Leste Europeu

Mais um vai embora

Quando o Amkar Perm anunciou sua desistência em disputar a Premier Liga russa na temporada 2011/12 devido a seus problemas financeiros, muita gente foi pega de surpresa. E na mesma época, final do ano passado, surgiram os primeiros boatos de que o Saturn seguiria pelo mesmo caminho, também tomado pelo Moskva no início de 2010 e o Torpedo Moscou há mais tempo. Algo que se confirmou nesta semana.

Com imensas dívidas trabalhistas e com credores, o Saturn considerou-se falido e abdicou da vaga na elite russa. Sem um grande patrocinador por trás, o clube terá que recomeçar do zero sua trajetória no futebol do país.

Com isso, a Premier Liga ganha duas vagas, as quais, teoricamente, cairão no colo de Nizhny Novgorod e KAMAZ Naberezhnye Chelny, terceiro e quarto colocados, respectivamente, na segunda divisão do ano passado. Porém, isso ainda não está certo e todos aguardam a decisão da federação russa (RFU), já que outras possibilidades surgiram e foram veiculadas pela imprensa nos últimos dias.

A primeira, e menos provável, é manter Alania Vladikavkaz e Sibir Novosibirsk, rebaixados, entre os 16 times da primeira divisão. Isso, obviamente, não impediria o acesso de Kuban Krasnodar e Volga Nizhny Novgorod, campeão e vice da segundona. A outra opção, mais escandalosa, seria subir, forçosamente, o Zhemchuzhina-Sochi, oitavo colocado da segunda divisão.

A explicação para essa segunda alternativa está na cidade. Sochi receberá os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, e o Governo russo tem interesse em promovê-la, sendo assim, um time na Premier Liga seria muito interessante. Outro fator que os políticos consideram é o investimento que o clube tem recebido, desde que foi refundado em 2007. Desde então, já saiu da quarta divisão (amadora) e está prestes a aparecer entre os grandes.

Um detalhe da história do Zhemchuzhina-Sochi, porém, vale ser mencionado. O clube, em 2003, sofreu do mesmo problema que abalou Torpedo Moscou, Moskva, Amkar Perm e Saturn: faliu.

E esse é o principal assunto a ser debatido na Rússia. Existe uma diferença abismal entre os clubes ricos e os pobres no país. “Ah, mas isso existe em todo o mundo”, dirão alguns. Mas na Rússia esse abismo gigantesco já envolve times da divisão de elite e leva, como todos têm visto, à falência de muitos.

Ao mesmo tempo em que o país comemora a escolha para sediar a Copa do Mundo de 2018, se vê em um impasse tremendo para resolver os problemas financeiros das equipes. Todos esperavam que choveria investidores no futebol russo, mas não é o que aconteceu em um primeiro momento. Para que isso se torne realidade, os clubes precisarão montar estruturas mais profissionais e abandonar suas raízes provincianas – que, em muitos casos, levou aos problemas financeiros, quando o estado (nesse caso município ou oblasts) abandonou o barco. Para pegar dois exemplos claros disso: Moskva e Saturn foram abandonados por seus “governos”.

Os próximos da lista a enfrentarem dificuldades financeiras graves serão Tom Tomsk e Krylya Sovetov. O primeiro já foi salvo pelo governo federal em 2010, que pediu (ordenou) às empresas da Sibéria que investissem no clube. O segundo mal conseguiu montar um elenco na temporada passada e se salvou do rebaixamento no finalzinho da competição.

E vale lembrar, também, que a temporada 2011/12 do futebol russo começará em março e terminará em junho do ano que vem, sendo disputada em três turnos. Tudo isso porque é a de adptação ao calendário vigente em todo o continente. O que significará, de imediato, muito mais gastos para todas as equipes.

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Equipe Trivela

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