Leste Europeu

O fim da invencibilidade

Em 22 de outubro de 2008, Liedson marcou o único gol da vitória do Sporting por 1 a 0 sobre o Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, pela fase de grupos da Liga dos Campeões. A partida, realizada no estádio Olímpico de Donetsk, havia sido a última derrota em casa da equipe ucraniana até esta semana. De lá para cá, o Shakhtar inaugurou a Donbass Arena, um dos estádios mais modernos do mundo, onde ainda estava invicto, e faturou um título ucraniano. Mas após a goleada sofrida em Barcelona, por 5 a 1 pelas quartas de final desta LC na semana passada, essa incrível invencibilidade doméstica parecia ter os dias contados com Lionel Messi em campo.

As previsões sobre o jogo da volta realmente não estavam erradas. Afinal, o Barça venceu novamente os Mineiros, desta vez apenas por 1 a 0, mas com um gol do melhor jogador do mundo. O que ninguém, mas ninguém mesmo esperava, era que o recorde cairia antes.

No sábado, final de tarde em Donetsk, 26.031 torcedores foram até a Donbass Arena acompanhar mais um jogo do Campeonato Ucraniano. Pela 24ª rodada, o Shakhtar teria pela frente o Obolon Kiev, equipe do escalão intermediário da competição.

Fundado em 1992, o Obolon é presidido por Oleksandr Slobodian, dono também da maior cervejaria do país, que produz a cerveja com o mesmo nome do clube. Apesar disso, possui um orçamento pequeno, e que fica menor ainda quando comparado com o elaborado por Rinat Akhmetov no Shakhtar. No currículo, títulos apenas nas divisões menores, mas um histórico de atrapalhar os grandes do país – e isso somente com jogadores ucranianos no atual elenco. Tanto que, no primeiro turno, foi o responsável por uma das duas derrotas que os líderes do Ucraniano haviam sofrido até então – jogo em que Fernandinho fraturou a perna.

De qualquer modo, o Obolon trazia boas lembranças aos Mineiros. Afinal, em 27 de setembro de 2009, a equipe de Kiev foi a “convidada de honra” para inaugurar a Donbass Arena. Pela oitava rodada do Campeonato Ucraniano, o Shakhtar foi um cruel anfitrião e goleou por 4 a 0. Jadson, Ilsinho, Kobin e Willian fizeram os gols da tranquila vitória com arquibancadas lotadas.

Neste domingo, novamente contra o Obolon, Kobin e Jadson estiveram em campo desde o início. O técnico Mircea Lucescu promoveu algumas alterações na equipe, já pensando no confronto contra o Barcelona e também por algumas suspensões – Willian e Luiz Adriano. De qualquer modo, os 11 que foram a campo formaram um time acostumado a vencer.

Os donos da casa começaram pressionando, criando diversas oportunidades. Eduardo da Silva obrigou o goleiro Oleksandr Rybka a fazer uma grande defesa em uma cabeçada. A situação ficou mais tranquila quando, aos 16 minutos do segundo tempo, Vadym Panas foi expulso, após receber o segundo cartão amarelo por dar sequência a uma jogada depois do apito do árbitro. O azar dos visitantes não parava de aumentar: pouco depois, Rybka se machucou e o técnico Serhiy Kovalets foi obrigado a mandar para campo Ihor Berezovsky, de apenas 21 anos.

Com um a mais em campo, era questão de tempo para o gol sair. E saiu, só que para o Obolon Kiev.

Aos 41 minutos, em uma linda cobrança de falta, colocada com perfeição no ângulo, Serhiy Kucherenko deixou os torcedores e os jogadores adversários atônitos. Alguns, nas arquibancadas, nem pararam de balançar as bandeiras. Pareciam não acreditar. Estavam à espera da bandeira do assistente levantada marcando alguma coisa. Faltavam poucos minutos. A invencibilidade tinha acabado. Até então, esses torcedores haviam visto 35 vitórias em 32 jogos nesse estádio.

O resultado, em si, pouco interferiu na campanha rumo ao bicampeonato ucraniano do Shakhtar. Mas abalou a confiança do time. Contra o Barça, começou pressionando, desperdiçou chances e colecionou sua segunda derrota na Donbass Arena. Sua primeira sequência de derrotas em casa.

Com 11 pontos de vantagem sobre o Dynamo Kiev, faltando seis rodadas, o Shakhtar Donetsk está muito próximo de mais uma conquista nacional. Neste final de semana vai até a Crimeia, onde terá um duro confronto com o Tavriya Simferopol, que faz boa campanha e ocupa a sexta colocação. Porém, tem contado também com a incompetência de seu grande rival para manter a larga vantagem. Um exemplo aconteceu um dia depois da histórica derrota na Donbass Arena: Metalurh Zaporizhya, lanterna e virtualmente rebaixado, 1, Dynamo Kiev também 1.

Nessa sequência da competição, caberá a Mircea Lucescu colocar novamente as engrenagens do Shakhtar no trilho e rumar para o título. Teoricamente isso não será um problema. A eliminação para o Barça foi natural, tanto que a diretoria do clube foi só elogios à campanha na Liga dos Campeões. E promete voltar ainda mais forte para a competição na próxima temporada. Para isso, o espaço na galeria de troféus para o sexto título ucraniano da história do clube já está reservado.

No dia da derrota para o Obolon, houve até um casamento na Donbass Arena: será que os noivos deram azar para o time?

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Equipe Trivela

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