exatamente o dobro da quantia. A situação física do jogador, porém, pode fazer com que os russos pisem no freio.

Dentro de campo, não há dúvidas sobre o potencial de Izmailov. Revelado no clube, ele ascendeu da equipe B para a seleção nacional em um espaço de apenas seis meses, em 2001, quando ainda tinha 19 anos de idade. Rápido, habilidoso e dono de um bom chute de fora da área, ele foi eleito o melhor jogador jovem da temporada e cavou uma vaga na seleção russa que disputou a Copa do Mundo no ano seguinte. No Japão, ele foi um dos poucos a se salvar no fracasso da equipe, e o comentário geral é de que uma transferência para um centro maior era apenas questão de tempo.

No clube, o prestígio adquirido era cada vez maior. O Loko faturou a Premier Liga em 2002 e 2004 e chegou às oitavas de final da Liga dos Campeões em 2003/04, sendo eliminado pelo Monaco, que acabaria vice-campeão do torneio, no gol qualificado. Izmailov formava, junto com os já experientes Vladimir Maminov, Dmitry Loskov e Dmitry Sychev, um belíssimo quarteto que ainda tinha como reservas o então garoto Diniyar Bilyaletdinov e o hoje são-paulino Jorge Wagner, já em sua segunda e última passagem pela Rússia.

No ano seguinte, a sintonia da equipe não era mais a mesma. Algumas peças de reposição deixaram o clube, que perdeu força e terminou na terceira posição, atrás de um jovem time do CSKA, comandado por Daniel Carvalho e Vagner Love, e do Spartak Moscou, de Roman Pavlyuchenko. Tudo indicava, porém, que a carreira de Izmailov seguia tranquila no clube e na seleção, quando começou o tormento das seguidas lesões. A primeira delas foi uma tendinite.

Em 2006, o meia fez sua última partida pela seleção russa, que não se classificou para o Mundial, e as lesões persistiram, somadas à falta de perspectivas. Campeão nacional em duas oportunidades, Izmailov certamente pensava, como grande parte dos apaixonados por futebol, que o Loko era um clube com grandes ambições domésticas, mas poucas chances de brilhar em copas europeias. Desmotivado, jogou apenas 16 partidas no Campeonato Russo daquela temporada, e teve um desempenho discreto, a ponto de ser preterido pelo então novo técnico da seleção nacional, Guus Hiddink.

Uma mudança de ares se fazia necessária, e o empréstimo para o Sporting Lisboa, na temporada 2007/08, veio em boa hora para o meia. A estreia pela nova equipe aconteceu contra o Porto, pela Supercopa de Portugal, em 11 de agosto de 2007, e ele marcou o único gol da partida. Mesmo sofrendo com as antigas lesões, ele disputou 23 partidas na temporada e foi às redes quatro vezes, ajudando os Leões na campanha do bicampeonato da Copa de Portugal e no vice-campeonato nacional. A boa participação fez com que os lisboetas se dispusessem a pagar € 4.5 milhões para contratá-lo em definitivo.

Logo no início da temporada 2008/09, porém, a velha tendinite no joelho direito atacou novamente. Mesmo sem uma sequência de jogos, Izmailov já contava com o reconhecimento do clube e da torcida, e, quando pôde, ajudou o time na campanha do vice-campeonato. Mas voltou a sentir a lesão e desfalcou o time na fase preliminar da Liga dos Campeões 2009/10. A situação começava a ficar insustentável, mas o técnico Paulo Bento ainda contava com o meia para a temporada. Com a demissão de Bento, em novembro de 2009, foi sinalizado o fim da linha, e o russo começou a dar sinais de que queria sair de Alvalade.

Ele quer voltar ao país natal para recuperar, no Lokomotiv, o prestígio perdido nos últimos anos. E o Loko precisa de alguém competente para dividir com Wagner, a responsabilidade de criar as jogadas de ataque do time. Mas quer barganhar, e está mais do que certo em reclamar do olho grande dos. Afinal de contas, como é que um jogador que passa boa parte dos últimos anos contundido pode valer o dobro do que valia em 2007/08?

Para o Loko, há também uma incerteza. Apesar de tentar repatriar um ídolo do clube, fica a impressão de que o craque não vem junto no pacote. Izmailov terá que driblar todos – e não são poucos – os olhares desconfiados da torcida e da imprensa para mostrar que ainda pode jogar futebol em alto nível sem se machucar de dez em dez jogos.

Ansaldi na Copa do Mundo?

O lateral argentino Cristian Ansaldi disse ao jornal Sovetsky Sport que o técnico da seleção argentina, Diego Maradona, lhe dará outra oportunidade de mostrar serviço antes da Copa do Mundo de 2010. Ele não pôde participar do amistoso contra a Catalunha, pois lesionou-se na partida contra a Inter de Milão, pela última rodada da primeira fase da Liga dos Campeões.

Assim como Alex, do Spartak Moscou, ele tem a oportunidade de fazer história e se tornar o primeiro argentino atuando por um clube russo a defender a própria seleção em um Mundial. A falta de opções para o lado esquerdo da defesa albiceleste torna a convocação dele ainda mais provável, embora a vaga ainda tenha que ser conquistada dentro de campo. Ansaldi também tem a seu favor o fato de poder atuar nas duas laterais, característica sempre bem vinda quando o assunto é composição de elenco.

Ele ainda tem três anos de contrato a cumprir com os Tártaros, mas já foi procurado pelo Manchester City e uma transferência para a Inglaterra ainda no mercado de inverno não seria surpreendente. O Rubin atravessa sérios problemas financeiros e certamente não recusaria uma boa proposta.

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Equipe Trivela

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