Leste Europeu

O ataque complicou a defesa

Costumo dizer que o Rubin Kazan é o time mais chato do Campeonato Russo. Futebol feio, muita marcação, pouquíssima criatividade. Tática, no entanto, que tem dado certo, afinal, o time conquistou dois títulos nacionais nos últimos anos. E isso é extramamente válido, já que cada equipe busca a melhor forma de jogar o futebol e conquistar seus objetivos, seja atacando o tempo todo ou se defendendo com unhas e dentes.

Só que nesta terça-feira o Rubin se confundiu. Ou melhor, o técnico Kurban Berdyev. Contra o Lyon, na França, pelo jogo de ida dos play-offs da Liga dos Campeões, a equipe russa foi para o ataque. Surpreendeu os Gones no início, fez 1 a 0 e poderia ter feito uma partida excelente e conquistado a vaga já nessa partida. Mas não foi o que aconteceu. Os russos levaram a virada, o terceiro gol e só não voltaram para casa com o quarto por pura incompetência de Gomis e Michel Bastos. E a tão sonhada terceira classificação seguida para a fase de grupos se tornou complicadíssima.

Vamos às explanações: o Rubin Kazan costuma jogar no 4-1-4-1, com uma linha de defensores atrás, um volante à frente, dois jogadores de marcação pelo meio, dois mais criativos abertos e um centroavante enfiado. Como já disse, tem dado certo e todo o elenco conhece muito bem essa forma de jogar.

Berdyev, contrao Lyon, fez alterações táticas que deixaram o time mais ofensivo, mas com sua defesa completamente desprotegida. Ele substituiu o 4-1-4-1 para uma espécie de 3-4-2-1, mantendo os mesmos jogadores.

O instável Ryzhikov foi o goleiro, com Kverkvelya, Bocchetti e Sharonov como zagueiros – este último sempre era o volante, o 1, à frente da defesa. Com isso, liberou os laterais Kuzmin e Kaleshin. No meio, manteve Noboa e Natkho centralizados, mas distantes dos defensores, deixando um buraco na intermediária defensiva. No meio ofensivo, deu total liberdade de movimentação a Karadeniz e Kasaev e enfiou na área Dyadyun.

Tudo isso fez com que o Rubin ficasse com seus três zagueiros expostos, quase sempre no um-contra-um com os atacantes do Lyon ou mesmo em desvantagem numérica. Foram várias as vezes em que os donos da casa atacavam com um jogador a mais e via-se os laterais ou os meias do time russo voltando para compor a defesa atrasados.

Pelos lados do campo estavam os vazios, e o Lyon percebeu isso – na primeira etapa atacou o tempo todo pela Avenida Kuzmin, número 2, onde saíram os dois primeiros gols dos franceses. Michel Bastos e Jimmy Briand fizeram a festa por lá, se alternando o tempo todo.

No início do jogo, o esquema do Rubin deu certo e resultou no 1 a 0. Só que aí Berdyev deveria ter percebido a limitação de seu time e retomado um esquema mais convervador. Se tivesse segurado pelo menos seus dois laterais, já teria evitado diversos transtornos futuros. E também nesse início da partida, a própria postura do Rubin parecia meio varzeana, atacando de qualquer maneira e se esquecendo da defesa completamente.

Sei que nós, jornalistas, sempre pedimos times mais ofensivos, criativos, e que o treinador do Rubin atendeu a tudo isso no início do jogo. Mas é preciso, acima de tudo, vencer. E o Rubin Kazan se complicou demais agora.

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Equipe Trivela

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