O fator Kerzhakov

Aleksandr Kerzhakov é um dos jogadores mais talentosos da atual geração do futebol russo. Começou a carreira no Zenit St. Petersburg, onde jogou por cinco anos e marcou 64 gols em 159 partidas pela equipe. No final de 2006, foi negociado com o Sevilla-ESP por cerca de € 5 milhões e chegou ao clube andaluz com o aval do técnico Juande Ramos.
Começou 2007 como titular, atuando ao lado de Frédéric Kanouté e deixando Luis Fabiano no banco. Caiu nas graças da torcida, marcou alguns gols (inclusive o da classificação contra o Tottenham-ING pelas quartas-de-final da Copa Uefa) e tinha se firmado na equipe. Porém, tudo mudou com a saída de Ramos justamente para o Tottenham em outubro. Com a promoção de Manuel Jiménez ao cargo de treinador, Kerzhakov foi perdendo espaço.
O Sevilla ainda trouxe o marfinense Arouna Kouné para o ataque, que também viu o ressurgimento de Luis Fabiano. Tudo isso, aliado à antipatia de Jiménez com Kerzhakov, fez o russo se tornar um frequentador assíduo do banco de reservas – e numa temporada fundamental para os atletas russos, que terão a chance de disputar a Eurocopa em junho.
Guus Hiddink, técnico da Rússia, deixa bem claro que não tem preferência por jogadores com “nome”, e sim por aqueles que estejam em boa forma, atuando regularmente e, de preferência, contem com alguma experiência internacional. Com isso, Kerzhakov se viu numa situação complicada e resolveu forçar uma saída do Sevilla.
No final do ano passado, seu nome foi especulado por alguns times da Europa, entre eles o Tottenham de Juande Ramos, que o queria em White Hart Lane, e o Paris Saint-Germain. Nada aconteceu, a janela de transferências fechou e todos imaginavam que o russo permaneceria em Sevilla. Eis que ele passou a declarar para a imprensa russa que seria um prazer retornar ao país e lutar por uma vaga entre os titulares da seleção. Não demorou para os clubes russos ficarem alvoriçados.
Quem correu na frente – e com € 7 milhões no bolso – foi o Dynamo Moscou, que nesta semana repatriou Aleksandr Kerzhakov. O jogador assinou um contrato de três anos, com uma cláusula que permite sua saída para uma equipe estrangeira nos próximos seis meses, mediante uma proposta de € 8 milhões. Algumas análises bem simples podem ser feitas de toda essa história:
1 – Kerzhakov fracassou na sua experiência em uma grande liga européia. Por mais que ele tenha tido problemas com o novo técnico do Sevilla, passou por uma fase sem gols e viu seus rivais de posição deslancharem.
2 – Mais uma prova do poderio financeiro da Premier Liga russa. A partir do momento que a possibilidade de retorno de Kerzhakov foi ventilada, ficou difícil imaginar que isso não aconteceria. O Dynamo bancou, mas pelo menos outros quatro times teriam condições financeiras de arcar com a transferência.
3 – A mentalidade do jogador russo não muda. Isso já foi debatido nesta coluna muitas vezes, baseado em depoimentos de ex-jogadores que brilharam na Europa, como Andrei Kanchelskis: o jogador russo se acomoda e recusa mudanças para clubes de outros países, porque sabe que pode viver muito bem na Rússia, em uma grande equipe e um excelente salário. Essa é uma das maiores reclamações de Guus Hiddink: falta experiência internacional aos jogadores.
Por um lado, este último fator é positivo para o campeonato, já que com os principais jogadores do país atuando em campos russos, os torcedores ficam motivados. Por outro lado, a preocupação de Hiddink é válida. Ainda mais em ano de Eurocopa.
Retorno aos velhos tempos?
Já que o Dynamo Moscou entrou na pauta, é bom dar um destaque ao tradicional time russo. Nos últimos anos a equipe andou meio em baixa no país. Há duas temporadas, quase foi rebaixado junto com o Torpedo Moscou – sobrou só para o último. Mas em 2007 o clube montou um time barato, foi muito bem (terminou em sexto) e para esta temporada as perspectivas melhoraram muito.
Além da chegada de Kerzhakov e da manutenção dos principais jogadores, o Dynamo anunciou nesta semana um novo acordo de patrocínio. A companhia metalúrgica Metalloinvest estampará sua marca na camisa do clube.
A empresa pertence a Alisher Usmanov, bilionário russo que também possui ações do Arsenal-ING. Pelo acordo, a Metalloinvest patrocinará a equipe por um ano. Não foram revelados os valores envolvidos, mas estima-se que o acerto tenha ficado em torno dos US$ 7 milhões. No início deste mês, Usmanov ampliou sua participação nas ações dos Gunners, agora pouco superiores a 24%.
“Para mim, o Dynamo é como o primeiro amor. Na primeira vez na qual fui ao estádio da equipe, vi a partida entre União Soviética e Brasil, em 1963. Infelizmente, nossa seleção perdeu”, afirmou, em entrevista coletiva. O Dynamo também acertou nesta semana com o zagueiro polonês Marcin Kowalczyk, de 22 anos, que estava no GKS Belchatow-POL, e defendeu a seleção polonesa sub-21 em cinco oportunidades.
CURTAS
RÚSSIA
– O Zenit surpreendeu e eliminou o Villarreal-ESP na Copa Uefa. Após ter vencido o primeiro jogo, na Rússia, por 1 a 0, perdeu por 2 a 1 na semana passada e avançou pelos gols marcados fora. Pega agora, nas oitavas-de-final, o Olympique de Marselha, que eliminou o Spartak Moscou. Jogos nos dias 6 e 12 de março.
– Duas más notícias no entanto: a suspensão de três jogos imposta pela Uefa ao técnico do Zenit, Dick Advocaat, e a contusão do zagueiro belga Nikolas Lombaerts, que deve ficar de fora da equipe de seis a oito semanas.
UCRÂNIA
– O Metalurg Donetsk surpreendeu com o anúncio da contratação do experiente atacante brasileiro Aílton, de 34 anos, que estava no Duisburg-ALE e foi dispensado pela equipe alemã após algumas confusões. Ele acertou um contrato por duas temporadas com a equipe ucraniana.
– Ele atuou em apenas oito partidas na Bundesliga e marcou um gol. Em sua carreira, o brasileiro também passou por Schalke 04, Werder Bremen, Hamburg e Besiktas, entre outros clubes.
– A seleção ucraniana acertou um amistoso com a Suécia para o dia primeiro de junho, em Estocolmo.


