Leste Europeu

Krasnodar vai subindo. E os gols saem da mesma fonte

Wanderson é mais um dos desconhecidos brasileiros que ganham espaço em ligas menores na Europa. Aos 27 anos e nascido em Baturité, no Ceará, o atacante começou sua carreira no Tiradentes, passou pelo Ferroviário, Fortaleza e River do Piauí antes de partir para a Suécia, onde ficaria cinco anos no GAIS.

Uma rápida passagem pela Arábia Saudita, no Al-Ahli, rendeu um título da Copa local em 2011. Wanderson então retornou para a Suécia e chegou nesta temporada no Krasnodar. Bem acomodado ao frio clima da região, o brasileiro é hoje o vice-artilheiro do Russão, com 11 gols. Três deles marcados no último fim de semana, diante do Anzhi, ainda sob efeito da eliminação na Liga Europa, onde levou um gol no último minuto do Newcastle.

Se a fase do Anzhi não anda das mais animadoras, Wanderson, pelo contrário, não tem muito do que reclamar. O Krasnodar vai subindo na tabela e graças aos gols do cearense, está perto da zona europeia. Com apenas um gol atrás de Movsisyan, seu ex-colega de clube e hoje no Spartak Moscou, o atacante é dono da melhor média da liga, de 0,79 gols por jogo. Como se não bastasse a regularidade, Wanderson amassou a defesa do Anzhi e deixou três tentos na meta de Gabulov, neste domingo. O placar de 4 a 0 impulsionou os Touros a buscarem algo maior nas próximas rodadas.

Responsável por 39% dos gols marcados pelo Krasnodar, Wanderson é o cacique da tribo. Oportunista e veloz, se posiciona bem dentro da grande área e é letal no mano a mano. Outra característica marcante é o bom cabeceio. Auxiliado pelos meias Joãozinho e Pereyra, o atacante merece ganhar uma chance em clubes maiores a partir da próxima temporada. O bom desempenho do cearense deve ser lembrado pelos principais rivais na Rússia, que acabam monopolizando o mercado local.

Espancamento de jogador e crescimento em nível nacional

É possível para o Krasnodar sonhar com uma participação europeia. Apenas 3 pontos atrás do rival Kuban, que ocupa a quinta posição, os Touros fazem sua melhor participação na Premier League russa, apenas em seu segundo ano na elite. Somando quatro vitórias nas últimas cinco partidas, a equipe comandada pelo sérvio Slavoljub Muslin (baita contradição étnica: muslin ou muslim significa muçulmano) chega com o melhor saldo (+10) fora dos concorrentes que estão na zona europeia.

Fundado em 2008, o clube é controlado pelo magnata Sergei Galitsky, um dos 20 homens mais ricos do país. Entretanto, Galitsky ainda não optou por fazer investimentos milionários ou fora da realidade da equipe. Conforme a exposição do clube for aumentando internacionalmente, a tendência é que cada vez mais o dinheiro seja injetado na estrutura e até mesmo no elenco.

Bem verdade que o Krasnodar está longe de se tratar de um case de sucesso, especialmente se analisarmos uma denúncia ocorrida em 2011 e que diz muito sobre a forma como os negócios são feitos por lá. O montenegrino Nikola Nikezic abriu uma queixa na Fifa e na Uefa contra o Krasnodar em março de 2011, alegando que havia sido forçado por dirigentes a rescindir seu contrato. A represália veio em forma de espancamento e ameaças de morte por parte dos seguranças dos diretores.

Mais tarde em 2011, o clube pagou uma compensação ao jogador, apesar de ter negado todas as acusações. Uma forma sutil de resolver as pendências, certamente. Caso episódios como esse não aconteçam mais (ou não venham à tona), é de se esperar que o Krasnodar figure entre os concorrentes ao título. Enquanto os grandes Dinamo, Spartak e Lokomotiv se perdem, um espaço pode ser aberto no cenário russo.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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