Leste Europeu

Hora de rever o trabalho

A Premier Liga russa dá um tempo e só volta em 11 de julho, com a realização da 13ª rodada. Enquanto isso, as principais equipes do país aproveitam a folga para fazer inter-temporadas e rever o trabalho feito até agora. Um exemplo é o Lokomotiv Moscou, que, por enquanto, vai muito mal.

Yuri Semin chegou e já assumiu o comando da equipe, que ocupa apenas a nona colocação. O treinador russo, que deixou o Dynamo Kiev para substituir Rashid Rakhimov, terá muito trabalho pela frente. O elenco do time é muito bom, talvez não o suficiente para lutar pelo título, mas no mínimo para conseguir uma posição muito melhor na tabela.

“Meu principal objetivo para o período de treinos na Áustria é conhecer melhor os jogadores do Lokomotiv. Quando cheguei, sempre tinha alguém machucado ou suspenso. Agora todos, com exceção do Torbinsky, que está machucado, estão disponíveis e preparados para a próxima rodada”, disse Semin.

O técnico tem recebido diversos pedidos de torcedores para trazer o ídolo Dmitry Loskov, de 35 anos, de volta ao clube. O meia, recordista em gols (108) e terceiro em jogos disputados (355) pelo Loko, deixou o clube em 2007. Um retorno chegou a ser cogitado há alguns meses, mas foi vetado pelos treinadores de então.

Agora, Semin busca no mercado alguém que possa fazer sua antiga função e ligar bem o meio campo ao ataque. “Já disse à diretoria que o time precisa de um jogador que complete Sychev e Odemwingie, nossos atacantes, para que eles comecem a marcar gols regularmente. Se tivermos sorte, compraremos esse jogador, porque não temos um assim no nosso elenco”, lamentou o treinador.

E realmente falta esse homem de criação no Lokomotiv. A defesa é boa, com o experiente goleiro Marek Cech e os zagueiros Rodolfo, Basa e Kuzmin, mas tem sofrido muitos gols – 14 em 12 jogos. O meio tem muitos jogadores de marcação, como o selecionável russo Renat Yanbaev, mas carece de criatividade.

Por isso Semin realmente vai ao mercado buscar alguém que o auxilie nessa função. Além disso, precisará recuperar a moral do time, que sofre com sua irregularidade. Nas duas últimas rodadas, por exemplo, venceu o clássico contra o Spartak por 2 a 1 e na seqüência caiu diante o Saturn por 2 a 0 – com um gol de Loskov, por sinal.

Yuri Semin tem capacidade para isso. Seu vasto e vitoriosos currículo o credencia para tanto, além do ótimo trabalho realizado no Dynamo Kiev nesta temporada europeia que acabou. Terá, porém, que trabalhar muito.

Fim da linha?

Pela primeira vez em seus 18 anos de história, a Premier Liga pode ver um de seus participantes não terminar a temporada por problemas financeiros. O Tom Tomsk acumula dívidas de aproximadamente 200 milhões de rublos (cerca de € 4,6 milhões) e o déficit só aumenta. Os salários de março a junho, por exemplo, ainda não foram pagos. Bônus por vitórias e pela temporada passada também não foram quitados.

Yuri Stepanov, diretor geral do Tom, lamenta a falta de apoio das empresas da região de Tomsk – a equipe, fundada em 1957, é a única da Sibéria que participa da primeira divisão russa.

“Me refiro a corporações como a Tomskneft, Rosneft e Gazprom Neft (todas da área de gás e energia). Quando tínhamos contrato com a Tomskneft, alcançamos bons resultados na Premier Liga. Além delas, há uma grande planta industrial química na região, subsidiárias da Transneft e da Transgaz que têm grandes orçamentos. Algumas delas poderiam ajudar o Tom, mas preferiram investir seu dinheiro no Zenit ou nas Olimpíadas em Sochi de 2014”, completa Stepanov.

O dirigente estendeu a crítica. “Claro que eles decidem onde e como gastar seu dinheiro, mas todas essas companhias fazem seu trabalho na região de Tomsk e seria mais lógico ajudar o maior time da região. Além do mais, nunca pedimos muito dinheiro. Temos um dos menores orçamentos da Premier Liga, nunca ultrapassando 800 milhões de rublos (€ 18 milhões)”.

A situação do time realmente é crítica, e o maior problema é a falta de boas perspectivas. Ao que parece, a única solução será uma ajuda da federação russa, o que poderia abrir um precedente.

Os jogadores, por enquanto, estão compreendendo a situação e não buscaram seus direitos na justiça – o que não tardará a acontecer se a situação permanecer nos próximos meses. Com 12 pontos, ocupa a 13ª colocação, duas acima do rebaixamento. Uma eventual queda só vai piorar a situação do clube – se ele existir até lá.

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Equipe Trivela

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