Leste Europeu

Na hora de tirar o 10…

Após ficarem de fora da Copa do Mundo de 2006, os russos resolveram investir pesado para melhorar a qualidade da seleção local, que sempre se manteve como uma força mediana no continente europeu. A expectativa era montar um time competitivo, que pudesse sonhar com algo além de um “bom papel” nas grandes competições internacionais.

O escolhido para comandar esse processo foi Guus Hiddink, holandês supercampeão que dispensa maiores apresentações. E tudo vinha acontecendo dentro da normalidade até a derrota desta quarta-feira, em Maribor, contra a Eslovênia, que tirou a seleção russa da Copa do Mundo e provavelmente privou jogadores como Andrei Arshavin de disputar o Mundial no auge da forma física e técnica. É necessário, no entanto, ter muita calma para analisar o trabalho de Hiddink até agora e, de preferência, fugir da esteira de críticas provocadas pelo seu resultado final.

Se não encontrou uma “terra arrasada” quando assumiu o cargo após a Copa do Mundo de 2006, quando assumiu a equipe, o holandês esteve muito perto disso. Alguns problemas de relacionamento entre jogadores vieram à tona, e o time mostrava talento, mas não conseguia vencer porque não tinha ambição. “Quando cheguei aqui, tanto fazia ganhar ou perder para uma seleção forte, o clima no vestiário era praticamente o mesmo. Hoje isso mudou e meus jogadores ficam tristes com derrotas como essa”, declarou Hiddink após perder para a Alemanha ainda na fase de grupos.

Veio a classificação para a Euro 2008 e a campanha durante o torneio continental encantou o mundo do futebol. Jogadores como Arshavin, Pavlyuchenko e Bilyaletdinov ganharam projeção internacional e os russos passaram a ser vistos com outros olhos, adquirindo inclusive o status de seleção que mais tinha chances de surpreender na África do Sul. A confiança no trabalho de Hiddink, como não poderia deixar de ser, aumentou substancialmente, assim como surgiu, entre os fãs de futebol no país um sentimento de gratidão pelos serviços prestados.

A campanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo também foi digna de aplausos: os russos tiveram apenas duas derrotas, ambas para os alemães, durante a fase de classificação, e um empate contra o Azerbaijão em jogo que apenas cumpriu tabela na última rodada. A Alemanha ficou com a vaga direta e, aos comandados de Hiddink, só restava a repescagem para finalmente carimbar o passaporte.

No interlúdio de pouco mais de um mês entre o fim das Eliminatórias e a disputa da repescagem, porém, alguma coisa parece ter mudado. Alguns jogadores declararam publicamente que queriam enfrentar a Eslovênia, que era, teoricamente, a seleção mais fraca do outro pote, e comemoraram antecipadamente quando o sorteio indicou esse confronto. A classificação para a Copa do Mundo parecia apenas uma questão formal, burocrática, que aconteceria naturalmente.

No primeiro jogo, em Moscou, a superioridade russa foi evidente. Os dois gols de Bilyaletdinov davam justiça ao placar, mas as oportunidades perdidas evitavam que a tranquilidade fosse maior na própria partida. Quando a Eslovênia diminuiu – e quase empatou – no fim, porém, o sinal de alerta foi ligado e todos sabiam que o confronto em Maribor iria ser difícil.

Ainda assim, algumas posturas demonstram que havia um certo tipo de desdém. O atacante Roman Pavlyuchenko, por exemplo, chegou a posar para fotos ao lado de uma bandeira da África do Sul antes do jogo na Eslovênia. Mas o próprio Hiddink demonstrou respeito ao adversário ao tirar Sergei Semak do time para fechar a defesa com Renat Yambaev e apostar em contra ataques. Durante a partida, o que se viu foi uma equipe que parou em um eficiente sistema defensivo montado pelo técnico Matjaz Kek e ficou sem forças para reverter o placar após sofrer o primeiro gol.

Após o jogo, porém, Hiddink não compareceu à entrevista coletiva, alegando um mal entendido sobre o local onde encontraria os repórteres. Sobre a partida, ele culpou a arbitragem novamente, a exemplo do que fez após a derrota contra a Alemanha. “Kerzhakov e Zhirkov foram expulsos injustamente, e isso minou nossas chances de reação”, analisou. A atitude soa mesquinha para um técnico com duas semifinais de Copa do Mundo no currículo.

Sobre sua situação no cargo, o holandês afirmou que continuará na equipe. “Tenho contrato com a seleção russa até 2010 e pretendo seguir trabalhando com esse time até que meu futuro se resolva”, disse. O saldo do seu trabalho, porém, é positivo apesar do desastre, e o respeito conquistado não foi perdido de uma hora para outra. Mas fica a sensação de que os russos já abusaram do direito de vacilar em momentos decisivos, e que, se quiserem ser vistos como gente grande no mundo do futebol, não podem mais se dar ao luxo de manter o atual índice de erros.

Ucrânia perde e também está fora da Copa

Depois de 180 minutos de total inoperância ofensiva, a Ucrânia perdeu, em casa, a chance de se classificar para a sua segunda Copa do Mundo na história ao ser derrotada por 1 a 0 pela Grécia, em Donetsk, também nesta quarta-feira. O gol da vitória marcado por Salpingidis, aos 31 minutos do primeiro tempo. O resultado, e principalmente a atuação dentro de campo, são preocupantes para o torcedor ucraniano. Afinal de contas, o empobrecimento técnico pelo qual a seleção nacional passou nos últimos anos é flagrante.

Além disso, não se pode mais contar com Andriy Shevchenko aos 20 e poucos anos e no auge da forma como em anos anteriores. E o maior candidato a ser seu sucessor técnico, Artem Milevskiy, já mostrou por diversas vezes que pode até ser um bom coadjuvante, mas não tem qualidade suficiente para ser a principal estrela de um time que aspira grandes objetivos. Resta agora torcer para que a geração campeã europeia sub-19 assuma o bastão e mostre a que veio na próxima década.

Rubin: chance de comemorar o bi em casa

O Campeonato Russo terá sua penúltima rodada disputada nesse fim de semana e, caso o Rubin Kazan vença o Zenit, em Kazan, já poderá dar a volta olímpica sem depender de qualquer outro resultado. Com 59 pontos contra 55 do Spartak Moscou, os Tártaros têm a oportunidade de faturar o bicampeonato em casa, com o apoio da torcida, e mostrar que também podem conquistar pontos dentro de seus domínios. Mas, se não conquistarem o título agora, não há motivo para pânico. O adversário do próximo fim de semana é o Kuban, que está às portas do rebaixamento.

O Zenit, por sua vez, promete vender caro a vitória, pois ainda luta com mais três para assegurar a terceira posição que ocupa atualmente e lhe daria o direito de disputar a fase preliminar da Liga dos Campeões. Entre outros jogos importantes da rodada, destaque para o clássico entre Spartak Moscou e CSKA, que pode ser decisivo na vida das duas equipes. O Spartacus precisa vencer e contar com um tropeço do Rubin para se manter vivo na luta pelo título, enquanto o exército vermelho, atualmente na sexta posição, precisa da vitória e de uma derrota do Zenit para continuar sonhando com a vaga na Liga dos Campeões.

Também em Moscou, o quarto colocado Lokomotiv precisa vencer o Dynamo para seguir com chances de classificação à LC. O FC Moska, quinto na classificação, encara o Spartak Nalchik. A briga entre essas quatro equipes é, definitivamente, a principal atração desta reta final do campeonato.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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