Mkhitaryan se aposenta da seleção da Armênia, após se transformar no grande símbolo do futebol no país
Mkhitaryan defendeu a Armênia durante 15 anos, tornando-se recordista em gols e segundo com mais jogos pela equipe nacional
A seleção da Armênia se despediu, nesta quinta-feira, daquele que pode ser considerado o maior jogador da história do país. Henrikh Mkhitaryan decidiu colocar um ponto final em sua carreira internacional. O meia de 33 anos declarou que seu objetivo é focar em seu trabalho por clubes, atualmente na Roma, e por isso não deseja mais ser convocado. Chamado pela primeira vez à equipe principal em 2007, Mkhitaryan anotou 32 gols em 95 partidas com os armênios. Não chegou a levar o país a qualquer competição internacional, mas ainda assim viveu momentos relevantes e permitiu que seus compatriotas sonhassem com feitos inéditos.
“Eu me lembro da primeira vez que coloquei a camisa da seleção, foi num amistoso contra o Panamá, e do meu primeiro gol, em um jogo das Eliminatórias da Copa contra a Estônia. Eu queria vencer em cada passo da minha carreira, não importava o quão difícil seria. Foi uma honra jogar por meu país durante os últimos 15 anos e uma honra ainda maior ser capitão pelos últimos seis anos. Depois de 95 partidas, trabalho duro, paixão e altos e baixos sem precedentes ao longo da jornada de representar meu país em campo, tomei a decisão de encerrar minha carreira internacional com a seleção da Armênia”, escreveu Mkhitaryan.
“Tomei essa decisão depois do meu último jogo, contra a Alemanha, em novembro. Acho que esse é o momento certo. Dei tudo que eu podia para minha seleção. Durante os próximos anos, estarei focado na minha carreira por clubes. Meu ninho futebolístico foi montado na Armênia, minha pátria, e para sempre serei grato a cada pessoa que me apoiou, me treinou, que jogou comigo e que contribuiu para meu crescimento como jogador e como pessoa. Boa sorte à minha seleção!”, complementou.
Mkhitaryan teve passagens breves pelas seleções de base a partir de 2006. Em 2007, uma semana antes de completar 18 anos, ganhou a chance de estrear pela equipe nacional contra o Panamá. Durante seus primeiros anos, o armador ainda conciliou seu espaço no time principal com as convocações pelo sub-21. A partir de 2009, suas chances no elenco adulto se tornaram mais frequentes. Nesta época, o meia vivia seu período de afirmação no futebol ucraniano, especialmente ao se transferir para o Shakhtar Donetsk em 2010.
Contar com um talento da projeção de Mkhitaryan era algo excelente à Armênia, acostumada a ser coadjuvante nas qualificações europeias. O país flertou com classificações inéditas. Um momento especial aconteceu nas Eliminatórias para a Euro 2012, quando os armênios venceram metade de seus jogos e ficaram a quatro pontos da repescagem. Mkhitaryan foi o artilheiro de sua chave, com seis gols. A equipe também teria resultados interessantes no qualificatório para a Copa de 2014, quando chegou a golear a Dinamarca por 4 a 0 em Copenhague, embora tenha passado longe de brigar com a Itália. O problema é que as campanhas não deram um salto depois disso e a equipe nacional estagnou.
Durante os últimos anos, a Armênia dava a impressão que Mkhitaryan não seria a andorinha que faria verão, mesmo com suas passagens por Borussia Dortmund, Manchester United ou Arsenal. Nem o aumento de vagas para a Eurocopa ajudou, já que os armênios não chegaram a brigar com tanta força por um lugar na competição. Certo alento veio com os dois acessos seguidos na Liga das Nações. Já a despedida ocorreu de forma digna, nas Eliminatórias para a Copa de 2022. A Armênia começou muito bem a campanha e chegou a liderar o Grupo J, o mesmo da Alemanha. Contudo, a equipe perdeu fôlego e passou a sofrer goleadas, que distanciaram da briga.
O elenco atual da Armênia possui alguns talentos. Nomes como Sargis Adamyan e Lucas Zelarayán parecem capazes de manter algum nível competitivo. Joaquín Caparrós também é um treinador muito experiente. De qualquer maneira, falta um protagonista como Mkhitaryan. O meia é o segundo jogador com mais partidas disputadas pelo país, atrás apenas do ex-lateral Sargis Hovsepyan. Também é o maior artilheiro, com mais que o dobro de gols do segundo colocado. Se não deu para pintar nos grandes palcos, como Khoren Oganesian (considerado o maior jogador armênio do Século XX, presente com a União Soviética na Copa de 1982), o armador certamente encheu de orgulho seus compatriotas.
Neste momento, a carreira de Mkhitaryan indica um declínio. O meia segue como um jogador importante da Roma e tem seus momentos de brilho, mas não mais no nível em que se apresentava por Dortmund ou Shakhtar. Mesmo em comparação com seus dois ótimos primeiros anos na Serie A, sua influência atual nos giallorossi vem em queda. Considerando o desgaste físico, a decisão é compreensível. No entanto, muitos armênios deverão estar se perguntando agora quando encontrarão um novo Mkhitaryan.


