Leste Europeu

Mesmos problemas…

Em 2 de dezembro o país explodiu de alegria. O frio era intenso, então poucas pessoas se aventuraram nas ruas de Moscou e das principais cidades da Rússia. A comemoração, mesmo, aconteceu nos bares, com o aquecimento provido pelo gás natural da Gazprom e as vodkas russas. Foi nesse dia que a Fifa, em um pleito sujo e manchado para sempre pelas denúncias de venda de votos, anunciou a antiga potência comunista como sede da Copa do Mundo de 2018.

Na pasta com as propostas da candidatura oficial russa, o orçamento inicial foi definido em US$ 640 milhões. Valor, obviamente, baixo para tudo que era pensado pelos organizadores. Sete meses depois, a realidade começa a aparecer. Das centenas de milhões previstas, o custo do Mundial de 2018 já subiu para incríveis US$ 4 bilhões, aproximadamente, segundo o Ministério de Esportes e Turismo. Isso sem contar o custo levantado pelo Ministério dos Transportes para a modernização do obsoleto sistema ferroviário do país: US$ 90 bilhões.

Muito também pelas promessas feitas pela Rússia, como transporte gratuito entre todas as cidades para quem tiver ingresso – hoje são 13 municípios pré-escolhidos e 16 estádios, sendo que destes somente um está pronto (Luzhniki), dois seriam remodelados e todos os outros construídos. Com isso, o preço da Copa do Mundo de 2018 já é superior ao das Olimpíadas de Inverno, que acontecerão em Sochi, no ano que vem.

As similaridades com a desorganização brasileira para a Copa de 2014 não param por aí. Segundo reportagem do jornal Kommersant, respeitadíssimo na Rússia, um documento do Governo sobre a Copa do Mundo indica que a intenção dos mandatários do país é facilitar os investimentos estatais e privados em obras esportivas e de infra-estrutura. Como? Liberando impostos e diminuindo o controle sobre licitações.

Sim, a medida é quase idêntica à tomada pelo Governo paulista em relação ao estádio do Corinthians, possível sede da abertura da competição, e com a criação da já famigerada MP da Copa. A ideia é liberar os interessados nas construções das taxas governamentais, atendendo assim os diversos pedidos da Fifa. Além disso, o Governo de Vladimir Putin e Dmitri Medvedev pretende facilitar todo o procedimento para os investidores e simplificar a aprovação de orçamentos por parte do Estado.

A oposição não precisou nem se manifestar, porque o bombardeio veio de dentro do próprio Kremlin. A ministra da Economia, Elvira Nabiullina, criticou a intenção do Governo russo. Segundo a política, o maior problema é a falta de transparência no controle dos gastos públicos e sobre os investidores privados.

Por trás de tudo a senhora Fifa apenas sorri. Incentiva os abusos, porque pede atitudes abusivas de seus filiados. No Brasil e na Rússia seus desmandos são os mesmos. Enquanto isso, os governantes aceitam tudo de cabeça baixa. E a maioria, na verdade, gosta de tudo isso. Por interesses pouco nobres, e por saber que a gastança vai apenas aumentar nos próximos anos.

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Equipe Trivela

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