Leste Europeu

O fator Magrão

Após os primeiros 45 minutos do jogo entre Rubin Kazan e Dynamo Kiev, a possibilidade do debut histórico do clube russo na Liga dos Campeões terminar em festa era real. A equipe vencia por 1 a 0, com gol marcado por Alejandro Domínguez em bela cobrança de falta, premiava uma equipe que parecia não sentir o fato de jogar a competição mais importante do continente pela primeira vez e atuava, como de costume, com muita solidez defensiva e eficiência nos contra ataques.

O Dynamo, que começou o jogo de maneira apática, só acordou após tomar o gol, aos 25 minutos. Ainda assim, só chegou uma vez com perigo à meta de Sergei Ryzhikov, o que, convenhamos, é muito pouco para uma equipe que jogava em casa.

Veio o segundo tempo, e os kazanianos conseguiam segurar bem a pressão até os 26 minutos, quando a estrela do ex-cruzeirense Gerson Magrão começou a brilhar. O meia cobrou o escanteio que originou o gol de empate, marcado pelo nigeriano Yussuf Ayila. Oito minutos depois, Magrão marcou, ele mesmo o gol da virada com um belo chute de perna esquerda e comemorou com bons palavrões em português, tirando a camisa na corrida. Nos minutos finais extremo direito Oleg Husyev selou a vitória do Dynamo por 3 a 1.

A boa atuação de Gerson Magrão como meia mostra que sua decisão de se transferir para a Ucrânia foi, além de financeiramente vantajosa, correta do ponto de vista técnico. Nas duas temporadas que passou sob o comando de Adílson Batista no Cruzeiro, ele alternava entre a lateral esquerda e o meio-campo, e passava por uma situação complicada.

Ao mesmo tempo em que não se firmava na lateral, Gerson Magrão enfrentava a concorrência dos também recém-vendidos Wagner e Ramires no setor de armação. Além disso, as lesões que afetaram Fernandinho, Sorín e Athirson obrigavam Adílson a seguir improvisando, e Magrão era, na maioria das vezes, o designado para “quebrar o galho”. Como resultado, acabou sendo apontado como um dos vilões da derrota celeste para o Estudiantes na final da Taça Libertadores da América, e, logo em seguida, vendido.

Na Ucrânia, Gerson terá espaço para atuar em sua posição real, puxando contra ataques em velocidade e finalizando bem com a perna esquerda. Com uma atuação decisiva logo em sua terceira partida, a tendência é que o ambiente dentro em Kiev se torne cada vez mais favorável para o meia, que pode ter salvado, ao menos momentaneamente, a temporada do Dynamo.

Em um grupo com Barcelona e Inter de Milão, os ucranianos disputavam logo de cara a partida teoricamente mais fácil, e vencer o jogo desta quarta-feira era uma questão de vida ou morte. Os três pontos, além da liderança temporária do grupo, dão mais segurança ao time, que vai encarar os gigantes da chave como franco-atirador e pode aprontar surpresas.

Aos russos, resta lamentar os descuidos e, em certa medida, a covardia do técnico Gurban Berdiýev, que praticamente abdicou do ataque ao substituir o autor do gol Alejandro Domínguez pelo polonês Rafal Murawski aos 22 minutos do segundo tempo, quando os russos ainda venciam por 1 a 0. O cansaço da equipe, que, ao contrário do Dynamo, atuou no fim de semana com todos os titulares na goleada por 5 a 1 contra o Saturn, também pode ter pesado nos minutos finais.

Em busca de um “meio termo”

Depois da euforia com a vitória por 3 a 0 contra o Krylya Sovetov, no último sábado e da decepção com a derrota por 3 a 1 para o Wolfsburg na terça-feira pela Liga dos Campeões o CSKA agora se prepara para o clássico contra o Dynamo Moscou, no próximo domingo, pela 22ª rodada do Campeonato Russo. O army-team ocupa a terceira posição com 36 pontos, quatro a menos que o Spartak Moscou, vice-líder, e dez a menos que o líder Rubin Kazan.

A principal missão do técnico Juande Ramos em sua terceira partida é começar a encontrar um equilíbrio para a equipe, que se caracterizou pela inconstância durante toda a temporada. O objetivo do time é chegar pelo menos ao vice-campeonato para garantir vaga direta para a fase de grupos da Liga dos Campeões.

Para isso, Ramos conta com o bom entendimento entre a dupla Guilherme-Dzagoev, que, mesmo na derrota para o Wolfsburg, mostrou boa desenvoltura no lance do gol de honra, marcado pelo meia russo. O tcheco Tomas Necid, que estava cotado para disputar o Mundial Sub-20, não foi convocado para a sua seleção e também poderá ajudar a equipe.

Os dois líderes atuam fora de casa nessa rodada. O Rubin vai a Tomsk, enfrentar o Tom Tomsk, enquanto o Spartak Moscou encara o Saturn na capital russa. O Zenit, quinto colocado, enfrenta o Krylya Sovetov, em Sâmara. O Lokomotiv, que agora ocupa a quarta colocação e venceu cinco dos últimos seis jogos, joga contra o FC Moskva, que teve uma pequena queda de desempenho nas últimas partidas.

Retorno em breve

O meia Íbson, do Spartak Moscou, já tirou as muletas e tem seu retorno aos gramados marcado para, no máximo,três semanas. O ex-flamenguista, que havia fraturado o pé esquerdo no dia 5 de agosto, na partida entre Spartak e FC Moskva, está agora entregue à fisioterapia e aguarda com ansiedade pelo retorno aos treinos.

Quem deve estar contente com isso é o técnico Valery Karpin, que, pouco a pouco, começa a ter mais opções para montar o meio-campo da equipe. O Spartak, que ainda sonha com o título, precisa voltar a vencer para continuar na zona de classificação da Liga dos Campeões.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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