Não é bem assim

O assunto é recorrente na imprensa brasileira. Nesta semana foi Vagner Love, de novo. O jogador esteve no Brasil, foi à Gávea para negociar uma dívida antiga com o Flamengo e teria acertado seu retorno ao clube. O exemplo é típico. Tudo certo, maravilhoso, torcida já pode festejar… só esqueceram de avisar o CSKA Moscou.
Outro: o Corinthians quer Alex. O técnico Tite já disse, até mesmo, que torce contra o Spartak Moscou na Liga Europa, porque a eliminação da equipe facilitaria a negociação. A notícia chegou na Rússia, e Valery Karpin foi bem claro: “Acho que eles não têm € 100 milhões para a contratação do nosso meia”.
Estes são apenas dois casos, mas que refletem como parte da imprensa brasileira age especulando retornos e cravando que já está tudo resolvido. Nisso, o torcedor é enganado, muitas vezes propositalmente, e se deixa levar pelo oba-oba.
É claro que os jogadores brasileiros querem voltar. Veem o mercado daqui aquecido, pagando ótimos salários, repatriando diversos “europeus” e se arrependem de ter ido para o “frio da Rússia”. Esquecem que são muito bem pagos lá, assinaram contratos vantajosos e têm responsabilidades com o clube e os torcedores.
Nos casos de Vagner Love e Alex, há ainda a questão tática das equipes. O atacante, por exemplo, é titular absoluto do CSKA, que completa 100 anos em 2011, e fundamental no esquema do técnico Leonid Slutsky. Além disso, o elenco conta somente com mais dois companheiros para a posição. Já Alex é capitão do Spartak Moscou e principal jogador do Campeonato Russo na atualidade.
Os times russos pagam bem para levar os jogadores brasileiros, normalmente destaques em suas equipes aqui. E, obviamente, se protegem bem também. Não vão gastar alguns milhões de euros para, passados alguns meses, liberar o atleta sem custos. Como a imprensa daqui noticia, muitas vezes, parece que eles têm a obrigação de emprestar ou ceder em definitivo o jogador, caso este já tenha “tudo acertado” com um clube brasileiro.
O grande ponto de toda essa discussão passa, também, pela mentalidade dos jogadores (sobre isso, já escrevi bastante aqui). Tema comum desta coluna, é bem verdade, e que vez ou outra precisa ser debatido. Os jogadores brasileiros não olham para o futuro como deveriam. Jucilei, por exemplo: recebeu uma proposta milionária do Anzhi, disse que podia ficar rico aos 22 anos e, certamente, nem se deu ao trabalho de conhecer só um pouco para onde foi.
Com isso, daqui pouco tempo, ele aparecerá reclamando do frio, alegando saudades da família e dos amigos e, principalmente, do arroz com feijão. Logo seu empresário passará a especulá-lo em diversos clubes e, aos poucos, vai forçando a barra para sair.
Mudando de país e indo para a Ucrânia, a situação não muda muito. Basta ver a recente contratação do atacante Guilherme, pelo Atlético Mineiro. Há meses diversos clubes brasileiros especulavam sua contratação. O Dynamo Kiev sempre manteve sua postura: querem levar, paguem. E foi o que aconteceu com o Galo, que desembolsou € 6 milhões.
Enquanto isso, no Shakhtar Donetsk, Marcelo Moreno vive situação semelhante. Só que, até agora, ninguém quis abrir os cofres.


