Leste Europeu

Hora de voltar a ser grande

Na Rússia, ninguém contesta a importância e o tamanho de Dynamo Moscou e Lokomotiv Moscou. As duas equipes moscovitas estão entre as grandes do país, mas o atual momento não inspira muita confiança. Sem grandes investidores, os dois clubes têm ficado para trás ano após ano e, aos poucos, vão sendo ultrapassados pelos novos ricos.

No caso do Dynamo, o declínio já é percebido há mais tempo. Dono de 12 título soviéticos, sua última conquista foi apenas em 1976, bem antes da dissolução da União Soviética. Após isso, conquistou uma mera Copa da Rússia em 1995. Nos últimos anos, com exceção da temporada 2008, quando terminou em terceiro, o Dynamo tem amargado péssimas colocações no Campeonato Russo. Com isso, o número de torcedores também diminuiu, tanto que a média de público da equipe tem ficado em apenas sete mil torcedores ultimamente.

Ligado ao Ministério das Relações Interiores, que cuidava da KGB, no período soviético, o Dynamo Moscou hoje possui uma modelo bem clássico de clube. Possui um presidente Yuri Isayev, que não é um mecenas como nos casos, por exemplo, de Anzhi Makhachkala e Krasnodar, para citar apenas dois novos ricos. Mantém acordo de patrocínio com o banco VTB, que se não é capaz de gerar contratações de milhões de euros, também não deixa a equipe desamparada.

No ano passado o Dynamo conseguiu levar para a Rússia o atacante Kevin Kuraniy, que reacendeu as esperanças no clube de dias melhores. Nesta temporada trouxe o bósnio Zvjezdan Misimovic, que se uniu a um elenco com bons nomes, como Andrey Karyaka, Igor Semshov, Luke Wilkshire, Andriy Voronin e o goleiro Anton Shunin. Todos treinados pelo bom Miodrag Bozovic. O problema é que, até agora, a engrenagem não funcionou.

Em três rodadas, o Dynamo já soma duas derrotas, uma para o Volga Nizhny Novgorod e outra, justamente, para o Lokomotiv na estreia. A equipe é boa, tem condições de fazer uma boa Premier Liga, mas está na hora de parar de perder pontos contra pequenos. O tropeço contra o Volga, caçula da primeira divisão, foi um sinal para isso. O Dynamo tem que voltar a ser grande, se impor contra os menores e disputar com os rivais de Moscou, Rubin Kazan e Zenit São Petersburgos os postos de cima da tabela.

E a explanação vale para o Lokomotiv. Diferentemente do rival azul e branco da capital, a equipe dos ferroviários tem uma situação financeira e esportiva melhor nos últimos anos, e o período soviético está longe de ser o seu auge, ao menos em termos de conquistas. Afinal, nunca conquistou o principal campeonato da URSS e faturou apenas uma Copa. Já na época russa, foram dois títulos (2002 e 2004) e cinco copas.

O Lokomotiv ainda é bancado pelo sistema ferroviário do país, isso lhe gera um pouco mais de dinheiro. A diretoria, porém, tem investido mal e trazido poucos reforços para o clube. Pelo contrário, tem perdido alguns jogadores ultimamente. Rodolfo voltou para o Brasil, Marek Cech foi para o Zhemchuzhina-Sochi (novo rico da segunda divisão)… e os que chegaram não empolgam.

O elenco, de qualquer modo, ainda é bom. Maicon é a grande esperança para o ataque, municiado por Dmitri Torbinskiy e Denis Glushakov, ao lado de Dmitri Sychev. A defesa deixa bastante a desejar, mas está longe de ser ruim. Para o banco, a diretoria trouxe o barato Yuri Krasnozhan, que fez grande temporada com o Spartak Nalchik no ano passado. Só que, após a vitória sobre o Dynamo, uma derrota para o fraco Amkar e empate em casa com o Rostov já levantaram algumas dúvidas.

Neste final de semana, Dynamo Moscou e Lokomotiv Moscou têm, mais uma vez, compromissos onde a obrigação de vitória é deles. O primeiro recebe o Kuban na capital, enquanto o segundo viaja até Samara para encarar o semi-falido Krylya Sovetov. Chegou a hora de mostrar quem é grande no Russão.

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Equipe Trivela

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