Leste Europeu

Franco-atiradora contra a Holanda

Felizmente, a primeira impressão não vai ser a que fica. Após a goleada sofrida na estréia para a Espanha, a Rússia se recuperou, voltou a apresentar o bom futebol das eliminatórias da Euro e venceu com facilidade Grécia e Suécia. Classificou-se em segundo no Grupo D e agora terá pela frente a Holanda.

Antes de analisar as possibilidades da partida entre russos e holandeses, vale explicar como o time melhorou ao longo da competição.

Contra os espanhóis, o técnico Guus Hiddink mandou a campo uma escalação inédita. O resultado foi desastroso, já que a defesa se mostrou totalmente desentrosada, com as entradas de Shirokov e Kolodin, e o meio-campo sem uma ligação efetiva com o ataque, principalmente pelo recuo de Zhirkov para a lateral-esquerda. O treinador holandês percebeu o erro e mudou a equipe.

Diante dos gregos, a Rússia voltou com Ignashevich no comando da zaga, no lugar do desastroso Shirokov, o que devolveu tranqüilidade ao setor. Semak à frente dos zagueiros foi outra descoberta de Hiddink que deu certo. Com Zyrianov e Bilyaletdinov cumprindo bem suas funções e a entrada de Torbisnkiy no lugar do nulo Sychev no meio-campo, Anyukov e principalmente Zhirkov tiveram liberdade para atacar. A vitória por 1 a 0 colocou novamente a equipe na briga.

No último jogo, contra os suecos, a Rússia precisava da vitória, e mostrou que a conquistaria desde o primeiro minuto. Com o retorno de Arshavin após cumprir suspensão, a equipe ganhou o talento de seu principal jogador e Hiddink pôde montar o time novamente como nas eliminatórias. A dupla de ataque formada por Arshavin e Pavlyuchenko – que vem substituindo Pogrebnyak com excelência – se mostrou poderosa diante de pálidos suecos. Foi 2 a 0, mas poderia ter sido bem mais.

Ótimo. Primeiro objetivo alcançado: a classificação para as quartas-de-final. Quando Hiddink assumiu a seleção russa após a Copa de 2006, essa era a meta inicial, classificar a Rússia para a Euro e fazer um bom papel. Como seu trabalho rendeu ótimos resultados antes do esperado, seu contrato foi renovado até a Copa de 2010, e agora, contra a Holanda, o time entra como franco-atirador.

Não existe qualquer pressão sobre a Rússia. A Holanda foi o melhor time da primeira fase, goleou Itália e França, e ganhou da Romênia com o time reserva. Tem jogadores extremamente talentosos, e em grande quantidade, está empolgada e mostrou até agora um futebol extremamente ofensivo e habilidoso.

No entanto, a Rússia demonstrou contra os suecos que pode praticar um futebol de alto nível também, e nestas quartas, deve usar essa pressão existente sobre o adversário para se aproveitar e surpreender. Hiddink é um dos melhores treinadores do mundo e certamente saberá usar essa “vantagem”. Aliás, o técnico holandês conhece muito bem o adversário…

Outro fator que pode pesar contra a Oranje foi levantado por José Mourinho, na excelente e exclusiva entrevista concedida a André Plihal e Paulo Vinícius Coelho na ESPN Brasil nesta semana. Questionado sobre os favoritos desta Euro, Mourinho colocou em dúvida o potencial da Holanda. Afirmou que a equipe ainda não saiu atrás do marcador em um jogo na competição, e que se isso acontecer, ele duvida um pouco da capacidade da Holanda de reagir.

Enfim, quem imagina que Holanda x Rússia já tem um vencedor garantido, pode quebrar a cara neste sábado.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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