Leste Europeu

Kerimov adoeceu pelo Anzhi e agora quer se desfazer do clube

É justo que já coloquemos o milionário Suleiman Kerimov como um dos milionários que se cansaram de brincar de futebol. A ausência de resultados imediatos do clube do Daguestão fez com que o magnata retirasse seu investimento do Anzhi, que nos dois últimos anos se acostumou a gastar caminhões de dinheiro em contratações de estrelas e salários absurdamente altos (lembram que o Eto’o é o maior salário do mundo, né?).

Kerimov saiu muito nervoso da última derrota do Anzhi no Russão, o 1×0 para o Rostov, na sexta-feira. O dirigente se revoltou com mais um resultado negativo, passou mal, mas ninguém esperava que ele tomasse a atitude de colocar todos os jogadores à venda e retirar seu investimento dos cofres da agremiação. O problema de saúde deve mesmo ter sido grave, com dois empates e duas derrotas na tabela.

Antes de Suleiman, o Anzhi não era nada além de um nanico na Rússia. Impulsionado pelos milhões do ricaço, o clube foi praticamente dado para Kerimov por Magomedsalam Magomedov, presidente do Daguestão, que buscava apoio financeiro para tornar o time numa potência. Foram alguns milhões, a construção de um novo estádio e claro, as chegadas de jogadores de fama internacional.

O que vem fácil, vai fácil

Não fosse o dinheiro, a equipe do Daguestão continuaria nadando na inércia numa liga que ficou polarizada pelos rivais de Moscou e pelo Zenit. Primeiro Roberto Carlos desembarcou na cidade, depois seu companheiro de Corinthians, Jucilei. Mbark Boussoufa, promissor meia marroquino do Anderlecht, Yuri Zhirkov e Samuel Eto’o chegaram depois, tornando um time merreca num concorrente pelo título. O último que veio e por um valor astronômico foi Willian, atacante formado no Corinthians e que estava no Shakhtar. Cobiçado pelo Chelsea, o meia preferiu tomar o caminho do Anzhi em janeiro e hoje certamente está arrependido por optar pela grana.

A postura de Kerimov de agora em diante é tentar recuperar alguns de seus milhões investidos. E o “saldão” do Anzhi não deve lhe dar muito poder de barganha para negociar por preços altos. Em outras palavras, ele deve recuperar menos da metade do que colocou nas compras e mudar a política nos reforços: a solução agora é apostar em promessas que possam surgir dentro da Rússia. Ou seja, fechando a torneira.

Eto'o, em mais uma derrota do Anzhi: vida dura do time do Daguestão (AP Photo/Denis Tyrin)
Eto’o, em mais uma derrota do Anzhi: vida dura do time do Daguestão (AP Photo/Denis Tyrin)
Após a bonança…

É claro que a pequena torcida não poderia esperar que Kerimov morresse com o time em mãos, gastando mundos de dinheiro num time forte. Os vários problemas de elenco criados após a saída repentina de Guus Hiddink e a chegada de Igor Denisov são diretamente ligados a essa preferência por estrelas ao invés de jogadores que saibam se relacionar sem tanta vaidade. Denisov tinha claros problemas com os antigos colegas de Zenit e isso só se agravou quando ele mudou para o Daguestão. Algo estava muito errado dentro do grupo e isso também poderia ser atribuído ao capitão Eto’o.

Podemos esperar grandes mudanças e sim, uma decadência do Anzhi, que nem chegou a sentir o gostinho da grandeza – sequer chegou à Liga dos Campeões. Onde irão parar os grandes nomes do time? Os altos salários dos atletas também devem complicar nessa revenda. Não são muitos os clubes que arcarão com as despesas de um Eto´o, por exemplo.

Fica a dica para você que planeja comprar um time de futebol no futuro: não o faça. O insucesso pode ser mais traumático do que você imagina.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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