Leste Europeu

Foi tranquilo

Assim como o Barcelona na Espanha, o Shakhtar Donetsk demorou para confirmar o título desta temporada. Aconteceu somente na antepenúltima rodada, como os culés, mas já era certo há muito mais tempo. Na verdade, só foi adiado, justamente, por causa dos confrontos entre ucranianos e espanhóis pela Liga dos Campeões.

Pelas quartas de final, o Barça atropelou o Shakhtar no dia 6 de abril no Camp Nou: 5 a 1. Aí teve início a única má fase dos Mineiros.

No final de semana seguinte o Obolon Kiev viajou até Donetsk para enfrentar, mais uma vez, o Shakhtar na Donbass Arena. Venceu por 1 a 0, acabou com uma invencibilidade de dois anos do adversário em casa e ainda conquistou a primeira vitória de um visitante no novo estádio (lembre aqui). Na sequência, a segunda derrota: Barcelona no jogo da volta, 1 a 0.

Foram três tropeços seguidos que, se não alteraram os rumos do Campeonato Ucraniano, ao menos serviram para esfriar a fase espetacular que o Shakhtar vivia até então.

Desde que o Campeonato Ucraniano foi criado, em 1992, após o esfacelamento da União Soviética, somente na primeira edição Dynamo Kiev ou Shakhtar Donetsk não foram campeões. Naquele ano, o Tavriya Simferopol ficou com a taça. Desde então, o time da capital faturou a competição 13 vezes e os Mineiros outras seis.

E este título deve ser, ao final da competição, o mais fácil de todos do Shakhtar. Faltando duas rodadas, são oito pontos de vantagem sobre o inimigo, e o time de Donetsk terá pela frente o Vorskla Poltava, fora, e encerra o torneio na Donbass com o Dnipro Dnipropetrovsk.

Nas outras cinco conquistas, sempre diferenças menores. Na temporada 2001/02, quando impediu o decacampeonato do Dynamo, o Shakhtar terminou um ponto à frente do rival. Em 2004/05 a vantagem foi de sete e na temporada seguinte terminaram empatados, com os Mineiros ficando com o título nos critérios de desempate. Depois, em 2007/08, a diferença para o Dynamo foi de apenas três pontos, enquanto na última, 2009/10, foi de seis.

Os torcedores do Dynamo Kiev, ao menos, ficarão com a impressão do clássico do último dia 1 de maio: Dynamo 3×0 Shakhtar. Triunfo incontestável e que adiou em alguns dias o bicampeonato ucraniano, além de ter sido a única derrota dos Mineiros até agora.

Mas, como diz o ditado, quem ri por último ri melhor. Abaixo, uma análise com os principais destaques do Shakhtar Donetsk ao longo de toda temporada. Daqui duas semanas, um resumão de todo torneio.

 

Pilar da defesa: Andriy Pyatov

Aos 26 anos, o goleiro titular do Shakhtar fica a cada ano melhor e, naturalmente, mais experiente. Comete menos falhas do que no início da carreira e passa muita segurança para seus companheiros. Já é um nome constante nas convocações da seleção e um ídolo no clube. Comanda a melhor defesa da competição, com 15 gols sofridos até agora, tendo à frente zagueiros medianos apenas – Dmytro Chygrynskiy e Yaroslav Rakitskiy.

 

Força nas laterais: Darijo Srna e Razvan Rat

Pela direita, Srna. Pela esquerda, Rat. Dois laterais fortes na defesa, que atacam com eficiência, estão há muito tempo no clube e são respeitadíssimos pelos torcedores. Impossível analisar um lateral e deixar o outro fora da mesma crítica. Foram fundamentais na temporada do Shakhtar, colaborando bastante com a defesa, aparecendo bem no ataque e passando experiência aos mais jovens.

 

Segurança defensiva: Tomás Hübschmann

O Shakhtar é uma equipe ofensiva. Prioriza muito mais as armações de jogadas do que o setor defensivo. O segundo volante do 4-2-3-1, por exemplo, é um meia adaptado – Henrikh Mkhitaryan. Por isso o papel do tcheco Hübschmann é fundamental. Zagueiro de origem, o jogador foi adiantado por Lucescu para reforçar a marcação no meio e se adaptou muito bem à nova função. Atua como o antigo “cabeça de área”, protegendo o avanço dos laterais e cumprindo com suas obrigações à frente da zaga.

 

Experientes e fundamentais: Fernandinho e Jadson

Em 2005, os dois trocaram o Atlético Paranaense pela Ucrânia. Chamados de loucos pela maioria, hoje os dois podem se orgulhar de fazer parte da história do Shakhtar Donetsk. Nesta temporada, Fernandinho começou como titular e Jadson, pela primeira vez, na reserva. O primeiro sofreu uma fratura seríssima em setembro e ficou fora até quase o final do Ucraniano. O segundo entrou em seu lugar e manteve o nível. Fernandinho e Jadson são dois jogadores que ajudam a sustentar esse elenco.

 

Ataque fez a diferença: Willian e Douglas Costa

Como já foi dito, Mircea Lucescu privilegia o ataque à defesa. O técnico romeno faz isso porque dispõe de talento brasileiro em abundância, e assim pode liberar seus dois meias abertos: Willian e Douglas Costa. A dupla causou estrago nas defesas ucranianas. Os dois jovens, de 22 e 20 anos, respectivamente, cansaram de dar gols para Luiz Adriano e também de marcar os seus. Ambos tiveram a melhor temporada da carreira na Ucrânia, sem dúvida alguma.

 

O matador: Luiz Adriano

Como dá para perceber nas linhas acima, o ex-atacante do Internacional foi o homem-gol do time na temporada. Até agora marcou dez vezes – bem distante do artilheiro do Ucraniano, Yevhen Seleznyov do Dnipro com 17, é bem verdade – e foi sempre muito participativo no esquema de Lucescu. Como os companheiros de setor ofensivo, teve sua melhor temporada no futebol ucraniano.

 

Comandante en jefe: Mircea Lucescu

Ele é o Alex Fergunson de Donetsk. Pegou um clube com status nacional e o transformou em um clube com status internacional. Já venceu cinco Campeonato Ucranianos, duas Copas (está na final deste ano contra o Dynamo – próximo dia 25) e uma Copa da Uefa. Gosta de colocar seu time jogando bonito, mas sem ser uma peneira atrás. Desde 2004 no Shakhtar Donetsk, esse treinador romeno é o grande artífice de todo esse momento maravilhoso da história do clube – obviamente que bem municiado pelo diniheiro do presidente Rinat Akhmetov.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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